O Jeep Renegade já pode ser considerado um veterano. Nascido em 2014, o modelo desembarcou no ano seguinte em Goiana, Pernambuco, onde começou a ser produzido e iniciou uma trajetória de sucesso para a marca norte-americana no Brasil.
Ao longo de mais de uma década, a Jeep já produziu mais de 700 mil exemplares do Renegade em Pernambuco. Em março de 2026 o modelo recebeu sua segunda reestilização visual, que dessa vez também contemplou o interior, deu muito mais requinte ao SUV e também adicionou a motorização híbrida-leve. Testamos a variante Sahara, disponível a partir de R$ 175.990.
Visual atualizado e mantendo a identidade
Para a linha 2027, o Renegade ganhou pequenas alterações externas. A silhueta quadrada e praticamente inconfundível foi mantida, mas os faróis ficaram mais finos e as sete barras que conectam os faróis foram redesenhadas. Na traseira, a principal mudança ficou no para-choque redesenhado, com linhas mais robustas.
Interior amplamente modificado
Foi na parte interna que o Renegade 2027 mudou bastante, e justamente a parte onde o modelo mais precisava ser alterado. O painel frontal foi totalmente modificado, perdendo o apoio para o passageiro, enquanto a tela multimídia cresceu e está na parte superior do painel, seguindo o padrão usado no Commander desde 2021.
Os comandos de ar-condicionado foram todos modificados e agora estão mais simples e modernos, seguindo os SUVs maiores da marca. Outra alteração importante foi a manopla de câmbio, que agora é a mesma usada pela Toro.
Na versão Sahara, o cliente leva pra casa faróis automáticos, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, câmera de ré, bancos em couro, teto solar panorâmico, seis airbags, carregador de celular sem fio, entre outros.
Motor híbrido-leve
Outra mudança importante foi a adição do conjunto híbrido-leve (MHEV) ao Renegade. As versões Longitude e Sahara estreiam a motorização eletrificada na gama da Jeep e prometem redução de 7% no consumo de combustível. A potência foi mantida em 176 cv e 27,5 kgfm de torque, o que já era oferecido pelo Renegade 2026.
Como anda o Jeep Renegade?
Esse foi o meu primeiro contato com o Renegade e a primeira impressão foi excelente, especialmente por conta do interior muito bem acabado. O novo padrão da cabine é bem bonito presencialmente e o acabamento em preto brilhante no seletor de marchas colabora com a impressão de requinte. Essa sensação é justificada quando lembramos que o padrão vem dos irmãos mais caros e estreou no Commander, que beira os
A cabine antiga mantinha o desenho desde o lançamento do SUV compacto em 2016, mas trazia detalhes mais atuais como painel digital, volante e multimídia mais novos, mostrando que a Jeep sempre se preocupou em atualizar seu sucesso de vendas.
Um ponto de destaque é o bom espaço interno para quem viaja na frente. Achar a posição de dirigir é fácil e há bastante espaço para os braços, o que ajuda pessoas dos mais variados tipos físicos.
Quem já andou em Toro, Compass ou Commander se sentirá muito em casa no Renegade. O modelo é bastante confortável e passa a mesma sensação boa dos demais modelos, mas com menos comprimento, o que garante facilidade em manobras de estacionamento.
Apesar do visual quadradão, o Renegade é bem ágil e não foi incômodo para manobrar. A câmera de ré ajuda bastante quando necessário. Outro ponto bem legal é o teto solar panorâmico, que conta com uma barra estrutural ao meio, o que denuncia a idade do projeto.
Projeto envelhecido, mas ainda dá conta
Na Europa, o Renegade se despediu no ano passado e foi substituído pelo Avenger. Por aqui, o modelo mostra que é possível conviver com o caçulinha da família Jeep, porém, usar a mesma plataforma sem grandes atualizações cobra seu preço.
O modelo traz itens de assistência à condução (ADAS) como farol alto automático, controle de velocidade, detector de fadiga do motorista, frenagem autônoma de emergência, monitor de mudança de faixa e monitor de ponto cego. Esses itens funcionam muito bem no Renegade, contudo, rivais como o T-Cross Comfortline (R$ 173.790) já oferecem piloto automático adaptativo. A Jeep oferece esse recurso apenas em modelos mais caros como Commander Blackhawk e Compass.
Acredito que pelo preço, um piloto automático adaptativo seria muito bem-vindo, porém, se você não se importa com isso, o Renegade entrega um pacote de equipamentos muito interessante e que funciona de maneira muito satisfatória, especialmente o alerta de ponto cego.
