O Porsche 911 GTS Cabriolet da geração 992.2 é o primeiro 911 da história a contar com tecnologia híbrida. Mas, ao contrário do que muita gente pode imaginar, a eletrificação aqui não tem como prioridade a economia de combustível ou a redução das emissões. O objetivo é melhorar o desempenho de um dos esportivos mais tradicionais do mundo.
E que desempenho! São 541 cv de potência combinada e 62,2 kgfm de torque, números que ajudam o conversível a acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 3,1 segundos, com o pacote Sport Chrono, e atingir 312 km/h de velocidade máxima. Tudo isso com a possibilidade de recolher o teto e aproveitar o motor boxer praticamente ao lado dos ouvidos. A versão avaliada custa R$ 1.524.000, sem opcionais.
Design
O 911 mantém as linhas que o tornaram um dos esportivos mais reconhecidos do mundo. A dianteira preserva a identidade clássica do modelo, enquanto os elementos aerodinâmicos na parte inferior do para-choque ajudam a melhorar o fluxo de ar e a refrigeração.
Confesso que a carroceria Targa continua sendo minha favorita, mas o Cabriolet também tem seu charme. Na unidade avaliada, a pintura amarelo Cartagena chama bastante atenção e combina com a proposta de um carro feito para ser visto e, principalmente, dirigido.
A capota de tecido pode ser recolhida para transformar a experiência ao volante. É uma das grandes vantagens dessa carroceria, já que permite aproveitar o desempenho do 911 com o vento batendo no rosto e o som do motor ainda mais presente na cabine.
Interior e acabamento
Por dentro, o 911 GTS Cabriolet mantém o padrão de acabamento esperado de um Porsche. Os materiais são de boa qualidade, com revestimentos em couro e comandos bem posicionados. O volante pode ser revestido em couro ou Racing Tex, material semelhante à Alcantara. Na unidade avaliada, gostei da configuração em couro, uma alternativa interessante para quem prioriza a durabilidade do material. Com o uso, o Racing Tex pode apresentar desgaste, principalmente quando não recebe os cuidados adequados.
Os bancos permitem diversos ajustes, incluindo apoio lombar, extensão para as coxas e abas laterais, além de aquecimento. É possível encontrar uma posição de condução bastante baixa e reclinada, algo de que gosto especialmente em esportivos. Você fica bem encaixado no carro, com a sensação de fazer parte do conjunto.
Outro ponto positivo é a presença de botões físicos para funções importantes, como o escapamento esportivo, os ajustes da suspensão, o controle de tração e o pisca alerta. São comandos que ficam facilmente ao alcance do motorista, sem exigir que você navegue por menus na central multimídia enquanto dirige.
Na traseira, o 911 mantém os pequenos bancos que caracterizam a configuração 2+2. Na prática, eles são mais adequados para situações pontuais do que para transportar adultos com conforto. A experiência a bordo acaba sendo muito mais interessante para motorista e passageiro, que aproveitam melhor o espaço e a proposta do conversível.
Motorização e desempenho
A grande novidade da geração 992.2 está no conjunto T Hybrid. O sistema combina um motor boxer de seis cilindros e 3,6 litros com um turbocompressor elétrico e um motor elétrico integrado à transmissão PDK de oito marchas e dupla embreagem.
Sozinho, o motor a combustão entrega 485 cv e 58,1 kgfm de torque. Com a ajuda da eletrificação, a potência combinada chega a 541 cv, enquanto o torque máximo do sistema alcança 62,2 kgfm. A tração continua sendo traseira, mantendo uma das características mais marcantes do 911.
O turbocompressor elétrico ajuda a reduzir o atraso na resposta do acelerador, enquanto o motor elétrico integrado à transmissão contribui para as respostas do conjunto. A eletrificação, portanto, não muda a personalidade do esportivo para transformá-lo em um carro voltado à eficiência. Ela serve para entregar desempenho de maneira mais imediata.
Os números deixam isso claro. Com o pacote Sport Chrono, o 911 GTS Cabriolet acelera de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos e chega a 312 km/h. É desempenho de superesportivo, mas que vem acompanhado de uma transmissão capaz de lidar tanto com uma condução tranquila quanto com as exigências de uma tocada mais agressiva.
Sensações ao volante
Ao dirigir, uma das primeiras coisas que chamam a atenção é a firmeza da suspensão. É uma das mais rígidas que já experimentei em um carro de fábrica, e isso significa sentir boa parte das irregularidades do asfalto. Lombadas, remendos e ondulações ficam evidentes dentro da cabine.
Mudar o ajuste da suspensão para o modo Sport, pelo menos nas condições em que dirigi o carro, não provocou uma diferença tão perceptível. Imagino que essa mudança fique mais evidente em um autódromo, onde o conjunto pode ser levado mais perto do limite. No uso em estrada, a calibração já deixa claro que o foco está na precisão e no controle da carroceria.
O motor é absurdo. Praticamente independentemente da rotação ou da marcha selecionada, há força de sobra chegando às rodas traseiras. Basta acelerar para perceber como o conjunto responde rapidamente, sem aquela demora que costuma acompanhar motores turbo convencionais.
A transmissão PDK também merece destaque. As trocas são extremamente rápidas e precisas, mas o câmbio não fica limitado a uma condução esportiva. Mesmo no modo automático normal, entende quando o motorista quer acelerar com mais intensidade e quando a intenção é apenas seguir o trajeto tranquilamente.
A direção é outro ponto alto. A sensação é de estar sobre trilhos: o carro aponta exatamente para onde você olha, com respostas imediatas aos comandos do volante. Tudo acontece de maneira precisa, transmitindo confiança para explorar o desempenho sem que o conjunto pareça perder a compostura.
E o controle de largada? É simplesmente absurdo. A Porsche sabe fazer um launch control, e o resultado é uma aceleração que coloca o corpo contra o banco enquanto o carro dispara. É nesse momento que fica ainda mais evidente como a eletrificação foi aplicada para melhorar a performance, sem tirar o caráter esportivo do 911.
Na carroceria Cabriolet, a experiência ganha outro elemento. Como o motor fica na traseira, o som do boxer chega muito próximo dos ouvidos, especialmente com o teto recolhido. Dá para perceber o funcionamento do conjunto, as acelerações e até os ruídos característicos do turbo. Cada retomada vira parte da experiência, não apenas uma demonstração de velocidade.
O 911 GTS Cabriolet é daqueles carros que fazem você querer continuar dirigindo mesmo depois de devolver a chave. A precisão da direção, a força do conjunto híbrido e o som do motor praticamente atrás da sua cabeça tornam a experiência especial. E, apesar de a Targa continuar sendo minha carroceria favorita, esse Cabriolet amarelo Cartagena tem argumentos de sobra para me fazer mudar de ideia.
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