A avalanche de lançamentos de carros híbridos no Brasil tem gerado uma dúvida comum na cabeça do consumidor: qual a real diferença entre eles? Apesar de todos combinarem um motor a combustão com um elétrico, o funcionamento e o impacto no consumo de combustível variam drasticamente. Entender as particularidades de cada sistema é fundamental para fazer a escolha certa.
Basicamente, o mercado oferece quatro tecnologias principais: o híbrido leve (MHEV), o híbrido completo, também chamado de pleno, (HEV), o híbrido plug-in (PHEV) e o "ultra-híbrido" (EREV ou REEV). Cada um atende a um perfil de uso e tem um custo diferente, tanto na compra quanto na manutenção.
Híbrido Leve (MHEV)
O híbrido leve, ou MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle), é a porta de entrada para a eletrificação. Neste sistema, um pequeno motor elétrico de 12V ou 48V atua como um assistente para o motor a combustão. Sua função principal não é tracionar o veículo, mas sim auxiliá-lo em momentos de maior esforço, como em acelerações e retomadas.
Basicamente esse sistema é um empurrão extra que alivia o trabalho do motor principal. Isso permite que o sistema start-stop funcione de forma mais suave, desligando o motor a combustão durante paradas e desacelerações, e recuperando energia nas frenagens para gerar uma discreta economia de combustível. É importante frisar: ele nunca move o carro sozinho, servindo apenas de apoio.
Esse sistema está disponível em modelos como os Fiat Pulse e Fastback, Peugeot 208 e 2008 e deve chegar a mais modelos como Chevrolet Tracker, Fiat Toro, entre outros.
Híbrido Completo (HEV)
Também conhecido como “full hybrid”, este é o sistema que popularizou a tecnologia no mundo, presente em modelos como o Honda Civic e:Hev ou Toyota Corolla Hybrid. Aqui, o motor elétrico é mais potente e consegue, sim, mover o veículo por curtas distâncias e em baixas velocidades, como em manobras de estacionamento ou no anda e para do trânsito.
A grande vantagem é que a bateria é autorrecarregável, alimentada pela energia gerada nas frenagens e pelo próprio motor a combustão quando necessário. Você não precisa conectá-lo a uma tomada. A alternância entre os motores é feita de forma automática pelo carro, buscando sempre a máxima eficiência. O resultado é uma economia de combustível expressiva, principalmente no ciclo urbano.
Híbrido Plug-in (PHEV)
O híbrido plug-in (Plug-in Hybrid Electric Vehicle) representa a principal alternativa entre quem quer uma condução elétrica, mas não pode adotar totalmente a tecnologia. Seu principal diferencial é a bateria de grande capacidade, que pode ser recarregada em uma tomada comum ou em carregadores específicos para carros elétricos.
Isso garante uma autonomia puramente elétrica que pode ultrapassar os 50 quilômetros, dependendo do modelo. Na prática, muitos motoristas conseguem usar o carro no dia a dia sem gastar uma gota de combustível. Para viagens longas, o motor a combustão entra em ação, eliminando a preocupação com a falta de pontos de recarga na estrada. Ele oferece o melhor dos dois mundos, mas exige a disciplina de ser carregado para entregar seu potencial máximo de economia.
Ultra híbrido (EREV ou REEV)
Entre os eletrificados, essa tecnologia é a mais recente, e pode confundir até mesmo iniciados na mobilidade deste tipo. No inglês, as siglas REEV ou EREV significam Extended Range Electric Vehicle, o que se traduz como “Veículo elétrico com extensor de alcance”. Por aqui, a Leapmotor foi a primeira a oferecer essa propulsão e batizou de “ultra-híbrido”.
Basicamente, os carros com esse sistema rodam sempre em modo elétrico. Porém, quando a bateria de alta tensão está com pouca energia, o motor a gasolina entra em funcionamento e passa a atuar somente como gerador, sem tracionar as rodas.
O proprietário pode rodar quase 900 km no caso do Leapmotor C10 sem se preocupar em abastecer, mas também tem a liberdade de rodar como um carro totalmente elétrico caso seja o interesse.
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