A Tesla segue sendo uma das maiores fabricantes de carros elétricos do planeta. Mesmo com bons números de vendas, Elon Musk, CEO da companhia, investe no sistema de condução autônoma como a principal tecnologia da marca para os próximos anos. Mesmo com adiamentos e atrasos, o executivo afirma que o sistema será revolucionário, mas os funcionários da marca discordam.
Segundo uma investigação conduzida pela agência de notícias Reuters, que ouviu funcionários e ex-funcionários do programa Full Self-Driving (nome do sistema autônomo da marca), o sistema não funcionará da forma que o CEO da companhia tanto espera.
De acordo com a Reuters, engenheiros de software, pesquisadores, treinadores de IA e experts de segurança envolvidos no projeto declaram que o sistema tem dificuldade para lidar com diversas situações de trânsito como controle de velocidade, pedestres, zonas de construção e ônibus escolares.
Vários ex-funcionários ouvidos pela Reuters, inclusive, declararam que não confiam no sistema para conduzi-los.
A agência de notícias afirma que há uma equipe chamada de “time trauma”, que é a responsável por analisar situações críticas de acidentes e quase acidentes com pedestres e crianças, por exemplo. Essa equipe divulgou que o sistema faz com que os carros da Tesla acertem animais, ignorem situações de perigo ou só pedem intervenção humana “no último segundo possível”.
Musk diz o contrário
Segundo Elon Musk, o sistema de condução autônoma da Tesla é mais seguro que humanos dirigindo, e usa estatística para tentar provar seu ponto.
O problema, de acordo com analistas externos, é que a Tesla compara batidas que envolvem acionamento de airbag de veículos com o sistema FSD contra a base de dados americana completa, que envolve batidas pequenas.
Os pesquisadores independentes criticam o fato da Tesla se comparar com a frota total dos Estados Unidos, que conta com carros muito mais antigos, e portanto, sem sistemas avançados de segurança.
A questão é ainda mais profunda, uma vez que os pesquisadores afirmam que a Tesla só considera acidente caso a batida aconteça 5 segundos após a desativação do sistema. Nos Estados Unidos, as normas de segurança usam 30 segundos como tempo de reporte.
O uso dessa metodologia acaba mostrando que o sistema é muito mais seguro do que ele de fato seria em uma comparação justa.
A investigação da Reuters mostra que a equipe da Tesla sabe de todas as dificuldades que envolvem a condução autônoma e segue trabalhando para desenvolver o sistema. Por outro lado, o principal representante da companhia segue declarando que a condução autônoma é algo praticamente imediato e está cada vez mais próximo.
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