Um estudo recente revelou que os carros híbridos plug-in (PHEVs) estão consumindo muito mais combustível do que o prometido nos testes oficiais. A análise, baseada em dados reais de quase um milhão de veículos, aponta que o consumo pode ser mais de três vezes superior ao indicado nos números de homologação, principalmente porque muitos motoristas não recarregam as baterias com a frequência esperada.
A pesquisa foi conduzida pelo Fraunhofer Institute for Systems and Innovation Research e analisou informações de 981.035 veículos produzidos entre 2021 e 2023. Os dados foram coletados por meio do sistema On-Board Fuel Consumption Monitoring (OBFCM), que registra automaticamente o consumo de combustível e permite acompanhar o comportamento dos carros no uso cotidiano.
Os pesquisadores compararam os números obtidos no mundo real com os valores oficiais medidos no ciclo de testes WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure, equivalente ao PBEV - Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), utilizado na Europa para determinar consumo e emissões. A diferença encontrada foi significativa. Enquanto os testes de laboratório apontam consumo médio de 63,7 km/l, os dados reais indicam cerca de 16,3 km/l.
A principal explicação para essa discrepância está no comportamento dos próprios usuários. Os cálculos do ciclo WLTP assumem que os híbridos plug-in rodem entre 70% e 85% do tempo no modo elétrico, com recargas frequentes da bateria. Na prática, porém, os números são bem menores. Em veículos particulares, a condução elétrica representa cerca de 45% a 49% do uso, enquanto em carros corporativos o índice cai para apenas 11% a 15%.
Quando a bateria não é recarregada regularmente, o motor a combustão passa a operar com mais frequência e ainda precisa carregar o peso adicional da bateria descarregada, o que aumenta o consumo de combustível.
O estudo também identificou diferenças relevantes entre marcas, em alguns modelos de alto padrão apresentaram consumo elevado no uso real, incluindo híbridos plug-in da Porsche, que registraram média próxima de 14,28 km/l.
Além da falta de recarga, outros fatores ajudam a explicar a diferença entre os números oficiais e o consumo real. O alcance elétrico costuma ser menor do que o anunciado devido a fatores como temperaturas baixas, velocidades mais altas e variações de relevo. Em muitos casos, os motoristas também percorrem distâncias superiores à autonomia elétrica disponível no dia a dia.
Os resultados reforçam um debate crescente sobre a eficiência dos híbridos plug-in fora dos laboratórios. Embora esses veículos possam oferecer boa economia de combustível quando utilizados conforme o previsto (com recargas frequentes e uso predominante do modo elétrico), o estudo indica que, sem esse comportamento, os ganhos de eficiência podem ser muito menores do que os divulgados.
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