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Quase 17% dos veículos emplacados em 2026 no Brasil são eletrificados

Produção nacional de eletrificados surpreende com recorde de 35%

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Eletrificação pode ser um passo importante para a descarbonização
Eletrificação pode ser um passo importante para a descarbonização Foto: Internet / Reprodução

O início de 2026 revela um cenário de contrastes para a indústria automotiva brasileira.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os emplacamentos de eletrificados atingiram 16,8% do total, com 35% de híbridos produzidos no Brasil, um recorde histórico.

“Esse resultado reforça a importância da produção local no processo de transição tecnológica e indica uma trajetória de crescimento ao longo de 2026”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Em janeiro, foram licenciados 170,5 mil veículos no país, volume praticamente estável (-0,4%) em relação ao mesmo mês de 2025, mesmo com um dia útil a menos no calendário.

Por um lado, o avanço na produção nacional de veículos eletrificados aponta para uma transformação estrutural impulsionada por novos investimentos e políticas de incentivo. Por outro, o volume elevado de carros importados estocados nos pátios das montadoras e concessionárias acende um alerta sobre o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado.

Os automóveis, segmento de maior volume, registraram crescimento de 1,4% na comparação anual, enquanto os comerciais leves avançaram 3%, contribuindo para a manutenção dos volumes do mercado no início do ano.

O sucesso dos eletrificados nacionais

A crescente participação de veículos híbridos e elétricos nas vendas totais é uma tendência consolidada. O diferencial deste ano é o fortalecimento da produção local desses modelos. Com o apoio de programas governamentais de incentivo à descarbonização, como o Mover (Mobilidade Verde e Inovação), diversas montadoras aceleram seus planos de nacionalizar a fabricação de componentes e a montagem de veículos eletrificados, buscando maior competitividade e autonomia frente às variações cambiais e logísticas do mercado global.

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Alerta vermelho nos pátios

Em contraponto ao avanço da indústria local, os estoques de veículos importados atingiram níveis considerados preocupantes pelo setor. O volume de unidades paradas equivale a um período de vendas muito superior à média histórica, que costuma girar em torno de 30 a 40 dias. Essa situação pressiona as montadoras a criarem campanhas e promoções para estimular o escoamento desses produtos, enquanto o estoque de carros de fabricação nacional se mantém em patamares mais saudáveis e equilibrados.

Vendas e produção sob pressão

O mercado como um todo iniciou o ano com um ritmo de vendas estável, mas ainda enfrenta desafios macroeconômicos. A indústria lida com uma queda na produção em comparação com o mesmo período do ano anterior, reflexo tanto da necessidade de ajustar os estoques quanto da cautela do consumidor. A expectativa é que as promoções e a maior oferta de crédito possam aquecer a demanda nos próximos meses.

Incentivos e o desafio das exportações

Entre os veículos pesados, os emplacamentos apresentaram retração em janeiro. As vendas de ônibus recuaram 33,9% e as de caminhões, 31,5%.

O programa Mover é visto como fundamental para a modernização do parque industrial brasileiro, estimulando investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No entanto, o setor exportador continua a enfrentar dificuldades, principalmente devido à instabilidade econômica em mercados importantes da América do Sul, como a Argentina, que historicamente é o principal destino dos veículos brasileiros. A retração nas exportações adiciona mais uma camada de complexidade ao planejamento da produção industrial para 2026.

O desempenho dos automóveis de entrada inscritos no programa Carro Sustentável também contribuiu para o resultado do mercado interno. Desde o início da iniciativa, foram comercializadas 282 mil unidades desses modelos, volume 22,8% superior ao registrado no período anterior à isenção de IPI. O programa segue até o fim deste ano.