O mercado automotivo brasileiro começou 2026 exatamente do jeito que vinha sendo projetado: sem aceleração. Em janeiro, foram emplacados 161.803 veículos leves, número que até cresce 1,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, mas despenca quando o parâmetro passa a ser dezembro. A queda de 38,9% escancara que o fim do ano passado foi muito mais sustentado por campanha, estoque e venda direta do que por uma demanda sólida.
Com 21 dias úteis, janeiro entregou um retrato mais honesto do setor. A média diária ficou em torno de 7,7 mil carros, levemente acima da de um ano antes, mas longe de qualquer leitura otimista. O mercado segue operando no limite do possível, com consumidor cauteloso, crédito pressionado e pouca margem para erro.
O retrato do mês
| Indicador | Janeiro/26 |
|---|---|
| Emplacamentos | 161.803 |
| Variação vs. jan/25 | +1,4% |
| Variação vs. dez/25 | -38,9% |
| Dias úteis | 21 |
| Média diária | ~7,7 mil |
A venda direta perdeu força depois de dominar dezembro, enquanto o varejo caiu menos, ainda que não tenha conseguido crescer na comparação anual. O resultado é um mercado menos artificial, mas também mais exposto à realidade do consumo pessoa física, que segue seletivo.
Entre as montadoras, a Fiat continua em outro patamar. A marca manteve volume, participação e distância confortável para as rivais. A Volkswagen sentiu o ajuste do mês e perdeu share, enquanto a BYD deixou de vez o papel de coadjuvante: a chinesa já opera próxima das marcas tradicionais e começa 2026 com escala, presença e constância.
Top 10 marcas – janeiro de 2026
| Marca | Emplacamentos | Participação |
|---|---|---|
| Fiat | 34.247 | 21,2% |
| VW | 25.736 | 15,9% |
| GM | 16.162 | 10,0% |
| Hyundai | 10.209 | 6,3% |
| BYD | 9.802 | 6,1% |
| Toyota | 9.542 | 5,9% |
| Jeep | 8.895 | 5,5% |
| Renault | 7.626 | 4,7% |
| Honda | 6.722 | 4,2% |
| Nissan | 4.559 | 2,8% |
No ranking de modelos, a Fiat Strada segue soberana, cumprindo seu papel de produto coringa do mercado brasileiro. Logo atrás, o desenho é claro: os SUVs compactos são hoje a espinha dorsal do setor. T-Cross, Tracker, Compass e Creta não apenas vendem bem, são eles que sustentam volume, margem e posicionamento das marcas.
Top 10 modelos – janeiro de 2026
| Modelo | Emplacamentos |
|---|---|
| Fiat Strada | 10.540 |
| VW T-Cross | 5.741 |
| Fiat Argo | 5.178 |
| VW Tera | 4.992 |
| Chevrolet Onix | 4.948 |
| Chevrolet Tracker | 4.532 |
| Jeep Compass | 4.505 |
| Hyundai Creta | 4.430 |
| Toyota Hilux | 4.110 |
| Fiat Toro | 4.094 |
O avanço dos SUVs não é pontual, é estrutural. Em janeiro, eles já responderam por 40,3% do mercado, enquanto os sedãs encolheram para apenas 7,7%. Hatchbacks seguem relativamente estáveis, e as picapes mostram sinais mistos, dependendo do segmento.
Mix por segmento – janeiro de 2026
| Segmento | Participação |
|---|---|
| SUV | 40,3% |
| Hatchback | 19,3% |
| Sedã | 7,7% |
| Crossover | 8,9% |
| Picapes | 19,6% |
| Comerciais leves | 2,3% |
Os eletrificados também continuam ganhando espaço, mesmo com a queda natural frente a dezembro. Em janeiro, eles responderam por 16,3% dos emplacamentos, número bem acima do registrado um ano antes. Mais uma vez, as marcas chinesas puxam esse crescimento, enquanto as tradicionais avançam de forma mais gradual.
No fim, janeiro não assusta, mas também não empolga. É um mês que confirma o tom de 2026: crescimento curto, mercado mais racional e disputa cada vez mais baseada em produto, estratégia e execução, não em volume fácil.
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