O Brasil vive pela segunda vez uma invasão de carros vindos da China, mas ao contrário da onda do início dos anos 2010, agora, os carros asiáticos custam mais caro. Contudo, entregam muito mais tecnologia, até mesmo nos sistemas de propulsão. É nesse movimento que a Geely traz ao Brasil o EX2, compacto 100% elétrico, que lidera as vendas na China e está conquistando mercado no Brasil.
O Geely EX2 chegou ao Brasil em novembro de 2025 e já figura entre os carros mais vendidos em nosso país. Segundo informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, já foram 28.924 unidades emplacadas até então.
Esse número é bem menor que BYD Dolphin Mini (103.529) e Dolphin (68.336), que estão no Brasil a mais tempo e possuem rede de concessionários bem superior à da Geely. O Dolphin Mini, inclusive, já é montado por aqui, enquanto o EX2 será produzido localmente a partir de dezembro.
Mais ocidental que os rivais
O Geely EX2 se destaca por não parecer um carro chinês em termos de condução. Logo ao entrar na cabine, a surpresa positiva fica pela familiaridade, e o fato da alavanca seletora de marcha estar posicionada no centro do console ajuda bastante, especialmente após ter dirigido Captiva EV e Leapmotor C10, que selecionam as marchas na coluna de direção.
Esse ajuste mais ocidental se reflete também no acerto de suspensão, que é muito bom. Não é possível precisar o quanto a Renault ajudou a Geely nesse quesito, mas o EX2 parece ter sido tropicalizado por uma empresa que há tempos sabe o gosto do brasileiro. O compacto da Geely é bem confortável e aguenta buracos com valentia e competência.
Um dos pontos positivos da suspensão do EX2 é a configuração independente multibraços na traseira, algo que o diferencia dos demais carros do segmento, tanto a combustão quanto os demais elétricos de origem chinesa.
Apesar do bom ajuste, a suspensão do EX2 não é perfeita. Em uma pista ondulada em velocidades acima dos 100 km/h, quando a as molas são comprimidas ao voltar “ao chão”, o modelo fica um pouco instável. O problema é que, quando o condutor não sabe dessa característica, nem está acostumado, pode se assustar e acabar causando um problema.
Espaço é destaque
Como é de praxe em carros elétricos pensados e desenvolvidos para esse tipo de propulsão, espaço não é um problema. No Geely EX2, especificamente, o que mais me chamou atenção foi o amplo espaço para as pernas na parte dianteira. Isso é possível pelo fato do motor do EX2 estar no eixo traseiro.
Contudo, para quem viaja na parte traseira, o espaço não é comprometido, uma vez que o motor fica exatamente no eixo traseiro, e com isso, não ocupa espaço no entre-eixos, ficando posicionado sob os bancos.
O porta-malas conta com 320 litros de capacidade, e com os bancos rebatidos, o espaço cresce para 1.320 litros. Além disso, há ainda o porta-objetos dianteiro, chamado pela marca de fronta-malas, que adiciona mais 70 litros de capacidade e é ideal para levar os cabos de recarga ou pequenas compras.
Vale ressaltar que o Geely EX2 mantém as dimensões relativamente compactas. Com 4,13 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,58 m de altura e 2,65 m de entre-eixos, ele é um pouco maior que um Polo Track ou Fiat Argo, por exemplo, mas apresenta um aproveitamento bem melhor do espaço disponível
Desempenho e alcance
O desempenho é um dos pontos onde o EX2 mais diverte o condutor. São “apenas” 116 cv de potência, mas o torque de 15,3 kgfm, entregues de forma instantânea, fazem com que a experiência de condução seja extremamente divertida, mesmo no modo de condução Eco, voltado para economia de energia. Além desse modo, o EX2 oferece ainda a configuração Comfort e Sport.
Justamente para tentar evitar paradas para recarregar, usei bastante o modo Eco, que sim, é mais fraco, mas não decepciona, nem passa a sensação de faltar algo.
É necessário tomar cuidado, pois o EX2 não “avisa” o condutor de quão rápido ele consegue ganhar velocidade. Um pouco de desatenção e o pequeno carro verde claro está acima dos 100 km/h. A velocidade máxima é de 140 km/h e a aceleração de zero aos 100 km/h acontece em apenas 10,2 segundos.
Por mencionar recargas, o Geely EX2 é equipado com baterias de Lítio Ferro Fosfato (LFP) de 39,4 kWh de capacidade. Isso garante 289 km de alcance no padrão do Inmetro e até 410 km no padrão chinês CLTC. Respectivamente pessimista e otimista, o alcance “real” fica na casa dos 310 km, mas, obviamente, depende muito do estilo de condução do motorista.
Itens de série
O Geely EX2 é oferecido em duas versões no Brasil. O modelo testado era o topo de linha (Max) vendido a partir de R$ 136.800. A versão básica é a Pro, que parte de R$ 123.800 para o público geral, mas as vendas diretas podem reduzir significativamente o valor cobrado.
De série, a versão de entrada já conta com bancos com revestimento premium, ar-condicionado digital, câmera de ré, multimídia de 14,6 polegadas com Android Auto com fio e Apple CarPlay sem fio, painel de instrumentos de 8,8”, quatro alto-falantes, assistente de partida em rampa, seis airbags.
A versão topo de linha adiciona iluminação interna com 256 cores, ajuste elétrico pro banco do motorista, porta-luvas gaveta, acionamento remoto para o ar-condicionado e o pacote ADAS, composto por: Piloto automático adaptativo (ACC), alerta de mudança de faixa, frenagem automática de emergência, farol alto com controle inteligente e câmera panorâmica 540º.
Particularmente, a versão a ser comprada é a Pro. Embora os itens da versão mais cara sejam interessantes, especialmente a câmera 540º e o carregador de celular sem fio, 13 mil reais é um valor significativo para contar com esses equipamentos.
Vale a pena?
O Geely EX2 é um carro excelente para quem busca um elétrico de entrada. O espaço para todos os ocupantes é bastante satisfatório e a lista de equipamentos é bastante completa, independente da versão escolhida.
Com 116 cv e 15,3 kgfm de torque, o desempenho é digno de carros 1.0 turbo, ou até melhor no recorte da aceleração até uns 60 km/h. Esses motivos o credenciam a ser melhor que o BYD Dolphin Mini, seu principal rival no mercado de carros elétricos de entrada.
Contudo, a suspensão pode ser melhorada, bem como a tecnologia, e o Android Auto deveria conectar sem fios com o celular. Mas o principal item que incomoda na utilização do EX2 no dia a dia é a ausência de um limpador para o vidro traseiro. Em dias chuvosos, água e sujeira se acumulam na região e dificultam bastante a visualização, fica a sugestão para a Geely aprimorar agora que o modelo será produzido no Brasil.
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