x
UAI
Vale a pena?

Avaliação: Honda City é tudo que se espera de um automóvel e de um Honda

Sedã compacto cobra caro e não empolga em desempenho, mas conquista em outros aspectos

Publicidade
Honda City Touring
Honda City Touring Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Quando se fala em automóvel, dificilmente alguém pensa em um Honda City, porém, o modelo oferecido em carroceria sedã e hatchback da Honda é tudo que se espera de um carro: Confiável, previsível e com poucos defeitos, o modelo é representante de um segmento cada vez mais fraco, mas que ainda resiste aos SUVs. Confira as impressões ao rodar na avaliação abaixo:

Visual sóbrio

As linhas do Honda City dificilmente conquistam os potenciais compradores. O visual é extremamente sóbrio, muito longe de atrair olhares, mas o melhor já apresentado pelo City na história até então. As linhas são próximas às do modelo lançado em 2021, salvo pequenas mudanças na grade dianteira, para-choques e rodas.

Honda City Touring
Honda City Touring conta com faróis em LED que garantem iluminação excelente Foto: Mauricio Campelo/Vrum

As linhas gerais mostram uma certa conexão com o irmão maior Civic, especialmente os faróis dianteiros horizontais e afilados. Na versão topo de linha Touring, a iluminação é em LED e tem um desenho interno diferenciado.

Interior “sabor” Civic

Honda City Touring
Interior do Honda City Touring é bastante agradável, mas os materiais são simples e parecem mais luxuosos do que são Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Ao entrar na cabine do City, foi impossível não lembrar do interior do Civic. Propositalmente ou não, os detalhes revestidos com couro branco, a manopla do câmbio e o desenho do painel de instrumentos fazem a memória buscar o irmão maior do City, mas também outros modelos com HR-V e ZR-V, porém, o melhor (e mais marcante) é justamente o Civic.

Talvez, a ideia tenha sido justamente dar um gostinho do Civic para quem não pode pagar quase duas vezes o valor do City ou não se interessa por um sedã híbrido, apesar do Civic "justificar" o valor a mais, como pode ser lido na avaliação do modelo.

A versão touring traz bancos em couro branco, mas na opção EXL o couro é de cor escura, multimídia de 8” com conexão sem fio com smartphones e painel de instrumentos parcialmente digital de 7 polegadas. São itens já vistos no HR-V, por exemplo, mas ornam bem com a proposta do modelo.

Honda City
Carregador de celular sem fio fica posicionado abaixo do apoio de braço Foto: Luiz Forelli/Vrum

Entre outros itens de conforto estão ar-condicionado digital de duas zonas, retrovisor fotocrômico, carregador de celular sem fio, vidros elétricos e seta com função um toque, faróis com acendimento automático, chave presencial com partida por botão.

Segurança em primeiro lugar

Um dos pontos altos do Honda City é justamente o pacote de segurança Honda Sensing, disponível desde a versão EX. Esse pacote conta com ACC, frenagem automática de emergência, auxiliar de permanência em faixa, farol alto automático. Desde a versão LX, o City traz freios ABS com distribuição eletrônica, controles de estabilidade e tração, seis airbags (frontais, laterais e de cortina), câmera de ré.

Dimensões e espaço interno

Honda City Touring
Honda City Sedan não decepciona em porta-malas, porém, alças podem atrapalhar o uso Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Medindo 4,57 m de comprimento, sendo 2,6 m de entre-eixos, 1,47 m de altura e 1,74 m de largura, o Honda City traz dimensões ótimas para um compacto. É o maior do segmento em comprimento, mas perde em entre-eixos para VW Virtus e Nissan Versa. O porta-malas traz 519 litros e perde apenas para os 521 do Volks. O lado “ruim” do bagageiro do City está na configuração pescoço de ganso, que reduz um pouco o espaço para acomodar malas.

Motor

Honda City
Motor 1.5 aspirado do Honda City não empolga, mas também está longe de ser ruim; transmissão CVT é ame ou odeie Foto: Luiz Forelli/Vrum

Debaixo do capô o City ostenta o já conhecido 1.5 aspirado de quatro cilindros com injeção direta. O propulsor entrega 126 cv tanto com gasolina quanto etanol. O torque é de 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm com gasolina, sempre a 4.600 giros.

O desempenho não empolga, mas quem busca baixo consumo de combustível, terá no City um excelente companheiro. As médias divulgadas pela Honda são de 9,3 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada com etanol, e com gasolina as médias sobem para 12,8 km/l na cidade e 15,5 km/l na estrada.

