Imagine pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) com base no peso do seu carro, e não no valor de mercado. É o que propõe uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão no Congresso Nacional. A medida pode inverter a lógica do imposto e tornar o tributo de carros populares mais barato, enquanto modelos de luxo, SUVs e elétricos pagariam mais caro.
A ideia central é que veículos mais pesados causam maior desgaste ao asfalto e, por isso, deveriam contribuir mais para a manutenção das vias. Atualmente, o cálculo do IPVA é um percentual que varia entre os estados, aplicado sobre o valor venal do veículo, definido pela Tabela Fipe. Se a proposta for aprovada, o peso em ordem de marcha passaria a ser a nova base de cálculo.
A PEC estabelece que o cálculo do IPVA seria baseado exclusivamente no peso de fábrica do veículo. No entanto, o projeto também fixa um teto: o valor final do imposto não poderia ultrapassar 1% do valor venal do carro, servindo como um limite. A troca de critério do valor para o peso é o que gera as maiores discussões e muda o jogo para diferentes categorias de veículos.
Quem ganha e quem perde com a mudança
Os principais beneficiados seriam os carros leves e de entrada. Com a nova regra baseada no peso, modelos como Renault Kwid (cerca de 820 kg), Fiat Mobi e Chevrolet Onix pagariam valores proporcionalmente menores, representando um alívio no bolso de quem tem carro popular.
Por outro lado, donos de SUVs e carros de luxo, principalmente os elétricos e híbridos, seriam os mais impactados. Esses modelos são muito pesados e, com o cálculo baseado exclusivamente no peso, o imposto seria proporcionalmente maior. Mesmo com o teto de 1% sobre o valor venal, a tendência é que muitos paguem um tributo mais alto do que no sistema atual.
Um exemplo claro é o do BYD Seal, sedã elétrico que custa acima de R$ 290 mil e pesa 2.150 kg. Com a nova regra, seu imposto seria calculado com base no peso elevado, resultando em um valor potencialmente maior. O mesmo vale para SUVs a combustão, como o Jeep Compass, que pesa mais de 1.500 kg.
O teto de 1% do valor venal poderia limitar o aumento para alguns modelos, mas a tendência geral é de um imposto mais caro para os veículos mais pesados.
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