O Volkswagen Gol e o Fiat Uno, ícones que motorizaram o Brasil por décadas, saíram de linha em 2022 e 2023, respectivamente, e deixaram uma lacuna no mercado. Quem procura hoje um carro zero quilômetro acessível se depara com preços que geralmente partem de R$ 85 mil, uma realidade distante dos antigos “populares”. A explicação para o sumiço dos carros pequenos e baratos envolve um conjunto de fatores: novas leis, mudança no perfil do consumidor e a estratégia das próprias montadoras.
A transformação foi impulsionada pela implementação de regras de segurança e emissões de poluentes mais rigorosas. A obrigatoriedade de itens como airbags duplos e freios ABS, seguida pela exigência do controle eletrônico de estabilidade (ESC) para todos os carros novos a partir de 2024, elevou o custo de produção. Para modelos com projetos antigos, como o Gol e o Uno, a adaptação seria cara demais e inviável financeiramente.
As normas do Proconve L7, que entraram em vigor há alguns anos, em 2022, também foram decisivas para muitos desses veículos, pois exigiram motores mais eficientes e menos poluentes, demandando investimentos que as fabricantes não estavam dispostas a fazer em carros de baixa margem de lucro.
A preferência do público mudou
Paralelamente, o desejo do consumidor brasileiro também se transformou. O carro deixou de ser apenas um meio de transporte básico. Hoje, o comprador busca mais conforto, tecnologia e segurança, mesmo nos segmentos de entrada. Itens como central multimídia, ar-condicionado e direção elétrica se tornaram quase indispensáveis.
Essa nova demanda abriu espaço para a ascensão dos SUVs compactos, que oferecem maior espaço interno, posição de dirigir mais elevada e uma percepção de status superior. Para as montadoras, essa mudança foi excelente, já que os SUVs possuem uma margem de lucro muito maior em comparação aos hatches populares.
Com isso, o conceito de “carro de entrada” foi redefinido. Modelos como Renault Kwid e Fiat Mobi ainda ocupam esse posto em 2026, mas já entregam um pacote de equipamentos superior ao dos antigos básicos e, consequentemente, custam mais. A procura por veículos compactos e econômicos continua, mas o consumidor precisa estar ciente de que o preço subiu para um novo patamar.
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