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Tarifa de 35%

Imposto sobre elétricos é antecipado e pressiona modelos importados

Decisão antecipa a aplicação da tarifa máxima para kits desmontados e afeta a estratégia das montadoras

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Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP)
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) Foto: Divulgação/GWM

A política tarifária para veículos eletrificados no Brasil entrou em uma nova etapa com o fim da isenção temporária para kits desmontados e a antecipação do cronograma que leva o imposto de importação ao teto de 35%. A medida mantém o planejamento definido pelo governo desde 2023, mas reforça a transição do mercado de elétricos de um modelo baseado em importações para uma lógica mais industrial.

A partir de 2026, kits do tipo SKD e CKD voltam a ser tributados dentro de uma escala progressiva. As alíquotas atuais já estão em níveis intermediários, entre 16% e 18%, e seguem aumentando até alcançar 35% em janeiro de 2027. Para veículos elétricos e híbridos plug-in importados prontos, a tarifa máxima será aplicada antes, a partir de julho de 2026.

O cronograma de retomada do imposto começou a ser desenhado em 2023, quando o governo decidiu encerrar o período de tarifa zero que vigorou por vários anos. Naquele momento, a previsão era que os kits desmontados só chegassem a alíquota cheia em 2028. A antecipação desse prazo em cerca de 18 meses foi definida pela Câmara de Comércio Exterior em julho de 2025.

Na mesma decisão, foi criada uma cota temporária de importação com imposto zero para SKD e CKD, estimada em aproximadamente 463 milhões de dólares. O mecanismo funcionou como transição para montadoras em fase inicial de produção no país, mas perdeu validade no início de 2026 e não foi renovado.

O avanço das marcas chinesas no mercado brasileiro está no centro do debate. A ampliação da oferta de elétricos reacendeu a discussão sobre o equilíbrio entre abertura comercial e proteção da cadeia automotiva local, influenciando diretamente as estratégias das fabricantes.

A BYD acelera o processo de nacionalização da fábrica de Camaçari, na Bahia, com planos de incorporar etapas industriais mais completas a partir do segundo semestre de 2026. A GWM, após assumir a planta de Iracemápolis, em São Paulo, trabalha na ampliação de sua presença no país e avalia a instalação de uma segunda unidade produtiva.

Na prática, o setor passa a conviver com dois momentos distintos. Em 2026, a pressão recai sobre veículos totalmente importados. Em 2027, o impacto atinge modelos com alto conteúdo importado, favorecendo projetos com produção local, escala e integração à cadeia nacional de fornecedores.