O CEO da Ford, Jim Farley, alertou publicamente a indústria dos Estados Unidos contra a chegada de marcas chinesas no seu país. Cada vez mais próximas de entrar no vizinho Canadá, os EUA são o mercado que falta para as chinesas venderem seus carros. Em entrevista recente, Farley afirmou que esse movimento pode ser “devastador” para a indústria americana.
“Não devemos deixá-los entrar em nosso país. A fabricação é o coração e a alma do nosso país, e perder isso para os importados será devastador para nosso país. Tenho certeza que não vamos deixar eles passarem pela fronteira”, afirmou o executivo.
Farley ainda criticou o fato de que algumas fabricantes chinesas contam com o apoio estatal chinês, algo que não acontece nos Estados Unidos, segundo o executivo, e faz com que a luta por preços baixos, mais atrativos para os clientes, não seja justa.
O norte-americano afirmou até que a chegada dos carros chineses podem representar uma ameaça para a segurança nacional: “Todos esses veículos possuem 10 câmeras, eles podem coletar muita informação.”
Apesar das palavras duras, Farley já elogiou muito a indústria chinesa. Em 2024, inclusive, o americano declarou que a estava dirigindo um Xiaomi SU7 diariamente por cerca de seis meses e “não queria abrir mão” do modelo asiático.
Após o desmonte de carros da Xiaomi e Tesla, Farley declarou que os carros elétricos das fabricantes tradicionais estavam muito atrasados em termos de qualidade e custos, e isso pode explicar por que o executivo as enxerga como ameaça.
Trump cogita flexibilidade
Os comentários de Jim Farley não são aleatórios. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fixou a tarifa de importação de carros chineses em 100%, independente de serem fabricados na China ou no vizinho México, onde muitos carros vendidos nos EUA são produzidos.
Segundo a agência de notícias Bloomberg, Trump declarou em janeiro que pode deixar as fabricantes chinesas atuarem nos Estados Unidos, desde que fabriquem seus carros no país e contratem funcionários americanos.
Farley, inclusive, acredita que as empresas da China que desejam atuar nos EUA devem estabelecer joint-ventures (parcerias) com as fabricantes americanas e que a maior parte das ações sejam americanas. Esse modelo de gestão foi muito utilizado pela China no início da sua industrialização, especialmente com fabricantes americanas e alemãs.
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