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Foram trocados!

Por que os carros flex deixaram de usar o tanquinho de partida a frio?

Presente nos primeiros veículos flex, o pequeno reservatório de gasolina praticamente desapareceu ao longo do tempo

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Tanque de partida a frio
Tanque de partida a frio Foto: Imagem/Divulgação

Durante muitos anos, praticamente todo carro flex vendido no Brasil saía de fábrica equipado com o tradicional tanquinho de partida a frio. Instalado no cofre do motor, o pequeno reservatório armazena gasolina e tinha uma função muito importante nos dias de temperaturas mais baixas. Com a evolução dos motores e da injeção eletrônica, porém, esse componente deixou de ser necessário e hoje está praticamente extinto nos automóveis novos

A necessidade do tanquinho está diretamente ligada a algumas características do etanol. Quando a temperatura ambiente é muito baixa, o combustível encontra maior dificuldade para vaporizar, dificultando a formação da mistura ideal para a combustão. Nessas condições, o sistema utiliza automaticamente a gasolina armazenada no reservatório para facilitar a partida e garantir que o motor funcione normalmente. 

Bomba de etanol em primeiro plano, à direita, com carro prata ao fundo em posto de combustíveis
A Lei do Combustível do Futuro prevê elevar a mistura de etanol na gasolina para até 35% (E35) nos próximos anos Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Apesar de cumprir bem sua função, o sistema sempre exigiu alguns cuidados por parte do motorista. Era preciso manter o reservatório sempre abastecido com gasolina de boa qualidade e substituir o combustível após alguns meses, já que a gasolina envelhecida perdia suas propriedades, podendo comprometer o funcionamento do sistema

Esse cenário começou a mudar com o desenvolvimento dos sistemas de aquecimento do etanol. Em vez de utilizar gasolina auxiliar, os motores mais modernos passaram a contar com pequenas resistências elétricas que aquecem o combustível antes da partida, permitindo que ele vaporize com muito mais facilidade. Todo o processo acontece em poucos segundos e de forma totalmente automática.

Renault Clio 1.0 16V modelo 2013 branco cofre do motor estático no asfalto
Com 80cv quando abastecido com etanol e 77cv com gasolina, o 1.0 16V garante bom desempenho na cidade Foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press

Cada fabricante desenvolveu sua própria solução para eliminar o tanquinho de partida a frio. Volkswagen, Chevrolet, Fiat, Honda, Toyota e outras montadoras passaram a utilizar tecnologias semelhantes, mudando apenas o nome comercial do sistema. Na prática, todas seguem o mesmo princípio, aquecer o etanol para garantir partidas rápidas mesmo em temperaturas mais baixas. 

Além de tornar o funcionamento mais eficiente, essa mudança também reduziu a necessidade de manutenção. Como não existe mais um reservatório separado para gasolina, o motorista deixa de se preocupar com combustível vencido, vazamentos, entupimentos e outros problemas relativamente comuns nos primeiros carros flex. 

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Sem energia elétrica, até mesmo abastecer carros a combustão se torna impossível em caso de apagão generalizado. Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Embora os carros atuais praticamente não utilizem mais esse recurso, milhares de veículos antigos ainda circulam com o tradicional tanquinho de partida a frio. Nesses casos, a recomendação continua sendo manter o reservatório abastecido e trocar a gasolina periodicamente, evitando falhas justamente quando o sistema for mais necessário.