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Correia vs Corrente

Correia dentada vs. corrente de comando: o que a polêmica do Onix ensinou

A falha na correia úmida levou a Chevrolet a reformular o sistema nos modelos 2026; entenda a diferença entre as tecnologias e qual a melhor para o seu carro

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Correia dentada do motor
Correia dentada do motor Foto: Reprodução

A polêmica envolvendo a correia dentada de modelos como o Chevrolet Onix e o Tracker, que marcou os anos de 2024 e 2025, levou a fabricante a reformular o sistema e reacendeu um debate clássico no mundo automotivo. A falha, que podia causar danos severos ao motor, trouxe à tona a dúvida de muitos motoristas: afinal, qual sistema é melhor, a correia dentada ou a corrente de comando?

Ambos os sistemas, correia e corrente, têm a mesma função vital: sincronizar o movimento do virabrequim com o do comando de válvulas. Esse sincronismo perfeito garante que as válvulas abram e fechem no momento exato, permitindo a queima de combustível e o funcionamento do motor. Se essa sincronia falha, o prejuízo é quase certo.

Correia dentada: mais barata, porém com prazo de validade

A correia dentada é a solução mais comum em carros populares. Feita de borracha de alta resistência, com malhas de fibra e nylon, ela é mais leve, silenciosa e barata de produzir. Essa economia se reflete tanto no preço do carro novo quanto no custo de sua troca.

Seu principal ponto fraco é a durabilidade limitada. A troca preventiva é obrigatória e varia conforme o manual do proprietário, geralmente entre 50 mil e 100 mil quilômetros. Ignorar esse prazo é arriscado, pois se a correia arrebentar com o motor em funcionamento, o choque entre pistões e válvulas pode exigir uma retífica completa, serviço que custa caro.

Corrente de comando: robustez que custa mais

Sincronismo do motor feito por corrente
Sincronismo do motor feito por corrente Foto: Reprodução/Internet

A corrente de comando, por outro lado, é um componente metálico, muito semelhante a uma corrente de bicicleta, porém mais robusta. Sua grande vantagem é a durabilidade. Na teoria, ela foi projetada para durar toda a vida útil do motor, dispensando trocas preventivas.

Essa robustez, no entanto, tem um custo. A corrente é mais pesada, pode gerar um pouco mais de ruído e é mais cara de se fabricar. Caso necessite de substituição, o que é raro, o serviço é complexo e significativamente mais caro que a troca de uma correia, pois geralmente exige a abertura do motor.

O caso do Onix: o problema e a solução

correia dentada banhada em oleo espirrando no motor
Correia dentada banhada a óleo Foto: Em alguns motores, a correia dentada banhada em óleo tem durabilidade prevista de 200 mil quilômetros

O problema que afetou unidades do Chevrolet Onix, Tracker e Onix Plus envolveu uma solução de correia dentada que trabalha banhada em óleo, conhecida como 'correia úmida'. Embora o projeto buscasse unir o silêncio da correia com a durabilidade ampliada pela lubrificação, falhas foram registradas. A degradação prematura do componente, causada pela contaminação do óleo ou uso de lubrificante inadequado, levou a rompimentos e, em casos graves, a danos severos ao motor.

A solução implementada na linha 2026

Diante da repercussão, a Chevrolet implementou uma solução definitiva a partir da linha 2026, lançada em meados de 2025.  A fabricante trocou o fornecedor do componente (da Continental para a Dayco) e adotou uma nova correia, reformulada com reforços de fibra de vidro e revestimento de teflon para maior resistência. Além disso, a montadora estendeu a garantia do componente para 240 mil quilômetros, de forma retroativa para modelos fabricados desde 2020, reforçando a confiança na nova tecnologia.

O caso do Onix demonstrou que a escolha entre os sistemas impacta diretamente a manutenção e a confiabilidade. Enquanto a corrente de comando continua sendo uma referência em durabilidade, a tecnologia da correia dentada, inclusive a úmida, evoluiu. A lição é clara: independentemente do sistema, seguir rigorosamente o plano de manutenção do fabricante, especialmente em relação à especificação do óleo, é fundamental para garantir a longevidade do motor.

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