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Chevrolet Sonic é um Onix melhorado, mas poderia entregar mais

Novo "SUV cupê" usa base e interior do hatchback e quer roubar vendas de Pulse, Tera, Kardian

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Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Os SUVs pequenos estão em alta no mercado brasileiro. Com o sucesso de modelos maiores, as fabricantes tentam produzir modelos menores, e consequentemente mais acessíveis, para conquistar o público que deseja entrar no segmento de carros da moda. É justamente nesse contexto que nasce o Chevrolet Sonic, novo lançamento da marca da gravatinha no Brasil, e que já é considerado um sucesso pela fabricante.

É impossível ver o Sonic e não enxergar o Onix, modelo que marcou a estreia da plataforma GEM (Global Emerging Markets) no Brasil. As portas, por exemplo, são exatamente as mesmas, e embora a Chevrolet tenha feito um ótimo trabalho em dar ao Sonic um visual “próprio”, é impossível não perceber as semelhanças.

Sonic RS e Onix RS
Sonic RS e Onix RS Foto: Mauricio Campelo/Vrum

São justamente as semelhanças que me fizeram usar o termo próprio entre aspas. O Sonic teve seu visual e proporções inspirados no Equinox EV, disponível no Brasil por R$ 349.990. Segundo a Chevrolet, os faróis dianteiros lembram o modelo norte-americano, mas também mostram ligações com o Tracker e a Montana, por exemplo.

A dianteira do Sonic traz faróis em três elementos, com a luzes DRL na parte superior, projetor em LED mais abaixo e luzes de neblina na parte inferior do para-choque. Há uma grade para cada versão, e a gravatinha da Chevrolet ostenta o novo padrão global da marca, sendo o primeiro carro no planeta com o novo desenho.

Na traseira, as lanternas são conectadas e não escondem a semelhança com o Equinox 100% elétrico. Além da inspiração para o desenho e a ligação entre as extremidades, o desenho interno pontilhado evidencia a conexão.

Mesmo na versão Premier, emblemas são todos escurecidos
Mesmo na versão Premier, emblemas são todos escurecidos Foto: Mauricio Campelo/Vrum

A Chevrolet, inclusive, confidenciou aos jornalistas presentes no test-drive que a inspiração no Equinox vai além do visual e rebate ainda nas proporções. No elétrico, o entre-eixos representa 61% do comprimento do carro, enquanto no Sonic, 60%. O balanço dianteiro responde a 19% do tamanho total do Equinox, enquanto no Sonic, 20%. No balanço traseiro, as proporções são invertidas.

Contudo, o Sonic precisa ser comparado com o Onix. Nesse caso, o lançamento é 7 cm maior, justamente por mudanças na parte traseira do veículo. Essas mudanças fazem o Sonic ganhar 89 litros a mais de porta-malas que o hatchback, totalizando 392 litros de capacidade.

Porta-malas do Chevrolet Sonic ganhou aumento relevante de capacidade
Porta-malas do Chevrolet Sonic ganhou aumento relevante de capacidade Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Os modelos são muito similares e o Sonic passa a impressão de ser justamente um ajuste fino do Onix do que um produto totalmente novo. Honestamente, fico dividido nessa questão, já que esperava muito mais da General Motors por ter antecipado tanto o Sonic, e pelo investimento no marketing do modelo.

Contudo, o Onix é um ótimo carro, portanto, uma base mais do que válida para a criação de um produto que, em tese, terá aceitação melhor do mercado, já que é maior e faz parte de um segmento em alta.

O que tem de novo?

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Para além do visual, a Chevrolet confirma que o Sonic traz uma calibração exclusiva de direção e suspensão, pensando justamente dar ao lançamento características próprias em relação à Onix e Tracker.

No trajeto entre o aeroporto de Confins em Belo Horizonte e a cidade de Brumadinho, foi possível testar o novo Chevrolet Sonic em situações cotidianas. Apesar de parecer muito o Onix, o Sonic se diferencia justamente na hora de dirigir. O ângulo de ataque de 18º é superior aos 14º do Onix, e deve ajudar em subidas de rampas.

As respostas da direção são bem diretas, mas segundo a Chevrolet, o Sonic traz uma nova calibração para o conjunto de direção elétrica progressiva, que agora está mais natural e constante. 

Honestamente, seria necessário dirigir os modelos diretamente para notar alguma diferença nesse sentido, mas o Sonic traz direção leve e precisa, tanto na cidade quanto na estrada. 

