x
UAI
Segurança

Chuva forte na rodovia: riscos que todo motorista precisa saber enfrentar

Com a previsão de temporais mais frequentes em parte do Brasil sob influência do El Niño, conhecer o comportamento do veículo na chuva pode ser decisivo para evitar acidentes

Publicidade
Trafegar com a pista molhada exige atenção redobrada
Trafegar com a pista molhada exige atenção redobrada Foto: Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão

A chuva sempre exige atenção ao volante, mas os temporais que atingem rodovias apresentam desafios que vão muito além da redução da visibilidade. Em poucos minutos, uma pista segura pode se transformar em um cenário de risco, com acúmulo de água, perda de aderência, congestionamentos e até interdições causadas por alagamentos ou deslizamentos.

O cenário ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de chuvas acima da média em determinadas regiões do país sob influência do El Niño, fenômeno climático que altera os padrões atmosféricos e pode favorecer eventos meteorológicos mais intensos.

Para quem pega a estrada com frequência e, principalmente, para os que a utilizam esporadicamente, entender como o veículo reage nessas condições é tão importante quanto respeitar os limites de velocidade. Confira algumas situações críticas que merecem atenção especial.

Aquaplanagem pode acontecer sem que a pista esteja alagada

Muitos motoristas associam a aquaplanagem a grandes volumes de água sobre o asfalto. Na prática, o fenômeno pode ocorrer mesmo quando a lâmina de água parece pequena.

Isso acontece quando os pneus não conseguem escoar a água com rapidez suficiente e perdem contato com o solo. O veículo passa a "flutuar" sobre a pista, reduzindo drasticamente a capacidade de direção e frenagem.

Ao perceber que o volante ficou mais leve ou que o carro não responde normalmente aos comandos, a recomendação é retirar o pé do acelerador gradualmente, manter o volante alinhado e evitar movimentos bruscos. Frear com força nesse momento pode agravar a perda de controle.

O risco aumenta conforme a velocidade cresce. Em pista molhada, o espaço necessário para parar o veículo também é maior, reduzindo a margem de reação diante de obstáculos ou mudanças repentinas nas condições da estrada.

O acostamento nem sempre é um refúgio seguro

Quando a chuva fica intensa a ponto de prejudicar a visão da pista, muitos condutores procuram abrigo imediato no acostamento. Embora pareça uma decisão lógica, ela pode aumentar os riscos.

Em condições de baixa visibilidade, outros motoristas podem não perceber um veículo parado a tempo de desviar ou frear. O ideal é procurar postos de combustível, áreas de descanso ou outros locais fora da faixa de rolamento e do acostamento.

Além disso, manter os faróis baixos acesos durante toda a viagem ajuda a tornar o veículo mais visível. O uso do farol alto durante chuva forte ou neblina não é recomendado, pois a luz refletida pelas gotas de água pode prejudicar ainda mais a visão do motorista.

Ultrapassagens exigem ainda mais cautela

Caminhões e ônibus levantam grandes volumes de água durante temporais. Ao iniciar uma ultrapassagem, o motorista pode ser surpreendido por uma espécie de cortina d'água que reduz quase completamente a visibilidade por alguns segundos.

Nessas condições, é importante aumentar a distância de segurança e evitar manobras apressadas. Se não houver plena visibilidade da pista à frente, o mais prudente é aguardar uma condição mais favorável.

Nem toda poça revela o que existe por baixo

Áreas com água acumulada escondem riscos que nem sempre são visíveis. Buracos, desníveis, objetos na pista e até erosões podem ficar completamente encobertos.

Além dos danos à suspensão e aos pneus, passar por esses trechos em velocidade elevada pode provocar perda de controle do veículo. Sempre que houver dúvida sobre a profundidade da água, a melhor escolha é reduzir a velocidade ou buscar uma rota alternativa.

Se o motor apagar em um alagamento, não tente ligar novamente

Essa é uma das orientações mais importantes para evitar prejuízos mecânicos severos.

Quando um veículo atravessa uma área alagada, existe o risco de entrada de água pelo sistema de admissão do motor. Caso o motor apague durante a travessia, insistir na partida pode provocar o chamado calço hidráulico, situação em que a água impede o movimento normal dos pistões e pode causar a quebra total do motor.

Nesses casos, o mais indicado é acionar assistência especializada antes de qualquer tentativa de religar o veículo.

Pneus em mau estado aumentam todos os riscos da chuva

Muitos motoristas acreditam que sistemas como controle de estabilidade, controle de tração e tração integral são suficientes para enfrentar qualquer condição climática. No entanto, nenhum recurso eletrônico consegue compensar pneus desgastados.

São eles os responsáveis por manter o contato entre o veículo e o asfalto. Sulcos rasos reduzem a capacidade de drenagem da água e favorecem a aquaplanagem, além de aumentar a distância de frenagem.

Antes de uma viagem em período chuvoso, vale a pena verificar o estado dos pneus e a calibragem recomendada pelo fabricante.

A segurança começa antes de sair de casa

Os riscos provocados pela chuva podem ser potencializados por problemas mecânicos que passariam despercebidos em condições normais de uso. Falhas nos freios, pneus em más condições, limpadores de para-brisa desgastados e panes elétricas podem comprometer a segurança justamente quando o motorista mais precisa do veículo.

Antes de pegar a estrada, é recomendável verificar itens como freios, suspensão, bateria, sistema elétrico, nível de óleo, fluido do radiador, reservatório do limpador de para-brisa e as condições dos pneus, incluindo o estepe.

Orientações semelhantes também são reforçadas por concessionárias responsáveis por importantes trechos rodoviários. A Ecovias Noroeste Paulista, por exemplo, recomenda não só atenção redobrada durante temporais, destacando a importância da redução da velocidade e da distância segura entre veículos, mas também a própria manutenção preventiva, que, quando negligenciada, aumenta as probabilidades de acidentes.

Prudência continua sendo o principal item de segurança

Com a possibilidade de eventos climáticos mais severos associados ao El Niño em algumas regiões do Brasil, os motoristas devem estar preparados para enfrentar mudanças repentinas nas condições da estrada.

Embora a tecnologia embarcada contribua para a segurança dos veículos atuais, a proteção dos ocupantes continua dependendo da capacidade de adaptação do condutor. Reduzir a velocidade, manter distância segura, evitar manobras bruscas e reconhecer situações de risco continuam sendo as medidas mais eficazes para atravessar um temporal sem transformar a viagem em um problema.