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DESMENTIU

Volkswagen nega negociação com rivais chinesas por fábricas na Europa

A declaração foi feita pelo presidente-executivo Oliver Blume em meio à crescente especulação sobre o futuro de unidades ociosas do grupo alemão

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Volkswagen
Volkswagen Foto: Divulgação

A Volkswagen afirmou, nesta quarta-feira (20), que não mantém negociações com montadoras chinesas para compartilhar ou vender capacidade de produção em suas fábricas na Europa. A declaração foi feita pelo presidente-executivo Oliver Blume em meio à crescente especulação sobre o futuro de unidades ociosas do grupo alemão.

Segundo Blume, a companhia enfrenta um problema de excesso de capacidade industrial, mas não há conversas em andamento com fabricantes da China. A fala ocorreu durante encontro com trabalhadores em Wolfsburg, sede da empresa na Alemanha.

Fábrica de Dresden
Fábrica de Dresden Foto: Reprodução/Krisztian Bocsi/Bloomberg

Nos últimos meses, rumores sobre possíveis acordos entre a montadora alemã e grupos chineses ganharam força após reportagens indicarem que empresas asiáticas avaliavam produzir veículos em plantas europeias da Volkswagen. A discussão ganhou destaque principalmente depois de comentários do próprio Blume sobre a possibilidade de aproveitar tecnologias desenvolvidas na China ou compartilhar estruturas industriais.

Pressão da concorrência chinesa

Fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, monta Dolphin Mini, sucesso no Brasil
Fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, monta Dolphin Mini, sucesso no Brasil Foto: Divulgação/BYD

A fabricante alemã vem sofrendo pressão crescente das montadoras chinesas, sobretudo no mercado de veículos elétricos. Empresas como a XPeng e a BYD ampliaram rapidamente sua presença global, oferecendo modelos mais baratos e tecnologicamente competitivos.

A própria Volkswagen reconheceu recentemente impactos dessa concorrência em mercados estratégicos, como o Brasil. Executivos da companhia admitiram que a entrada agressiva de marcas chinesas tem pressionado preços e reduzido o valor de revenda de veículos da marca alemã.

Além da pressão externa, o grupo atravessa um amplo processo de reestruturação. A empresa implementa um programa de corte de custos com previsão de milhares de demissões, especialmente nas divisões da Audi e da Porsche. Ainda assim, a direção afirma que não pretende fechar fábricas na Alemanha, compromisso firmado em acordos com sindicatos locais.

Representantes trabalhistas têm cobrado mais clareza da administração. Daniela Cavallo, líder do conselho de trabalhadores da Volkswagen, criticou as especulações sobre fechamento de unidades e possíveis joint ventures com chineses, argumentando que isso transmite fragilidade ao mercado.

Mesmo negando negociações atuais, a Volkswagen continua aprofundando relações comerciais e tecnológicas com empresas chinesas. A montadora possui parcerias históricas no país asiático e considera a China um mercado essencial para sua estratégia global de eletrificação e inovação automotiva.