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avaliação!

Geely EX2 acerta na receita, mas ainda tem detalhes a corrigir

Hatch elétrico aposta em uma dinâmica diferente dos rivais, muito espaço interno e bom acabamento para conquistar o consumidor brasileiro

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Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

A Geely desembarcou de vez no Brasil e já colocou o EX2 para disputar um dos segmentos mais concorridos do mercado, hoje dominado pelo BYD Dolphin e pelo BYD Dolphin Mini. O modelo é vendido em duas versões: Pro, por R$ 123.800, e Max, por R$ 136.800. A configuração avaliada foi justamente a topo de linha, mas as diferenças para a versão de entrada são menores do que parecem.

Na prática, a Max ganha rodas exclusivas de 16 polegadas, detalhes cromados na carroceria, teto bicolor e um pacote ADAS mais completo. Fora isso, os dois carros são praticamente iguais. Outro detalhe é que o EX2 não oferece estepe, trazendo apenas um kit de reparo para pneus.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

Visualmente, o hatch segue aquela receita típica dos elétricos chineses. A dianteira é limpa, arredondada e praticamente sem entradas de ar, transmitindo uma aparência futurista, mas sem chamar muita atenção.

O bom acabamento chinês

Se por fora o EX2 é discreto, por dentro ele deixa uma impressão melhor. O acabamento é um dos pontos fortes do carro, com bastante uso de revestimento que imita couro nos bancos e nos painéis das portas, dando uma sensação de qualidade acima da média da categoria.

A central multimídia de 14,6 polegadas domina o painel e concentra praticamente todas as funções do veículo. Ela oferece Android Auto e Apple CarPlay, mas durante a avaliação apresentou alguns problemas. Confesso que tive dificuldade para parear meu iPhone. Em alguns momentos o carro simplesmente não reconhecia o Apple CarPlay e, quando conectava, o sistema chegava a desconectar sozinho. É um detalhe que precisa ser corrigido.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

O painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas é simples e cumpre bem sua função, mostrando apenas as principais informações do veículo.

No começo também demorei para encontrar uma posição confortável ao volante. O banco é largo e tem abas laterais pouco pronunciadas. Como sou mais magro, fiquei com a sensação de estar meio solto. Depois de alguns ajustes e alguns quilômetros rodados, encontrei uma posição confortável e o problema deixou de incomodar.

Espaço interno é destaque

O EX2 aproveita bem sua plataforma elétrica. Sem túnel central, o banco traseiro oferece um assoalho totalmente plano e bastante espaço para as pernas. Três adultos conseguem viajar atrás sem grandes dificuldades.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

O porta-malas também agrada. São 375 litros na traseira, além de um frunk de 70 litros na dianteira, ideal para guardar os cabos de recarga e pequenos objetos.

Tração traseira faz diferença

O principal diferencial do EX2 está na mecânica. Enquanto praticamente todos os concorrentes utilizam tração dianteira, o Geely aposta em um motor elétrico instalado no eixo traseiro. São 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque, alimentados por uma bateria de 39,4 kWh. Segundo o Inmetro, a autonomia é de 289 quilômetros.

Na prática, como acontece com qualquer elétrico, tudo depende da forma de condução. Durante a avaliação percorri cerca de 117 quilômetros, andando tranquilamente, com o ar-condicionado ligado e sem passageiros ou bagagem. Saí com 100% de carga e cheguei ao destino com exatos 50% de carga na bateria.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

Isso mostra que a autonomia divulgada é até que coerente, pensando que não rodei em cidade onde a regeneração da bateria é maior, mas também deixa claro que, em viagens mais longas, é preciso planejar bem as recargas. No meu caso, eu sabia que conseguiria voltar para casa, mas se pegasse um trânsito muito pesado ou qualquer imprevisto no caminho, provavelmente teria que procurar um carregador antes de concluir a viagem.

Ao volante, o EX2 é um carro bastante agradável. A tração traseira muda completamente a experiência em relação aos rivais. O carro fica mais divertido de dirigir, passa uma sensação diferente nas curvas e deixa a condução mais envolvente. Não é um esportivo, mas tem uma tocada mais apimentada do que a maioria dos elétricos da categoria.

A potência e o torque conversam muito bem com o porte do veículo. O desempenho é suficiente para o uso urbano e também não decepciona quando é preciso ganhar velocidade.

Conforto demais na suspensão

O único ponto que realmente me incomodou foi a suspensão. Assim como acontece em muitos carros chineses, ela é bastante macia. Na cidade isso é ótimo. O EX2 absorve buracos, valetas e lombadas com muito conforto.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

Já em rodovias e vias expressas, essa calibração mais mole acaba transmitindo menos confiança. A carroceria balança um pouco mais em velocidades elevadas e a sensação de estabilidade não é das melhores. Não chega a comprometer a dirigibilidade, mas é uma característica que ficou evidente durante a avaliação.

Vale a pena?

No geral, o EX2 deixou uma boa impressão. O acabamento é acima da média, o espaço interno agrada, o porta-malas é generoso e a tração traseira realmente faz diferença na dinâmica. É um carro gostoso de dirigir e que entrega uma experiência diferente da maioria dos concorrentes.

Por outro lado, ainda há pontos que precisam evoluir, principalmente a central multimídia, que apresentou falhas constantes durante o uso do CarPlay, e a suspensão, que privilegia demais o conforto e perde um pouco de confiança em velocidades mais altas.

Geely EX2
Geely EX2 Foto: Enrico Paladino/Vrum

O pacote ADAS da versão Max funciona bem e entrega todos os assistentes de condução prometidos. Ainda assim, para quem é um motorista convencional e usa o carro principalmente na cidade, sinceramente eu não vejo tanta necessidade de gastar mais por isso.

Se eu fosse comprar um EX2 hoje, escolheria a versão Pro. Ela entrega praticamente a mesma experiência ao volante, mantém os principais equipamentos e custa bem menos. A Max faz sentido para quem realmente quer os assistentes de condução e os detalhes exclusivos de acabamento.

A Geely chega ao Brasil mostrando que não quer disputar mercado apenas pelo preço. O EX2 tem argumentos para enfrentar o BYD Dolphin e o Dolphin Mini, principalmente pela tração traseira e pelo bom conjunto geral. Ainda não é um carro perfeito, mas é uma estreia bastante convincente e mostra que a marca tem potencial para incomodar os líderes do segmento.

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