Em meio ao aumento constante nos preços dos carros novos e usados, muitos consumidores passaram a procurar alternativas mais baratas para trocar de veículo, o que acabou colocando os chamados carros de repasse no radar de quem quer economizar. Com valores abaixo da FIPE, esses automóveis aparecem como “oportunidades” tentadoras, mas, geralmente, não passam de uma ilusão.
Em compras de carro atualmente, o pagamento à vista ainda é tido como a opção mais simples e segura, embora exija um valor alto de imediato. O financiamento se popularizou por permitir entrada menor e pagamento parcelado, mas acaba elevando bastante o custo final do veículo, enquanto o consórcio surge como alternativa sem juros, funcionando como uma poupança coletiva, porém com prazo incerto para a contemplação.
Normalmente, concessionárias de carros usados, ao adquirir um modelo, costumam realizar uma manutenção preventiva, para serem vendidos como “seminovos”, receber uma garantia e cobrar a mais por isso. No caso do repasse, os veículos são vendidos do mesmo jeito que chegam à loja, sem gastos com preparação, manutenção e muito menos com responsabilidade pós-venda, que são justamente essas características que explicam os preços mais atraentes.
Como o veículo não passa por inspeções mais profundas nem conta com cobertura de garantia, qualquer defeito oculto passa a ser responsabilidade do comprador, e isso inclui desde manutenções simples até falhas mecânicas mais sérias. Suspensão, câmbio, motor e parte elétrica são pontos que podem gerar gastos inesperados logo nas primeiras semanas, transformando a economia inicial em prejuízo.
Portanto, ao comprar um carro de repasse, é preciso estar ciente que este veículo pode estar precisando de uma manutenção severa. Não é necessariamente uma bomba relógio, entretanto, o dono terá que arcar com todos os gastos restantes, e o negócio só irá compensar se o valor final for menor do que seria caso comprasse o carro pelo valor completo.
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