A Renault anunciou nesta terça-feira o seu novo plano estratégico global, o “futuREady”. O plano de ações tem como objetivo manter o crescimento da marca a ponto de aumentar a margem operacional do grupo em 7% e terá o lançamento de 36 novos produtos até 2030.
Segundo François Provost, CEO do Renault Group, o plano estratégico futuREady terá como base quatro pilares. O primeiro pilar será crescimento e produtos, onde a marca terá os 36 lançamentos nos próximos quatro anos, uma média ousada de 9 lançamentos por ano.
Nesta fase, Provost promete “transformar profundamente” a experiência do cliente durante o ciclo de vida dos carros. A marca também terá objetivos de performance operacional ambiciosos e avançará no uso geral de Inteligência Artificial no seu dia a dia.
“Sobretudo, vamos implementar este plano coletivamente, como temos feito há mais de 127 anos. Isso inclui especialmente nossas equipes, mas também nossos concessionários, parceiros e fornecedores. Juntos, graças ao plano estratégico futuREady, nós vamos mostrar que estamos aqui para o longo prazo e vamos nos tornar a referência para a indústria automotiva europeia no cenário mundial”.
Enquanto o plano Renaulution teve o objetivo de transformar a Renault em uma marca de veículos mais caros e mais premium, a ideia com o futuREady é que a empresa francesa se torne referência em lançamento de produtos, tecnologia, excelência (operacional) e confiança.
Dos 36 modelos prometidos pelo Renault Group, 22 serão para a Europa e 14 serão distribuídos ao redor do planeta. Desse volume, a Renault terá 12 lançamentos no continente de origem e 14 em outros mercados.
Os 10 modelos restantes no Velho Continente serão distribuídos entre a romena Dacia, que terá o aumento da eletrificação da sua gama e 4 lançamentos totalmente elétricos em 2030.
A divisão esportiva Alpine terá, no mínimo, o lançamento da nova geração do A110, que será construído a partir de uma plataforma exclusiva e com foco em performance. A marca promete também o aumento de séries limitadas para seus modelos (A290 e A390) para atrair mais clientes.
Com esses lançamentos, o Renault Group espera estar presente em 55% do mercado mundial e vender 50 milhões de unidades. Porém, a marca ainda estará fora de mercados importantes como Estados Unidos, Canadá e China.
Tecnologia para atrair clientes e reduzir custos
A ideia da Renault é desenvolver novas tecnologias para reduzir custos de produção, e consequentemente, o preço final dos veículos.
Para a próxima geração de carros, a Renault terá uma nova plataforma elétrica, a RGEV Medium 2.0, que terá arquitetura de 800 Volts e recarga em até 10 minutos. As baterias da nova geração serão integradas ao chassi dos carros e terão compatibilidade com células pouch, prismática e até mesmo blade, padrão utilizado pela BYD.
Com a nova base, a Renault promete até 750 km de alcance WLTP para seus carros elétricos e até 1.400 para modelos com extensor de autonomia (REEV). Os modelos terão 90% de suas funcionalidades com atualizações over the air e os sistemas operacionais dos modelos serão baseados no sistema Android, da Google.
Em carros de segmentos A e B, as plataformas terão estrutura de 400 Volts, porém, o tempo de recarga será de 20 minutos. A ideia é que esses carros contem com química de baterias mais acessíveis.
Os novos motores elétricos também serão chave para esses produtos, e a promessa é que a terceira geração de propulsores elétricos da Renault seja desenvolvida sem metais terras raras e com rendimento de 93% na estrada.
A potência do novo motor será de até 275 cv e será 20% mais barato de ser produzido do que a geração atual de motores elétricos.
O lado negativo para o Brasil é que, segundo o comunicado inicial, essas tecnologias estarão disponíveis somente para o mercado europeu. A tendência é que nenhum modelo europeu da Renault seja vendido por aqui, e o Brasil se beneficie mais da parceria entre Renault e Geely, que além de fabricar modelos na mesma fábrica, dividirão o centro de pesquisa e desenvolvimento dos franceses em São José dos Pinhais (PR).
Atualmente, somente um modelo da Renault no Brasil é produzido na Europa, o Renault Megane E-Tech, vendido por R$ 279.990.
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