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NOVA VISÃO

CEO da Stellantis explica mudança na estratégia para elétricos

Gigante automotiva, dona da Fiat e Jeep, revisa sua estratégia e volta a focar em híbridos e combustão para atender à demanda real do mercado

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Antonio Filosa é o CEO global da Stellantis
Antonio Filosa é o CEO global da Stellantis Foto: Reprodução

A Stellantis, grupo automotivo dono de marcas como Fiat e Jeep, está executando uma das maiores mudanças de rumo de sua história recente. A companhia reduziu suas ambições com o carro elétrico para dar novamente protagonismo aos motores a combustão, híbridos e outras soluções eletrificadas.

Antonio Filosa, CEO da Stellantis, explicou a transformação durante o Automotive News Congress, em Detroit. O executivo reconheceu que a empresa precisava abandonar uma estratégia condicionada por uma visão específica sobre o futuro do automóvel.

“Mudamos fundamentalmente nosso modelo de negócio: de estarmos ancorados, digamos assim, em uma ideologia, para realmente ouvir nossos principais clientes”, declarou Filosa.

Stellantis foca na liberdade de escolha

Stellantis
Stellantis Foto: Divulgação

A nova postura da Stellantis surge após anos em que a eletrificação foi o centro de sua estratégia. A gestão anterior tinha como meta que 100% das vendas de seus carros de passeio na Europa fossem de veículos elétricos até 2030.

Contudo, a demanda por carros elétricos evoluiu de forma desigual, e o cenário previsto pelo grupo não se concretizou no ritmo esperado. A Stellantis modificou seus planos para oferecer um leque mais amplo de sistemas de propulsão.

Filosa detalhou que a mudança começou após ouvir com mais atenção clientes e concessionárias. "O mantra do recomeço gira em torno da liberdade de escolha", afirmou o CEO, que considera essencial decidir quais produtos oferecer com base nas necessidades reais do mercado.

De Goiana para o mundo: Stellantis atinge 300 mil carros exportados
A picape Fiat Toro é um dos modelos mais exportados do Polo Automotivo Stellantis de Goiana, contribuindo para o marco de 300 mil veículos Foto: Divulgação/Stellantis

A companhia já havia admitido ter “superestimado o ritmo da transição energética”. Na ocasião, a Stellantis anunciou cerca de 22,2 bilhões de euros em encargos relacionados à revisão de sua estratégia, afirmando que a demanda, e não apenas os objetivos pré-estabelecidos, deveria ditar o ritmo da transformação.

Isso não significa que o grupo abandonará os carros elétricos. A empresa continua desenvolvendo modelos a bateria, mas pretende combiná-los com híbridos, veículos de autonomia estendida e motores a combustão onde houver demanda.

Um exemplo claro ocorre na América do Norte, onde a Stellantis está reintroduzindo motores a combustão que haviam sido retirados de alguns modelos. Paralelamente, aposta em elétricos com autonomia estendida para SUVs e picapes grandes.

O grupo, que controla marcas como Peugeot, Citroën, Opel, Alfa Romeo e Ram, planeja revisar projetos elétricos e ampliar a oferta de motores a combustão e híbridos. Para Filosa, a prioridade é que o próprio mercado determine qual tecnologia avança mais rápido.

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