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Honda HR-V ainda é um SUV ótimo, mas sistema híbrido faria ser ainda melhor

SUV médio da Honda recebeu atualizações visuais na linha 2027 e embora mais moderno visualmente, mantém motorização tradicional

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Honda HR-V Touring
Honda HR-V Touring Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Dizem que em time que está ganhando não se mexe, e a Honda levou o ditado parcialmente a sério nas linhas 2026 e 2027 do HR-V, seu principal produto à venda no mercado brasileiro nos últimos anos. O SUV passou a contar com um novo conjunto visual, levemente alterado, mas sem alterações na parte mecânica.

As alterações no HR–V  ficaram praticamente na parte dianteira, já que o parachoque conta com um novo desenho, justamente para abrigar a grade dianteira, que é a principal alteração visual do SUV. Na traseira, a versão Touring agora ostenta lanternas em LED com linhas horizontais, enquanto as demais trazem luzes halógenas e com acabamento cristal.

Honda HR-V Touring 2026
Honda HR-V Touring Foto: Enrico Paladino/Vrum

No interior, a principal mudança está no console central, que agora tem um desenho flutuante para a parte superior, perdendo o desenho circular que conectava as duas peças. Com isso, foi possível instalar um porta objetos na parte superior.

Contudo, a principal novidade é a opção de cor preta para o interior do Honda HR-V. Particularmente, é um acerto e tanto da Honda, uma vez que o revestimento branco, embora atrativo e elegante, tem a tendência de encardir e amarelar, como aconteceu em uma unidade testada por mim em 2025, que contava com quase 30 mil km rodados.

Sob o capô, nenhuma novidade: As versões EX e EXL seguem equipadas com motor 1.5 aspirado de 126 cv e 15,8/15,5 kgfm de torque com etanol/gasolina. As versões Advance e Touring ostentam o 1.5 turbo de 177 cv e 24,5 kgfm de torque, tanto com etanol quanto gasolina. Independente da motorização, a transmissão é sempre automática do tipo CVT com simulação de 7 marchas e borboletas para as trocas atrás do volante.

Honda HR-V Touring
Honda HR-V Touring é bem acertado para o uso urbano e rodoviário Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Na prática, não falta potência, mas como é tradicional nos carros da Honda, a caixa de câmbio CVT dá a impressão de segurar o carro quando se demanda por uma condução um pouco mais veloz. Se você conduz de forma mais comedida e com acelerações suaves, o conjunto se porta muito bem e permite ótimos números de consumo.

Segundo a Honda, o consumo com etanol é de 8,1 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada. Com gasolina, as médias melhoram para 11,5 km/l e 12,9 km/l respectivamente. Em nossos testes, foi possível alcançar até 17,5 km/l com gasolina na estrada, mas em um dia frio onde não havia necessidade do uso de ar-condicionado.

Para órfãos do Civic

Honda HR-V Touring 2026
Dimensões compactas fazem do Honda HR-V fácil de estacionar e bem ágil no dia a dia Foto: Enrico Paladino/Vrum

É justo dizer que desde o lançamento do HR-V em 2015, o SUV foi alterando a preferência do comprador da Honda e sempre fez bastante sucesso, superando regularmente as vendas do sedã.

Desde 2021, quando a produção do Civic foi encerrada no Brasil e as vendas do sedã passaram a se tornar mais exclusivas, o HR-V foi alçado ao posto de principal carro da Honda no país e é o principal nome em termos de vendas para a marca japonesa.

A atual geração desembarcou em agosto de 2022, e desde então acumulou 48.054 unidades vendidas em 2023; 50.375 em 2024; 61.227 em 2025 e 33.583 unidades até setembro de 2026.

O posicionamento de mercado e também a forma como HR-V se comporta fazem jus ao título deste subtópico. Durante os 10 dias de empréstimo, não foram poucas as vezes em que o SUV na bela cor “Vermelho Supernova Perolizado” me lembrou o Civic híbrido.

Claro, é necessário fazer as devidas ressalvas, afinal, são carrocerias diferentes e até mesmo conceitos de suspensão traseira diferentes (o HR V usa eixo de torção, enquanto o Civic usa sistema multilink), mas foi inevitável não lembrar do sedã.

