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Controvérsia

BYD entra em "lista suja" do Brasil por trabalho análogo à escravidão

Montadora é responsabilizada por condições degradantes em obra de fábrica na Bahia

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Funcionários da BYD trabalhando em Camaçari (BA)
Funcionários da BYD trabalhando em Camaçari (BA) Foto: Divulgação/BYD

A BYD foi incluída pelo governo brasileiro no cadastro de empregadores envolvidos com trabalho em condições análogas à escravidão, após investigações sobre a construção de sua fábrica em Camaçari, na Bahia. A decisão tem como base um caso de 2024 que revelou graves irregularidades envolvendo trabalhadores chineses contratados por uma empresa terceirizada.

Segundo autoridades, cerca de 160 operários foram encontrados em condições degradantes, com jornadas exaustivas, retenção de passaportes e restrições de salário. Também foram identificados alojamentos superlotados e falta de condições básicas de higiene, cenário classificado pelos fiscais como equivalente a trabalho escravo contemporâneo.

Linha de produção da BYD 100% nacional
Linha de produção da BYD Foto: Divulgação/Iracema Chequer

Embora os trabalhadores tenham sido contratados por uma empreiteira, o governo brasileiro entende que a BYD é responsável pelas condições, já que deveria supervisionar suas contratadas. A montadora afirma que não tinha conhecimento das irregularidades até a repercussão do caso, mas ainda assim acabou incluída na chamada “lista suja”, onde deve permanecer por pelo menos dois anos.

Na prática, a inclusão não impede a operação da empresa no país, mas traz impacto reputacional e pode restringir o acesso a linhas de crédito públicas. O episódio ocorre justamente no momento em que o Brasil se consolida como principal mercado da BYD fora da China, com investimentos pesados em produção local e expansão da marca.

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