O Grupo SHC, que controla a operação da JAC Motors no Brasil, ingressou com um novo pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas. O plano envolve 44 empresas pertencentes ao grupo do empresário Sergio Habib, segundo dados divulgados pela revista "Exame".
Além desse montante sujeito à recuperação, o passivo total do grupo se aproxima de R$ 370 milhões. Cerca de 97% das dívidas são com bancos e fundos de crédito, enquanto débitos trabalhistas somam aproximadamente R$ 2,7 milhões.
A iniciativa representa a segunda tentativa da importadora de reorganizar suas finanças perante a Justiça. A primeira recuperação judicial da companhia teve início em novembro de 2018, quando somava passivos de R$ 517,7 milhões, sendo concluída em maio de 2025. O retorno aos tribunais cerca de um ano e cinco meses depois evidencia a extensão dos entraves econômicos enfrentados pelo grupo.
Encolhimento da rede física e queda nas vendas
Os resultados comerciais recentes explicam grande parte do estrangulamento financeiro da marca. Durante o ano de 2025, a JAC registrou o emplacamento de apenas 988 veículos leves no mercado brasileiro, configurando uma redução de 51,1% em relação ao ano anterior. A trajetória de queda se intensificou em 2026: entre janeiro e setembro deste ano, a marca registrou apenas 373 veículos leves emplacados, aprofundando ainda mais a crise de vendas.
A diminuição contínua na procura por modelos causou efeitos práticos na presença da marca pelo país. Sem sustentar a estrutura de grandes concessionárias, a empresa encolheu sua rede física para apenas três lojas próprias e passou a sustentar o pós-venda por meio de cerca de 142 oficinas credenciadas para conter despesas imediatas.
Aposta na picape Hunter e no comércio eletrônico
Para manter as operações ativas diante do encolhimento físico, a gestão desenhou uma revisão profunda no método de distribuição. A montadora direcionou seus esforços prioritários para canais virtuais, trocando os salões convencionais pela negociação direta pela internet.
No portfólio de veículos, o ponto central dessa guinada recai sobre a picape Hunter a diesel. O utilitário foi escolhido para impulsionar o faturamento da marca com foco em segmentos específicos:
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Atendimento direto a produtores rurais e propriedades ligadas ao agronegócio.
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Fornecimento planejado para frotistas e companhias que demandam veículos de trabalho.
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Operação de vendas concentrada em plataformas digitais para diminuir custos intermediários.
Disputa acirrada e reorganização de contas
O plano de reestruturação ocorre em um ambiente de mercado mais desafiador. A JAC Motors enfrenta a expansão acelerada de outras fabricantes de origem chinesa no país, com destaque para a forte presença de montadoras como BYD e GWM no mercado automotivo nacional.
A disputa com as rivais soma-se aos custos elevados de importação e à retração expressiva nos emplacamentos. O novo processo jurídico busca permitir a continuidade operacional da montadora, repactuar os prazos com credores e garantir a sustentabilidade de suas atividades no Brasil.
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