Durante muitos anos, praticamente todo carro flex vendido no Brasil saía de fábrica equipado com o tradicional tanquinho de partida a frio. Instalado no cofre do motor, o pequeno reservatório armazena gasolina e tinha uma função muito importante nos dias de temperaturas mais baixas. Com a evolução dos motores e da injeção eletrônica, porém, esse componente deixou de ser necessário e hoje está praticamente extinto nos automóveis novos.
A necessidade do tanquinho está diretamente ligada a algumas características do etanol. Quando a temperatura ambiente é muito baixa, o combustível encontra maior dificuldade para vaporizar, dificultando a formação da mistura ideal para a combustão. Nessas condições, o sistema utiliza automaticamente a gasolina armazenada no reservatório para facilitar a partida e garantir que o motor funcione normalmente.
Apesar de cumprir bem sua função, o sistema sempre exigiu alguns cuidados por parte do motorista. Era preciso manter o reservatório sempre abastecido com gasolina de boa qualidade e substituir o combustível após alguns meses, já que a gasolina envelhecida perdia suas propriedades, podendo comprometer o funcionamento do sistema.
Esse cenário começou a mudar com o desenvolvimento dos sistemas de aquecimento do etanol. Em vez de utilizar gasolina auxiliar, os motores mais modernos passaram a contar com pequenas resistências elétricas que aquecem o combustível antes da partida, permitindo que ele vaporize com muito mais facilidade. Todo o processo acontece em poucos segundos e de forma totalmente automática.
Cada fabricante desenvolveu sua própria solução para eliminar o tanquinho de partida a frio. Volkswagen, Chevrolet, Fiat, Honda, Toyota e outras montadoras passaram a utilizar tecnologias semelhantes, mudando apenas o nome comercial do sistema. Na prática, todas seguem o mesmo princípio, aquecer o etanol para garantir partidas rápidas mesmo em temperaturas mais baixas.
Além de tornar o funcionamento mais eficiente, essa mudança também reduziu a necessidade de manutenção. Como não existe mais um reservatório separado para gasolina, o motorista deixa de se preocupar com combustível vencido, vazamentos, entupimentos e outros problemas relativamente comuns nos primeiros carros flex.
Embora os carros atuais praticamente não utilizem mais esse recurso, milhares de veículos antigos ainda circulam com o tradicional tanquinho de partida a frio. Nesses casos, a recomendação continua sendo manter o reservatório abastecido e trocar a gasolina periodicamente, evitando falhas justamente quando o sistema for mais necessário.
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