A Honda apresentou em Brasília o CR-V movido a hidrogênio, uma versão do SUV que troca o motor a gasolina por um sistema elétrico alimentado por gás. A tecnologia usa uma célula de combustível para gerar eletricidade em tempo real, a partir da reação entre o hidrogênio e o oxigênio do ar.
O resultado é um veículo que se move sem emitir poluentes, liberando apenas vapor d’água pelo escapamento. A iniciativa da marca japonesa permitiu conhecer na prática não só o carro, mas também como funciona todo o ecossistema por trás dessa alternativa para o futuro da mobilidade.
Como o hidrogênio verde é produzido?
Tudo começa na produção do chamado hidrogênio verde. Em uma planta industrial da Neoenergia em Brasília, o processo usa energia renovável, principalmente solar, para garantir que toda a cadeia seja limpa desde o início, sem gerar emissões de carbono.
A água usada como matéria-prima passa por um processo de purificação antes de seguir para a eletrólise. Nesta etapa, uma corrente elétrica de alta intensidade separa as moléculas de H2O, isolando o hidrogênio do oxigênio. O gás é então capturado e armazenado em tanques industriais de altíssima pressão, pronto para abastecer o veículo.
Como o CR-V a hidrogênio funciona na prática?
No CR-V, o hidrogênio armazenado em tanques reage com o oxigênio do ar dentro da célula de combustível. Essa reação química gera a eletricidade que alimenta o motor elétrico e também carrega a bateria. Os tanques, que operam com pressão de 700 bar, ficam no assoalho e na traseira do carro, de forma parecida com um kit GNV.
Com cerca de 4 kg de hidrogênio, a autonomia do SUV chega a 420 quilômetros. O motor entrega 174 cavalos de potência, desempenho similar ao de outros SUVs elétricos e híbridos da categoria. O abastecimento é outro diferencial: realizado em postos específicos, o processo leva apenas cinco minutos, tempo muito próximo ao de um carro a combustão.
Ao volante, a experiência é silenciosa e suave, como a de um carro elétrico. O torque é instantâneo e não há vibrações, apenas um leve ruído do sistema de ar que alimenta a célula de combustível. Visualmente, o modelo é praticamente idêntico à versão híbrida já conhecida no mercado.
A iniciativa da Honda mostra que a tecnologia já é viável, mas ainda enfrenta desafios importantes, como o alto custo de produção e a falta de uma ampla rede de abastecimento. Ainda assim, o carro a hidrogênio surge como uma alternativa interessante aos elétricos a bateria, provando que o futuro da mobilidade pode ter mais de um caminho para ser limpo e eficiente.
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