A principal surpresa fica por conta da suspensão, que está mais macia e suave, mesmo ao passar por buracos e lombadas, até mesmo em velocidade mais alta. Isso é possível graças à calibrações específicas de molas, batentes e aos novos amortecedores com “Multi-Tunable Valve”, uma válvula flexível que permite ajustes para adaptação às diferentes condições de uso.

Sonic Premier aposta em detalhes cromados, enquanto RS traz detalhes escurecidos
Sonic Premier aposta em detalhes cromados, enquanto RS traz detalhes escurecidos Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Chegando em Inhotim (MG), a estrada sinuosa se mostrou ótima para testar a capacidade de curvas do novo Sonic e o SUV compacto não decepcionou, muito pelo contrário. Novamente, usar a plataforma do Onix é algo positivo e a base GEM é rígida e sem muita rolagem de carroceria. Estradas sinuosas são um prazer com o Sonic, seguindo o exemplo do Onix.

Contudo, a experiência de condução poderia ser aprimorada com o uso de borboletas atrás do volante para a troca de marchas. A opção de troca manual é possível apenas por duas teclas na alavanca de câmbio, e é algo contra-intuitivo.

Motorização

Debaixo do capô do Sonic está o já conhecido motor 1.0 turbo de três cilindros da Chevrolet. Sim, o modelo usa a polêmica correia banhada a óleo, mas a variante atualizada, que já conta com a nova fabricante e tem garantia de até 240 mil kms por parte da General Motors.

Correia à parte, o motor turboflex entrega 115 cv de potência em ambos os combustíveis, torque de 18,9 kgfm de torque com etanol ou 18,3 kgfm com gasolina, sempre entre 1.800 e 3.500 giros.

Ao contrário do Onix, o Sonic é oferecido somente com transmissão automática de seis marchas. O funcionamento do conjunto é muito bom, não falta potência nem torque, nem sensação de força para um carro desse porte.

O consumo de combustível é um dos pontos positivos do Sonic. Com etanol, as médias são de 8,4 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada. Com gasolina, são 12,1 km/l na cidade e até 14,8 km/l na estrada.

Durante o teste, entre Brumadinho e Confins, com trânsito intenso em alguns momentos e sempre com o ar-condicionado ligado, a média ficou em 12,5 km/l.

Segurança

Para os consumidores dessa faixa de preço, segurança é um item importantíssimo e o Sonic não fica devendo. São seis airbags (2 frontais, 2 laterais, 2 de cortina), controle de velocidade, controle de distância, alerta de colisão frontal, farol adaptativo, assistente de permanência em faixa e alerta de ponto cego.

Em nosso teste, o sensor de ponto cego se mostrou um pouco “ansioso” e era acionado pela vegetação ao lado da estrada, por exemplo. O alerta de colisão frontal também se mostrou muito ansioso e alertava em situações que não eram necessárias. Claro, segurança nunca é demais, mas pode irritar alguns clientes.

Interior

Chevrolet Sonic Premier
Chevrolet Sonic Premier Foto: Divulgação

A cabine do novo Chevrolet Sonic é praticamente a mesma da utilizada pelo Onix. As saídas de ar são muito parecidas e o conjunto de painel de instrumentos de 8” e multimídia de 11” com conexão sem fio. Os bancos são inteiriços e com acabamento claro na versão Premier e pretos com detalhes vermelhos na RS.

O Sonic é confortável e extremamente familiar para quem já está acostumado com o Onix. Acredito que um interior próprio, ou ao menos com um algum detalhe diferenciado seria muito bem-vindo para o Sonic, até para justificar a troca para quem tem um Onix, por exemplo.

Vale a pena?

O Sonic se mostrou um produto excelente e que já nasceu maduro. Contar com os pontos positivos que o Onix oferece é ótimo, mas eu esperava mais identidade própria no Sonic, especialmente no interior.

Por R$ 135.990, já que a Chevrolet manteve os preços de lançamento, a diferença entre Sonic e Onix RS (R$ 133.390) é bem baixa. Particularmente, eu levaria o Onix para casa, mas quem optar pelo Sonic levará um carro mais confortável e com mais porta-malas.

Vale ressaltar que a versão Premier está sendo vendida por R$ 129.990, preço muito simiular ao de Onix LTZ (R$ 126.190) e Premier (R$ 132.390)

Nessa faixa de preços, o modelo traz melhor porta-malas e experiência de condução que o Fiat Pulse, e é bem similar ao Renault Kardian. Contudo, o Volkswagen Tera é um exemplo de que o Sonic deveria ter se inspirado, onde por mais que o SUV compacto use a plataforma e muitos componentes de Polo, ele consegue ter visual próprio na carroceria e no interior, o que falta ao Sonic.

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