Em nossos testes usando gasolina, não foi difícil atingir médias de 10 km/l na cidade, sempre com ar condicionado no máximo, enquanto a média rodovia ficou entre 16 km/l, chegando até a superar a marca dos 17 km/l.

Como é usar o Honda City no Dia a Dia?

Honda City Touring na cor Cinza Basalto Metálico fotografado no Rio de Janeiro
Honda City Touring na cor Cinza Basalto Metálico; a partir da versão EX, as rodas possuem o mesmo desenho e acabamento Foto: Mauricio Campelo/Vrum

O Honda City é um carro previsível. Todos os comandos possuem acesso fácil e simples de se acostumar, mesmo para quem nunca dirigiu um Honda. Ao entrar, é notório o conforto e a sensação de requinte foi melhorada em relação às gerações anteriores do City, mas não se esqueça, ainda é um carro simples com bastante plástico.

Peças como o apoio de braço passam a impressão de ter um revestimento macio, mas apesar do couro branco, a maciez ao tocar passa bem longe.

Em rodovias, o acionamento dos assistentes é um dos mais fáceis e eficientes disponíveis no mercado e é bem tranquilo definir a velocidade base para o controle de cruzeiro adaptativo. Porém, esteja próximo da velocidade definida, caso contrário o motor irá gritar bastante.

Honda City
Volante é revestido em couro e traz comandos do Honda Sensing no lado esquerdo; luz vermelha do botão de partida pode incomodar à noite Foto: Luiz Forelli/Vrum

Por falar no motor, não espere um desempenho ótimo, e se você não gosta de um motor ruidoso, nem cogite o City. Em uso normal, o motor é bem silencioso, mas se precisar reduzir marchas e subir o giro para realizar uma ultrapassagem, a transmissão CVT manterá o giro bem alto.

Esse pode ser até o principal ponto negativo do City, mas sendo sincero, ele é um carro que em momento algum te provoca para uma condução mais veloz ou com o giro alto, muito pelo contrário. O sedã parece incentivar o motorista a prever situações no trânsito e acelerar gradativamente para aumentar velocidade ou reduzir. Um grande incentivo para isso é justamente ver o medidor de consumo de combustível com números cada vez melhores.

Ao longo de uma semana, o que mais me incomodou foi a baixa altura em relação ao solo. A Honda não divulga esses números oficialmente, mas com dois ocupantes o City já raspa em algumas lombadas mais altas. Com três ocupantes no banco traseiro, é possível notar que o carro está signficativamente mais baixo que o normal.

Honda City Touring
Honda City Touring é um carro baixo, especialmente quando carregado Foto: Mauricio Campelo/Vrum

O fato do carro raspar, inclusive, é algo comum no City desde a primeira geração que chegou ao Brasil. Já pude dirigir e andei de passageiro em modelos antigos e esse problema estava até mais presente, inclusive. Outro ponto que vale mencionar é a evolução em termos de qualidade percebida, o modelo atual evoluiu muito e parece mais “premium”.

Honda City Touring
Honda City Touring Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Outro ponto que notei é a suspensão. Para superar ondulações na estrada, por exemplo, os amortecedores são suaves, mas para enfrentar buracos, a resposta é bem rígida. Nada que incomode, afinal, é um projeto pensado e desenvolvido para países emergentes, mas um pouco mais de maciez seria bem-vindo e aproximaria o City do que um dia foi o Civic, que hoje é bem mais caro e não compete mais com o modelo menor.

Honda City
Multimídia tem apenas 8 polegadas, mas tem funcionamento rápido e simples, sendo melhor até que a do HR-V Foto: Luiz Forelli/Vrum

Quem quer se livrar do incômodo, pode pensar em modelos mais altos como o WR-V e o HR-V, que trazem o mesmo motor, mas perdem em eficiência energética por questões aerodinâmicas.

No fim das contas, o Honda City é um carro para quem pensa em preservar o dinheiro, já que segura muito valor no mercado de seminovos, e também possui um consumo de combustível bem baixo. Não sei, porém, se a versão Touring, que parte de R$ 152.700 seja o melhor negócio.

Honda City Touring
Honda City Touring Foto: Mauricio Campelo/Vrum

Particularmente, eu levaria para casa a versão EX, de R$ 136.800, que perde itens como bancos em couro, a câmera no retrovisor do lado direito e sensores de estacionamento.

Apesar dos incômodos, o City é talvez a melhor opção do mercado na casa dos 150 mil, especialmente para quem quer fugir dos motores turbinados, que são mais empolgantes, mas podem apresentar manutenção mais cara.