A troca de geração da Volkswagen Amarok na Argentina está gerando consequências além da simples mudança de plataforma. Após 16 anos produzindo a picape em General Pacheco, a Volkswagen prepara uma sucessora baseada na chinesa SAIC Maxus Interstellar X, o que já provoca a perda de contratos e a redução de operações na cadeia de fornecedores locais.
De acordo com um levantamento do "Autoblog Argentina", apenas 16 dos 60 fornecedores locais que atendem a Amarok atual estão envolvidos no novo projeto. O dado dimensiona a crise enfrentada pelas fabricantes de autopeças e mostra como a próxima picape tem uma origem industrial diferente da antecessora, que nasceu de um projeto alemão.
Leia Mais
-
Amarok terá edição de despedida; nova geração será fabricada ainda em 2026
-
Nova geração da Volkswagen Amarok é flagrada em testes no Brasil
Nova Amarok é mais chinesa que argentina
Ao anunciar a nova geração da picape, a Volkswagen destacou a participação de suas equipes sul-americanas em engenharia, desenho e testes para adaptar o veículo às condições locais. No entanto, a base do projeto é a Maxus Interstellar X, desenvolvida pela SAIC na China.
A futura Amarok utiliza a arquitetura da picape chinesa, compartilha boa parte de sua estrutura e pode aproveitar soluções mecânicas da SAIC. Isso resulta em menor dependência de fornecedores e da engenharia local. Embora a produção continue em Pacheco, o nível de integração com a indústria argentina será menor.
Fornecedores não conseguem novos contratos
A mudança ocorre em um momento difícil para a indústria automotiva argentina. No primeiro semestre de 2026, a fabricação nacional de veículos caiu 18,3%, pressionada pelo encerramento de modelos e pela demanda regional mais fraca.
O grupo Stellantis, por exemplo, reduziu o ritmo das linhas do Peugeot 208 e 2008 em El Palomar. No complexo de Ferreyra, eliminou um dos dois turnos dedicados à Fiat Titano e à Ram Dakota, com a previsão de produção caindo de 27 mil para 16,5 mil unidades em 2026.
Até mesmo a Ford Ranger, uma das picapes mais vendidas, teve a velocidade da linha de produção diminuída em General Pacheco para adequar o volume à demanda regional. Nesse cenário, os fornecedores de autopeças no país enfrentam dificuldades para encontrar novos contratos.
• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!