Quando John DeLorean fundou a DeLorean Motor Company, em 1975, a proposta era criar uma fabricante diferente, combinando design, segurança e inovação em um esportivo capaz de mudar a indústria. O resultado foi o DMC-12, lançado em 1981 e desenhado por Giorgetto Giugiaro, com carroceria de aço inoxidável e portas asa de gaivota.
A produção começou em uma fábrica construída em Dunmurry, na Irlanda do Norte, com forte apoio financeiro do governo britânico, que buscava gerar empregos em uma região economicamente fragilizada. Apesar da estrutura, colocar uma nova montadora em funcionamento se mostrou complicado, com atrasos, problemas de qualidade e dificuldades para produzir os carros com eficiência.
O visual do DMC-12 era seu maior destaque, mas o desempenho não acompanhava a aparência de supercarro. O motor 2.8 V6 de cerca de 130 cv entregava números modestos, diferentes do esperado, já que o modelo fazia um 0 a 100 km/h em 9,5s e podia chegar até 209 km/h. Além disso, seu preço elevado para a época dificultava a disputa com outros esportivos já consolidados no mercado.
As vendas também ficaram muito abaixo do necessário para manter a empresa saudável, deixando a DeLorean com muitos carros parados e problemas crescentes de fluxo de caixa. No fim de 1981, cerca de 7.500 unidades haviam sido produzidas, mas apenas aproximadamente 3.000 tinham sido vendidas, agravando a situação financeira da montadora.
Quando foi lançado, o modelo custava cerca de US$ 12.000, fazendo alusão ao nome DMC-12, mas até o final das vendas, em 1983, o carro estaria custando cerca de US$ 34.000. Se forem convertidos para os dias atuais, um DeLorean 0km iria custar cerca de US$ 90.000 (aproximadamente R$ 460.000).
Em 1982, quando a empresa já enfrentava dificuldades severas, John DeLorean foi preso em uma operação do FBI relacionada a um suposto esquema de tráfico de cocaína. Ele acabou absolvido após sua defesa alegar que havia sido vítima de uma armadilha, mas o episódio prejudicou ainda mais sua imagem e a reputação da empresa.
A DeLorean entrou em processo de recuperação judicial em fevereiro de 1982, enquanto o governo britânico anunciou o fechamento da fábrica alguns meses depois. A falência foi declarada em outubro, e a produção do DMC-12 terminou definitivamente em dezembro daquele ano, com aproximadamente 9.000 unidades fabricadas ao longo do projeto.
O mais curioso é que, apenas três anos depois, De Volta para o Futuro transformou o DMC-12 em um dos carros mais conhecidos do mundo. A escolha do modelo para representar uma máquina do tempo combinou perfeitamente com seu visual, fazendo com que um fracasso comercial ganhasse uma nova vida como ícone da cultura pop.
A empresa original desapareceu, mas o nome DeLorean continuou associado ao carro por meio de colecionadores, restaurações e empresas especializadas em peças e manutenção. Décadas depois, uma nova DeLorean Motor Company passou a trabalhar com a marca e apresentou projetos modernos, mostrando que o DMC-12 não salvou a fabricante da falência, mas garantiu um legado que permanece até hoje.
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