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Teste em pista!

Primeiras impressões: como andam os novos Jetour S06, T1 e T2

Testamos os três SUVs eletrificados da marca no Autódromo Velocittà, em pista e no off-road, para entender as diferenças entre S06, T1 e T2 na prática

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Jetour T2
Jetour T2 Foto: Divulgação

Com o lançamento da nova linha da Jetour no Brasil, a marca levou a imprensa até o Velocittà, em Mogi Guaçu (SP), para um primeiro contato bem fora do padrão. Não foi só volta rápida em pista: teve aceleração forte, curva de alta e até trecho off-road para entender na prática o que cada modelo entrega. E isso já mostra um pouco da confiança da fabricante no próprio produto, afinal, não é toda marca que coloca carro recém-chegado para apanhar em autódromo logo de cara.

Jetour S06

Começando pelo S06, o modelo de entrada chega em duas versões, partindo de R$ 199.900 e R$ 229.900. As diferenças ficam mais na lista de equipamentos — pacote ADAS mais completo, rodas maiores e teto solar panorâmico — porque dinamicamente são praticamente iguais. Logo nas primeiras voltas, o que mais chama atenção é a direção bem leve. Para o uso urbano isso deve agradar bastante, facilita manobras e deixa o carro fácil no dia a dia, mas em pista passa uma sensação de menos firmeza do que o esperado.

Jetour S06 Premium
Jetour S06 Premium Foto: Divulgação

O conjunto híbrido plug-in entrega 315 cv e 52 kgfm de torque e empurra o SUV com vontade nas retas do circuito. No fim da reta principal do Velocittà, ele chega perto dos 160 km/h antes de uma freada mais forte, e aí aparece um ponto positivo: mesmo sendo um SUV eletrificado e familiar, o S06 aguenta bem o uso mais severo.

Jetour S06 Premium
Jetour S06 Premium Foto: Divulgação

A carroceria torce pouco, a rigidez estrutural é evidente e a rolagem lateral é bem controlada, principalmente em curvas de alta. O 0 a 100 km/h na casa dos 8 segundos ajuda a dar uma sensação de agilidade, ainda que o peso das baterias esteja ali influenciando. Não é um carro esportivo, nem tenta ser, mas surpreende pela estabilidade e pela segurança quando exigido além do comum.

Jetour T1

Quem muda bastante o clima da linha é o T1. Aqui a proposta já puxa para o lado aventureiro que a Jetour quer construir no Brasil. O visual é mais quadrado, com proporções robustas e aquela leitura mais “boxy”, lembrando SUVs clássicos e reforçando a ideia de um carro pronto para sair do asfalto.

Em pista, dá para perceber que a dinâmica muda por causa da suspensão com curso maior e da carroceria mais alta. O centro de gravidade sobe, a rolagem aparece um pouco mais nas curvas, mas nada fora do esperado dentro da proposta.

Jetour T1
Jetour T1 Foto: Divulgação

A direção também tem outro acerto, mais firme do que a do S06, transmitindo mais confiança quando o ritmo aumenta. Mesmo com os mesmos 315 cv e 52 kgfm do conjunto híbrido, o T1 parece priorizar mais o motor a combustão quando você exige o acelerador, entregando respostas mais lineares, algo que faz sentido pensando em uso fora de estrada, onde constância de força conta mais do que silêncio do modo elétrico.

E já que a proposta é essa, o T1 também foi para o off-road do Velocittà. Lá ele encaroou subidas, terra e alguns obstáculos sem grandes sustos, ainda que “aos trancos e barrancos”. A ausência de uma versão 4x4 acaba sendo o principal ponto fraco do modelo.

Jetour T1
Jetour T1 Foto: Divulgação

A tração dianteira dá conta do recado dentro das limitações, não é um desbravador de trilhas pesadas, mas também não passa vergonha. Exige mais participação do motorista, pede mais leitura de terreno e não é o tipo de carro para simplesmente acelerar e esperar que resolva tudo sozinho. Em compensação, os ângulos de ataque e saída são bons e evitam raspadas em rampas e descidas.

Jetour T2

Fechando a linha vem o T2, que segue a mesma pegada aventureira do T1, mas com alguns ajustes que o deixam um pouco mais preparado quando o terreno complica. Em tamanho e entre-eixos eles são bem próximos, mas o T2 traz um conjunto híbrido diferente, com dois motores elétricos combinados ao 1.5 turbo. O resultado são 320 cv e cerca de 62 kgfm de torque — cinco cavalos e um ganho interessante de força em relação ao irmão menor.

A própria Jetour já confirmou que uma versão 4x4 chega em 2026, algo que deve corrigir justamente o principal ponto fraco dessa nova família.

Jetour T2
Jetour T2 Foto: Divulgação

Na pista, o comportamento é parecido com o do T1. O centro de gravidade mais alto aparece nas transferências de peso, mas o carro continua previsível e fácil de entender. A sensação, porém, é que o T2 tenta rodar o máximo possível em modo elétrico, priorizando silêncio e suavidade sempre que dá. A rigidez estrutural segue como destaque, com carroceria firme e comportamento consistente mesmo em curvas mais rápidas.

É fora do asfalto que o T2 realmente se diferencia. O torque extra faz diferença nas subidas mais íngremes do circuito off-road, especialmente em trechos com terra solta e barro. Ele sobe com mais facilidade, desce com mais controle e ainda conta com ângulos de ataque e saída ligeiramente maiores que os do T1, o que ajuda bastante nas transições mais inclinadas. Ainda não é um 4x4 raiz, algo que deve mudar com a versão futura, mas dentro das limitações da tração 4x2 é o que mais passa sensação de preparo para esse tipo de uso.

Veredicto

No fim desse primeiro contato, a impressão que fica é que a Jetour chega com propostas bem definidas dentro da própria linha. O S06 é mais urbano e tecnológico, enquanto T1 e T2 apostam na imagem aventureira que a marca quer construir por aqui. Falta ainda a tração integral para fechar o pacote e entregar exatamente o que o visual promete, mas como estreia, a linha mostra um acerto dinâmico melhor do que muita gente poderia esperar antes de colocar as mãos no volante.