Honda HR-V Magic Seat
Honda HR-V conta com sistema "Magic Seat" que permite elevar a parte inferior dos bancos traseiros Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Essa comparação fica ainda mais curiosa quando nos lembramos que o HR-V usa a plataforma de WR-V e City, enquanto o Civic divide a estrutura com o CR-V, Prelude e ZR-V. No fim das contas, o HR-V é o melhor da plataforma “mais acessível” e não deixa o consumidor com uma sensação ruim.

Uma explicação possível para essa boa sensação ao guiar o HR-V é o acerto suave e macio da suspensão presente, mais próximo do que encontramos no Civic, por exemplo, enquanto o City possui um acerto mais rígido. Contudo, isso só exalta o bom trabalho da Honda brasileira em acertar a suspensão do HR-V para o asfalto nacional e fazer do SUV mais confortável que um carro mais caro (ZR-V) e passar a sensação de conforto de um carro ainda mais caro (Civic).

Mas ainda não é o Civic

Para além do padrão de carroceria, o Civic possui algumas coisas intangíveis que o sedan possui. O prazer de guiar o sedã é bem superior ao proporcionado pelo SUV, piloto automático adaptativo funcionava melhor no Civic e o consumo era melhor. Contudo, não vale os R$ 52.500 necessários para fazer o salto do HR-V para o Civic, e por isso, o utilitário nada de braçada nas vendas

Há espaço para melhora

Honda HR-V 2026
Honda HR-V 2026 Foto: Divulgação/Honda

Nenhum carro é perfeito e o HR-V também tem uma janela para melhora. Embora esteja com preço competitivo no segmento e entregue bastante, a falta de um sistema híbrido o deixa para trás em competição com os chineses.

Seria interessante também uma central multimídia maior, justamente para acompanhar os rivais. Outro item que pode fazer falta para alguns consumidores é um teto solar, item que já está presente em rivais do mesmo segmento em versões topo de linha.

O preço também poderia ser um pouco menor, uma vez que ele é apenas R$ 1.000 mais barato que o ZR-V e é mais caro que demais modelos do segmento compacto, estando mais próximo de SUVs médios.

Vale a pena?

Honda HR-V 2026
Honda HR-V Touring estreia nova cor vermelha Foto: Divulgação/Honda

O Honda HR-V segue sendo um SUV excelente, porém, a competição no segmento está mais cruel do que nunca. Para muitas pessoas, o HR-V é tudo o que se espera de um carro, e isso é ótimo, mas analisando os rivais e o preço de R$ 214 mil, é possível encontrar coisas melhores, dependendo do que se procura.

Modelos chineses como o Jaecoo 7 Elite oferece bastante tecnologia, mais espaço e conjunto mecânico híbrido por menos de 200 mil. O Leapmotor C10 REEV, tem muito mais espaço por 6 mil reais a mais (R$ 220 mil).

Entre os modelos a combustão, Renault Boreal Iconic (R$ 219.990) fica devendo 21 cv, mas traz teto panorâmico, banco com massagem e som assinado, Creta N-Line (R$ 206.990) também se destaca no segmento.

Além disso, o HR-V ainda possui um preço muito similar a modelos maiores como Ford Territory (R$ 219.900), Volkswagen Taos Highline (R$ 209.990) e o próprio Honda ZR-V (R$ 215.100), mas na competição caseira, o SUV menor é melhor negócio.

Quem pensa em confiabilidade mecânica e valor de mercado na revenda, ou mesmo só não quer um carro chinês, terá no HR-V uma opção excelente, e até mesmo quem pensa no irmão maior (ZR-V) terá no SUV a escolha ideal. Particularmente, nessa faixa de preço, Leapmotor C10 REEV e Renault Boreal me agradam mais, contudo, o HR-V definitivamente estaria no páreo.

A adição de um sistema híbrido, esperado somente para a atualização do modelo em meados de 2028 ou 2029, pode ser definitivamente o que falta para o HR-V dar um salto em tecnologia e consumo e enfrentar os chineses.

O HR–V ainda é excelente, tanto que cresce nas vendas a cada ano. Talvez a versão Touring não seja a ideal - particularmente, prefiro a aspirada EXL -, mas precisa se atualizar rapidamente para não perder espaço para os rivais chineses. A sorte da Honda é que a marca ainda possui muita confiabilidade mecânica e no mercado de seminovos.

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