O canal russo "Garage 54", sediado em Novosibirsk, na Sibéria, adaptou um veículo com quatro motores a combustão interna independentes: uma unidade de força dedicada para movimentar cada roda do automóvel, inspirando-se no conceito de múltiplos motores utilizado em carros elétricos.
A equipe comprou os motores mais baratos do mercado russo por 32.500 rublos cada (cerca de R$ 1,7 mil), totalizando 130.000 rublos. O conjunto é formado por quatro propulsores chineses de 150 cc, monocilíndricos, de quatro tempos e refrigerados a ar, baseados na arquitetura GY6 e criados para quadriciclos, triciclos agrícolas e buggies.
Adaptação estrutural complexa
O modelo escolhido para a modificação foi um sedã Toyota Aristo, conhecido também como a primeira geração do Lexus GS. O carro de tração traseira exigiu alterações profundas, pois os cubos das rodas dianteiras não tinham estrias de tração e os semieixos colidiam com amortecedores, braços de controle e barras de direção originais.
A montagem exigiu duas semanas de cortes e soldas pesadas na oficina. Os mecânicos enxertaram partes das longarinas de um Lada Niva no chassi do Lexus e fabricaram suportes de mola sob medida. A equipe também cortou a travessa da suspensão dianteira do Niva ao meio, ampliou o vão com tubos de aço e a fixou na dianteira.
Na traseira, os criadores cortaram partes da lataria enferrujada acima do eixo para posicionar os outros dois motores. O ajuste do acelerador consumiu um dia inteiro de trabalho para conectar quatro cabos Bowden separados a um único pedal.
Teste prático e redundância mecânica
No elevador da oficina, os motores dianteiros balançaram nos apoios, as correntes vibraram e uma das engrenagens girou de forma excêntrica. As relações de marcha priorizaram o torque em velocidades reduzidas, enquanto a equipe questionava a resistência dos eixos e da suspensão.
Durante o primeiro teste de rodagem, o sedã funcionou com a potência combinada de 600 cc. Logo na saída, a solda de um suporte quebrou e uma corrente caiu, reduzindo a tração para 75%. Barashenkov continuou a acelerar enquanto outras duas correntes descarrilaram, cortando o rendimento para 50% e depois para 25%.
O sistema garantiu redundância mecânica inesperada. Mesmo após a perda de tração em três rodas, o último motor restante de 10 cavalos puxou o sedã pesado, operou em marcha à ré e conduziu o veículo de volta para dentro da oficina.
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