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Segurança privada

Novos materiais prometem deixar a blindagem automotiva mais leve e acessível

Setor combina novas tecnologias, escala de produção e crescimento da frota para ampliar o acesso à proteção veicular em 2026

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Cerca de 425 mil veículos da frota nacional são blindados
Cerca de 425 mil veículos da frota nacional são blindados Foto: Divulgação

De olho em 2026, fabricantes e empresas especializadas em blindagem automotiva apontam a adoção de novos materiais e a otimização dos processos produtivos como os principais motores de transformação do setor. Polímeros de ultra-alto peso molecular, aramidas e outros polímeros de alta resistência começam a ganhar espaço como alternativas ao aço, permitindo reduzir o peso da blindagem sem comprometer a proteção. “Alguns compostos à base de UHMWPE mostram que já existem alternativas ao aço que combinam resistência balística com redução de massa, que jogam a favor da dirigibilidade e do consumo dos veículos”, afirma Flavio Galhardo, especialista em gestão de riscos e segurança.

A modernização dos processos também deve contribuir para tornar a blindagem mais acessível. O aumento da concorrência entre blindadores, as economias de escala na cadeia de suprimentos e a maior automação industrial tendem a reduzir custos e prazos de instalação. Nesse cenário, soluções modulares, que permitem blindagem parcial ou escalonada conforme o orçamento e a necessidade do cliente, surgem como uma alternativa para ampliar o público interessado nesse tipo de proteção.

O contexto urbano brasileiro segue como um dos principais fatores por trás da demanda por veículos blindados. Embora o país apresente queda gradual nas taxas de homicídio ao longo da última década, os números ainda são elevados, especialmente nos grandes centros. Em 2023, foram registrados 45.747 homicídios, o equivalente a 21,2 casos por 100 mil habitantes. Para Galhardo, esse cenário mantém a blindagem em evidência no mercado automotivo. “Essas dinâmicas preservam a relevância do mercado de blindagem como uma solução privada de segurança para usuários de diferentes perfis”, destaca.

O mercado de blindagem automotiva no Brasil encerra 2025 em ritmo de crescimento e com perspectivas positivas para os próximos anos, impulsionado tanto pela demanda consistente quanto pela evolução tecnológica. Apenas no primeiro semestre do ano, 22.425 veículos foram blindados no país, contribuindo para uma frota nacional estimada em cerca de 425 mil unidades. O resultado reforça a trajetória de expansão observada desde 2021 e sucede o recorde histórico de 34.402 veículos blindados registrado em 2024.

Eventos e fóruns especializados realizados ao longo de 2025 também colocaram em pauta temas como a blindagem de veículos híbridos e elétricos, além do uso de materiais avançados, como o grafeno. A expectativa do setor é de maior integração entre fornecedores de matéria-prima, empresas de blindagem e o mercado automotivo, incluindo frotas corporativas.

Para quem avalia a compra de um veículo blindado, a recomendação é ir além do preço. Nível balístico, impacto no desempenho, garantias técnicas e certificações das oficinas e dos materiais são fatores decisivos. “A recomendação é acompanhar os desdobramentos regulatórios e as certificações do Exército Brasileiro, órgão responsável por autorizar e homologar blindagens civis, assim como os relatórios setoriais que atualizam a frota e as estatísticas de conversão”, conclui Galhardo.