Carros à venda atualmente são os mais seguros já fabricados, mas também podem ser os mais irritantes de dirigir. Quem já se viu bombardeado por alertas de saída de faixa, avisos de limite de velocidade ou de monitoramento do motorista não está sozinho. A própria organização responsável por avaliar a segurança veicular acredita que alguns sistemas foram longe demais.
Carla Hoorweg, CEO do órgão independente de segurança automotiva ANCAP, afirmou que o foco não é mais apenas se os sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) funcionam. A entidade passará a avaliar se eles são tão invasivos a ponto de os condutores os desligarem.
A mudança acompanha a popularização de tecnologias de segurança obrigatórias em veículos novos na Austrália, como suporte de faixa, assistência de velocidade e sistemas de monitoramento do motorista. "Fizemos essas alterações para pressionar os fabricantes a garantir que seus sistemas sejam ajustados para as condições de direção locais", disse Hoorweg.
Como serão as novas avaliações
Os protocolos atualizados para 2026 darão maior ênfase ao comportamento desses sistemas na condução diária. Engenheiros do ANCAP realizarão avaliações em estradas reais, além dos tradicionais testes em pista.
Isso inclui verificar se os sistemas de suporte de faixa estão calibrados adequadamente para as vias locais, a precisão com que os veículos reconhecem as placas de velocidade e até o nível de irritação que seus avisos causam. "Agora estamos começando a avaliar o quão irritantes esses sistemas são", afirmou a executiva.
O objetivo é incentivar as montadoras a desenvolverem tecnologias que os motoristas realmente queiram deixar ligadas, em vez de alertas que interrompem ou distraem constantemente. "[Para] não termos esses carros com bipes horrendos", completou.
Alertas além dos sons
Hoorweg destacou que o ANCAP não exige que os fabricantes usem alertas sonoros. "A propósito, bipes, nós não exigimos bipes", declarou. As montadoras podem utilizar diferentes métodos de aviso, incluindo prompts visuais ou feedback tátil através do volante.
Segundo ela, alguns dos sistemas mais bem implementados usam uma resposta tátil, proporcionando "uma experiência de condução muito mais confortável do que bipes constantes".
Sistemas de suporte de faixa serão avaliados pela naturalidade com que intervêm e pela suavidade com que devolvem o controle ao motorista. Já os de monitoramento devem adaptar seu comportamento dependendo se o condutor parece atento, distraído ou fatigado.
A orientação da entidade afirma que sistemas bem projetados devem apoiar os motoristas, "não irritá-los". Com isso, a ANCAP quer que os fabricantes provem que podem oferecer segurança que funcione de forma eficaz sem se tornar uma distração.
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