O aumento da procura por carros automáticos no Brasil começa a gerar impactos diretos no mercado de manutenção automotiva. Marcelo Martini, gerente de vendas da FUCHS, uma fabricante de lubrificantes, trouxe dados da Webmotors que mostram que a busca por modelos com esse tipo de transmissão cresceu de forma significativa nos últimos anos, superando inclusive os veículos manuais. O movimento reflete uma mudança de pensamento do consumidor, cada vez focando no conforto e na praticidade no uso diário.
Entre os principais fatores para essa mudança estão o trânsito intenso nas grandes cidades e a evolução tecnológica das transmissões. Os câmbios automáticos modernos passaram a oferecer mais eficiência com mais marchas, eliminando a antiga desvantagem no consumo de combustível. Além disso, exigências ambientais também pressionaram as montadoras a adotarem soluções mais precisas na gestão do desempenho.
Com isso, a frota equipada com esse tipo de transmissão começa a envelhecer e entra em uma fase que exige maior atenção técnica. Muitos desses veículos, especialmente os vendidos entre 2018 e 2024, já chegam ao momento de manutenção mais frequente. O problema é que ainda não existe uma cultura consolidada de cuidado com o câmbio automático no Brasil, o que aumenta o risco de falhas mais graves.
Grande parte dos motoristas sabe da importância de trocar o óleo do motor, mas poucos têm o mesmo cuidado com o fluido da transmissão. Esse componente é essencial para lubrificação, controle hidráulico e dissipação de calor dentro do sistema. Quando se degrada por uso ou temperatura elevada, pode comprometer o funcionamento do câmbio. “Em ambos os casos, o desgaste avança antes de qualquer sintoma que o motorista consiga identificar”, afirma o porta-voz da FUCHS.
“Alguns hábitos, como engatar a marcha ‘D’ imediatamente após a partida, sem aguardar o aquecimento mínimo do sistema, ou posicionar o câmbio em ‘P’ antes de acionar o freio de mão em aclives, também transferem o esforço para os componentes que não foram dimensionados para absorver essa carga de forma recorrente, comprometendo a vida útil do equipamento.”
Por outro lado, o superaquecimento é o fator que mais acelera essa degradação. “Esse cenário é mais comum em condições de trânsito intenso”, afirma Martini. Deste modo, trajetos curtos e repetitivos contribuem para o problema, já que impedem que o sistema atinja a temperatura ideal de funcionamento.
Outro ponto importante é a evolução dos próprios fluidos, que se tornaram mais específicos com o avanço das transmissões. Diferente do que ocorria no passado, os câmbios atuais exigem lubrificantes com características técnicas precisas, incluindo estabilidade térmica e compatibilidade com diferentes materiais. O uso de produtos inadequados pode acelerar o desgaste e até comprometer a garantia do veículo.
Os modelos eletrificados também começam a influenciar esse cenário, trazendo novas exigências para o mercado. “Embora esse segmento ainda represente uma parcela pequena da frota brasileira,seu crescimento já orientou o desenvolvimento de novas fórmulas para a indústria de lubrificantes”, diz o gerente de vendas da FUCHS.
Diante desse avanço, o mercado brasileiro começa a se adaptar, exigindo mais capacitação técnica das oficinas e maior atenção por parte dos proprietários. O crescimento dos automáticos já é uma realidade consolidada, mas a manutenção adequada ainda precisa acompanhar esse ritmo.
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