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INFRAESTRUTURA

Europa não tem tomada para caminhão elétrico, alertam fabricantes

Segundo as gigantes do setor, a infraestrutura de recarga para os veículos está pelo menos três anos atrasada

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Caminhão da Volvo
Caminhão da Volvo Foto: Divulgação/Volvo

Os sete maiores fabricantes de caminhões da Europa fizeram um alerta conjunto, nas últimas semanas, durante a feira de transportes IAA Transportation em Hannover: os veículos elétricos estão prontos para rodar, mas o continente não tem tomadas suficientes para eles.

O grupo, formado por DAF, Daimler Truck, Ford Otosan, Iveco, MAN, Scania e Volvo, afirma que a infraestrutura de recarga está criticamente atrasada.

Segundo as empresas, o principal obstáculo para a eletrificação do transporte pesado já não é a tecnologia. Existem dezenas de modelos de caminhões com emissão zero disponíveis no mercado, capazes de atender desde a logística urbana até operações de longa distância. O problema real está na falta de infraestrutura para mantê-los em movimento.

A infraestrutura atual é criticamente defasada. Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), para cumprir as metas, a Europa precisaria de aproximadamente 50 mil carregadores públicos adequados para caminhões pesados até 2030, um número muito distante da realidade atual. A situação é agravada pela burocracia, pois a conexão de carregadores de alta potência à rede elétrica pode levar anos em algumas localidades.

Iveco S-Way na cor azul
Iveco S-Way na cor azul Foto: Divulgação/Iveco

Esse cenário se reflete diretamente nas vendas. Os caminhões elétricos representaram apenas 2,4% dos novos veículos pesados comercializados na Europa em 2025. Para cumprir a meta da UE de reduzir as emissões de CO2 em 43% até 2030 (em comparação com 2019), o setor calcula que aproximadamente um em cada três caminhões vendidos naquele ano precisará ser de emissão zero, um salto que parece inviável sem uma mudança drástica na infraestrutura.

Outro fator que impede o avanço é a questão financeira. Um caminhão elétrico ainda custa mais caro que um modelo a diesel equivalente. Embora o custo de operação possa ser menor, a conta final para as transportadoras depende de uma série de variáveis, como o preço da eletricidade, incentivos fiscais e pedágios específicos em cada país.

Diante desses desafios, os fabricantes propõem uma solução direta: adiar em três anos o calendário europeu de redução de emissões, que estabelece metas rígidas para 2030. A justificativa é que a indústria automobilística cumpriu sua parte ao desenvolver e produzir os veículos, mas as condições econômicas e a infraestrutura necessárias para sua adoção em massa estão, no mínimo, três anos atrasadas.

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