Um caso envolvendo o Jeep Commander reacendeu um debate importante sobre transparência no mercado automotivo brasileiro. Um proprietário do modelo 2025 venceu uma ação judicial contra a Stellantis após descobrir que o sistema de som anunciado como Harman Kardon utilizava, na prática, componentes identificados como Mopar. A decisão foi proferida em Belo Horizonte e pode abrir precedente para outros consumidores.
O caso começou quando o dono do veículo passou a investigar a origem do sistema de áudio após ler relatos semelhantes na internet. Ao consultar o catálogo de peças, identificou que os alto-falantes não eram da Harman Kardon, mas sim da Mopar, divisão de peças do próprio grupo Stellantis. A situação gerou questionamentos sobre o que, de fato, estava sendo entregue no carro vendido como equipado com sistema de som premium.
Na prática, o ponto central da discussão não é apenas o técnico, como também o comercial, visto que o consumidor comprou o carro acreditando que teria um sistema completo da Harman Kardon, marca reconhecida mundialmente no segmento de áudio. Porém, ao descobrir que os componentes físicos não correspondiam ao que era sugerido no marketing, a percepção foi de propaganda enganosa.
A Stellantis, por sua vez, se defendeu afirmando que o sistema é, sim, Harman Kardon, mas no conceito de projeto acústico. Segundo a montadora, o que define um som premium não é a marca estampada em cada peça, mas sim o conjunto formado por amplificador, calibração, software e validação da marca. Esse tipo de prática, segundo a empresa, é comum na indústria global.
A juíza responsável pelo caso destacou que essa distinção técnica não foi explicada ao consumidor no momento da compra. O veículo foi vendido destacando o sistema Harman Kardon como diferencial, sem deixar claro que os componentes não necessariamente seriam da marca, o que fere o direito à informação.
Além do caso judicial, o tema ganhou ainda mais força com o aumento de reclamações de proprietários sobre a qualidade do som. Relatos apontam problemas como distorção nos graves, vibração nas portas e desempenho abaixo do esperado para um carro na faixa dos R$ 300 mil. Isso reforça a frustração de quem esperava um sistema de áudio premium de fato.
O episódio levanta uma discussão maior sobre o uso de marcas premium na indústria automotiva. Cada vez mais, montadoras utilizam nomes como Harman Kardon, Bose e Beats como argumento de venda, mesmo quando esses sistemas não são integralmente compostos por peças desses fabricantes.
Com a decisão, cresce a pressão para que montadoras revisem a forma como comunicam esses equipamentos ao público. O caso do Commander mostra que o consumidor brasileiro está mais atento e disposto a questionar promessas que não se confirmam na prática. A partir deste acontecimento, a tendência é que esse tipo de discussão ganhe ainda mais espaço no setor.
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