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A incrível história do carro presidencial argentino chamado 'Justicialista'

Muito antes da Mercedes-Benz, a Argentina teve uma indústria automotiva estatal que produziu um carro único para o presidente; conheça essa raridade

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O Justicialista Gran Sport, um ícone da indústria automotiva argentina e símbolo da era Perón.
O Justicialista Gran Sport, um ícone da indústria automotiva argentina e símbolo da era Perón. Foto: Justicialista Governo Federal de Argentina/Francisco Pignataro

Muito antes dos sedãs de luxo importados se tornarem padrão, a Argentina viveu um período de forte nacionalismo industrial que resultou na criação de um carro presidencial único: o “Justicialista”.

Na década de 1950, sob o governo de Juan Domingo Perón, o país investiu em um ambicioso projeto para desenvolver sua própria indústria automotiva, dando vida a um veículo que se tornou um símbolo de soberania e poder.

O projeto nasceu em Córdoba, dentro das Indústrias Aeronáuticas e Mecânicas do Estado (IAME), uma estatal criada para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira. A ideia de Perón era clara: a Argentina deveria ser capaz de produzir de tudo, desde aviões a tratores e, claro, automóveis para o povo. O carro Justicialista, lançado em 1953, era a materialização desse sonho.

Com um design inspirado em modelos americanos da época, como o Chevrolet 51, a linha Justicialista contava com diferentes motorizações, incluindo tecnologia adaptada da alemã DKW e até motores Porsche de 4 cilindros nos modelos esportivos. Foram produzidas versões como o sedã de duas portas, a picape (apelidada de 'Chatita'), furgões multicargas e o coupé Sport Plástico. A carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro foi uma inovação notável, tornando a Argentina o segundo país do mundo a usar o material em um carro de produção seriada, logo após o Chevrolet Corvette americano.

O Gran Sport: um ícone presidencial

O modelo mais emblemático foi o coupé "Justicialista Gran Sport", apresentado em 1953. Embora não fosse um conversível, este elegante esportivo com configuração 2+2 e motor Porsche se tornou um símbolo do projeto. Utilizado por Perón em eventos oficiais, o carro era uma poderosa ferramenta de propaganda, e seu design foi tão bem-sucedido que ganhou o "Grande Prêmio de Elegância" no Salão do Automóvel de Nova York em 1954. A inspiração deste modelo veio do Corvette 1951.

A produção total da linha Justicialista foi extremamente limitada, totalizando apenas 167 unidades fabricadas entre 1953 e 1955. O projeto teve um fim abrupto com a queda de Perón naquele ano. O governo militar que assumiu o poder encerrou a produção.

Se somarmos todos os modelos produzidos desde a inauguração até o fechamento, a fábrica produziu 2.300 modelos entre chatitas, furgões e sedans.

Hoje, os poucos exemplares restantes do Justicialista são raridades cobiçadas por colecionadores. O Gran Sport, em particular, sobrevive como uma peça de museu, testemunha de uma era em que a Argentina ousou desafiar as potências mundiais e construir seu próprio carro de chefe de Estado.

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