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Fiscalização moderna

Radares com IA flagram 2.316 infrações em um mês na entrada de SP

Duas câmeras na Raposo Tavares registraram quase 75 autuações por dia, mas nenhuma delas por excesso de velocidade

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Flagrantes dos novos radares com IA
Flagrantes dos novos radares com IA Foto: Reprodução/@ArterisViaPaulista

Os radares que começam a ganhar espaço nas rodovias paulistas estão deixando de ter a velocidade como único alvo. Na Rodovia Raposo Tavares, duas câmeras equipadas com inteligência artificial produziram 2.316 autuações em apenas um mês, mas nenhuma delas relacionada ao excesso de velocidade.

Os equipamentos estão nos km 17 e 18, no sentido de entrada em São Paulo. O balanço considera as infrações registradas entre 3 de agosto e 3 de setembro de 2026. Na média, foram quase 75 multas por dia, o equivalente a aproximadamente uma autuação a cada 19 minutos.

O levantamento foi feito a partir de dados da Polícia Militar Rodoviária, obtidos pela Folha de S.Paulo. O resultado ajuda a mostrar uma nova frente da fiscalização: em vez de apenas medir o deslocamento do veículo, as câmeras conseguem observar o que acontece dentro da cabine.

O que as câmeras estão encontrando

A maior parte das autuações está relacionada ao cinto de segurança. Foram 1.386 registros, que representam 59,84% do total. Em 779 deles, o próprio motorista estava sem o equipamento. Nos outros 607 casos, a irregularidade envolvia passageiros.

O uso de telefone celular e fones de ouvido aparece na sequência, com 930 autuações, ou 40,16% do total. O levantamento aponta 579 ocorrências envolvendo o manuseio do celular, além de 256 registros de condução com o telefone nas mãos. Também foram contabilizadas 94 autuações relacionadas ao uso do aparelho e uma por utilização de fones.

A diferença entre as infrações também pesa no bolso do motorista. Dirigir segurando ou manuseando o celular é uma infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Já conduzir utilizando fones conectados a aparelho sonoro ou telefone é uma infração média, com R$ 130,16 e quatro pontos.

No caso do cinto, a infração é grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos. A regra vale para todos os ocupantes do veículo, inclusive quem está no banco traseiro, e a responsabilidade pela autuação fica com o condutor.

Um radar que olha para dentro do carro

A diferença para um equipamento convencional está justamente na capacidade de analisar imagens do interior do veículo. O sistema utiliza inteligência artificial para selecionar situações que podem indicar uma infração, inclusive quando o celular é utilizado em uma posição mais difícil de ser percebida por um agente na estrada.

Isso não significa, porém, que o algoritmo tenha autonomia para aplicar a penalidade. As imagens são encaminhadas à Polícia Militar Rodoviária, que faz a análise do registro e decide se há elementos suficientes para confirmar a infração.

Reflexos no para-brisa, partes do corpo encobertas, roupas e a posição dos ocupantes podem interferir na leitura da imagem. Por isso, a tecnologia funciona como uma ferramenta de identificação e triagem, enquanto a decisão sobre a autuação permanece com a autoridade de trânsito.

Tecnologia ainda não enxerga tudo

Embora as câmeras tenham capacidade para registrar detalhes dentro da cabine, o sistema atualmente empregado na Raposo Tavares possui limitações.

Uma criança transportada sem cadeirinha ou assento de elevação, por exemplo, pode aparecer na imagem, mas essa situação ainda não é reconhecida automaticamente pelo software. O mesmo ocorre com pedestres na pista, objetos sobre a rodovia e veículos parados.

Essas funções podem ser incorporadas futuramente com a evolução do sistema e o treinamento do software para reconhecer novos padrões.

De teste a fiscalização efetiva

A implantação começou em março, quando os equipamentos passaram por testes e calibração. Naquela fase, mais de mil possíveis infrações chegaram a ser identificadas em 72 horas, mas os registros ainda não geravam multas.

A mudança ocorreu em 3 de agosto, quando as imagens passaram a ser encaminhadas oficialmente para a Polícia Militar Rodoviária. O resultado do primeiro mês mostra que a tecnologia deixou a fase experimental e já tem impacto direto na fiscalização.

E a tendência é que esse tipo de monitoramento avance para outros trechos. A Rodovia Castello Branco está entre os próximos locais previstos para receber equipamentos, com pontos indicados nos km 27 e 30, em Barueri, e no km 39, em Santana de Parnaíba.

Também há previsão de monitoramento em um trecho mais extenso da rodovia, entre os km 16,1 e 42,88, passando por municípios como Osasco, Barueri, Itapevi, Jandira e Santana de Parnaíba.

O primeiro balanço da Raposo Tavares deixa claro, portanto, que a nova geração de fiscalização não depende apenas de saber a velocidade do carro. Cinto, celular e outras condutas dentro da cabine também podem virar evidência registrada por uma câmera antes mesmo de o motorista perceber que foi observado.

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