Motor fica devendo
O motor do Renegade é o conhecido T270, mas que para a linha 2027 ganhou o sistema eletrificado-leve de 48V, mas mantendo a potência de 176 cv e torque de 27,5 kgfm independente do combustível. Vale lembrar que esse motor já entregou até 185/180 cv (etanol/gasolina) até a linha 2024.
Embalado ou em velocidade constante, o motorista não sente incômodo, mas é em baixa velocidade ou em arrancadas, que a experiência ao dirigir o Renegade fica devendo.
Se precisar fazer uma aceleração rápida em uma saída de sinal, por exemplo, o modelo demora para começar a ganhar velocidade. Contudo, esse problema deve estar mais ligado à configuração de pedal de acelerador, que deve ter sido programado para um desempenho pior, justamente para emitir menos poluentes. Essa característica, inclusive, é cada vez mais comum em carros de várias marcas após o Proconve L8.
A transmissão automática de seis velocidades poderia ter uma configuração mais veloz, já que as trocas não são tão velozes, especialmente em retomadas “repentinas”, talvez atrapalhadas justamente pelo acelerador. A impressão é pisar e demorar para o carro entender o que o motorista pede. A troca de marchas para cima é rápida e ágil, mas quando precisar reduzir mais de uma marcha, recomendo usar o modo manual.
Esse também foi meu primeiro contato com o sistema 48 Volts da Stellantis, que mantém exatamente o mesmo comportamento dos conjuntos 12V e não traciona as rodas com potência elétrica. A “máquina elétrica” (um super alternador e não necessariamente um motor elétrico) tem 11,4 kw (15,5 cv) e 65 nM (6,6 kgfm) de torque e apenas auxilia o motor em acelerações.
Na prática, o sistema MHEV não promete consumos absurdos acima dos 15 km/l na cidade como é de se esperar de um híbrido pleno (HEV). Em todos os híbridos-leves, o comportamento é praticamente o de um motor a combustão somente. No Renegade não é diferente.
Entretanto, o conjunto resolve um dos principais problemas do modelo de entrada que é a desativação do ar-condicionado. Nesse caso, mesmo sem o motor ligado, ainda há um pouco de vento que sai do sistema, o que ajuda a manter a cabine fresca. Contudo, os dias no Rio de Janeiro não são de calor intenso, mas o sistema não incomodou.
Oficialmente, a Jeep divulga médias de consumo de 11,8 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, as médias caem para 8,3 km/l e 8,6 km/l respectivamente.
A suspensão é um ponto alto do Renegade e consegue garantir conforto ao rodar na cidade, mesmo em ruas esburacadas. Pessoas altas não terão problemas para se acomodar, mas quem viaja atrás pode sentir falta de espaço para as pernas.
Vale a pena?
O Jeep Renegade é mais uma prova de como a engenharia da Stellantis na América do Sul é competente em manter um produto no mercado. Vale lembrar que o Renegade já possui 11 anos de mercado e ainda é competitivo e competente em relação aos rivais chineses.
Ele fica devendo em eletrificação avançada e em alguns detalhes de tecnologia, mas é importante ressaltar que nem todo mundo que busca um Renegade busca esses itens, mas é interessante oferecer de alguma forma, nem que seja opcional.
O SUV da Jeep se mostra um carro bastante voltado para o motorista e para o uso urbano, sendo muito espaçoso para quem dirige, tendo um amplo campo de visão e uma posição de dirigir elevada, o que justifica seu sucesso desde o lançamento.
O motor decepciona em algumas situações, mas, sinceramente, quem compra um Renegade não espera um desempenho empolgante, e quem quer um carro empolgante não olha para um Renegade. Quem procura um SUV esportivo pode ir atrás de um Compass ou Commander com motor Hurricane de 272 cv.
Após uma semana com o Renegade dá para entender perfeitamente porquê ele faz tanto sucesso e porquê ele foi mantido em linha mesmo com a chegada do Avenger, que é bem menor. Contudo, o Avenger traz uma plataforma mais moderna e com sistemas de auxílio à condução, custando bem menos.
Por R$ 175.990 + R$ 2.500 da cor Splash Gold, o Renegade não é barato, mas é um baita produto para quem não quer um carro eletrificado e vale a pena. Há promoções que reduzem esse preço para até 152.900, o que faz o modelo ser um negócio muito mais interessante.
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