A obrigatoriedade da frenagem automática de emergência (AEB) em todos os carros novos fabricados no Brasil, estabelecida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para vigorar a partir de 1º de janeiro de 2029, já levanta a principal dúvida para o consumidor: o preço vai subir?
Faltando menos de três anos para a regra entrar em vigor, a resposta curta é que sim, um impacto inicial é esperado, mas o cenário a longo prazo pode ser diferente.
O sistema AEB utiliza sensores, radares e câmeras para detectar obstáculos e acionar os freios de forma autônoma, caso o motorista não reaja a um perigo iminente. A integração desses componentes representa um custo adicional na linha de produção, que tende a ser repassado, ao menos em parte, para o preço final do veículo.
Contudo, a produção em larga escala é um fator crucial para a diluição desse custo. A história da indústria automotiva mostra que itens de segurança, como os freios ABS, os airbags, seguiram o mesmo caminho. Inicialmente caros e opcionais, eles se tornaram mais acessíveis conforme a obrigatoriedade massificou sua fabricação e otimizou a cadeia de suprimentos.
A expectativa é que o mesmo fenômeno ocorra com a frenagem automática. O aumento da demanda global e nacional por esses sistemas incentiva o desenvolvimento de tecnologias mais baratas e eficientes pelos fornecedores de peças.
Produção nacional pode reduzir custos
Um fator que pode influenciar positivamente os custos é o desenvolvimento de tecnologia nacional. Um projeto em andamento no Senai Park de Suape, em Pernambuco, está criando um sensor ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) brasileiro. Com um investimento de R$ 44 milhões, a iniciativa envolve a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e montadoras como Volkswagen e Stellantis, buscando baratear e nacionalizar a produção desses componentes.
Qual o objetivo da medida?
A medida busca reduzir o número de acidentes e atropelamentos, principalmente em ambientes urbanos. O sistema é especialmente eficaz em evitar ou diminuir a gravidade de colisões traseiras em velocidades de 10 km/h a 60 km/h, uma das ocorrências mais comuns no trânsito das grandes cidades.
O impacto no preço será sentido com mais força nos carros de entrada, onde cada componente extra tem um peso maior no valor total. A análise do setor, no entanto, é que o avanço tecnológico e a produção em massa tornem o sistema AEB um item com custo marginal nos próximos anos, assim como ocorreu com outras tecnologias de segurança hoje consideradas padrão.
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