Montadoras chinesas já respondem por um a cada dez carros vendidos na Europa e avançam rumo ao Canadá. O próximo alvo é o mercado dos Estados Unidos, onde a Chery avalia estabelecer parcerias com as próprias fabricantes americanas concorrentes.
A empresa, proprietária de veículos sob o próprio nome e das marcas como Omoda e Jaecoo, iCaur, Lepas, Jetour, entre outras, enfrenta barreiras severas em solo americano: uma tarifa de 100% sobre automóveis chineses importados e o veto a softwares desenvolvidos no país asiático, medida que forçou a saída da Polestar, controlada pela Geely, do mercado dos Estados Unidos a partir do ano que vem.
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Charlie Zhang, vice-presidente da Chery, declarou à "Reuters" que o grupo busca opções estratégicas. Segundo o executivo, existe viabilidade técnica para estruturar soluções de hardware e software livres de componentes chineses. A marca planeja estrear no Canadá no início do próximo ano, após o governo do primeiro-ministro Mark Carney autorizar marcas da China durante negociações comerciais em janeiro. A montadora já vende unidades no México.
Avanço comercial e movimentações no setor
O otimismo da Chery apoia-se no desempenho alcançado na Europa. O modelo Jaecoo 7 foi apelidado na imprensa britânica de "Temu Range Rover" pela semelhança com modelos da Range Rover e tornou-se o primeiro veículo chinês a liderar o ranking de vendas do Reino Unido em março.
Executivos de montadoras americanas acompanham essa expansão. Jim Farley, líder da Ford, declarou em conferência setorial recente que as fronteiras dos Estados Unidos devem ser alcançadas em um período de 5 a 10 anos. Um acordo prático permitiria que Ford ou General Motors montassem veículos para a Chery, garantindo conformidade com exigências sobre tarifas e softwares.
Donald Trump declarou anteriormente que aceitaria montadoras chinesas operando no país se gerassem empregos para trabalhadores locais, postura que enfrenta resistência em Detroit e no sindicato United Auto Workers (UAW). Marcas japonesas como Honda, Nissan, Toyota e Subaru superaram oposição semelhante na década de 1980 e hoje mantêm plantas industriais aceitas na economia americana.
A Stellantis, controladora de marcas como Dodge, Jeep, Ram e Fiat, comprou 21% da chinesa Leapmotor há três anos. A operação gerou uma joint venture controlada em 51% pela Stellantis, que agora monta e vende carros da Leapmotor na Europa, já confirmou a produção de carros no Brasil e planeja importar unidades diretamente da China para o Canadá, após arquivar o projeto de montagem na fábrica de Brampton, em Ontário.
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