Uma verdadeira corrida pelo "combustível do futuro" está em pleno andamento no Brasil, que já conta com mais de 21 mil estações de recarga. Gigantes do setor de energia, tradicionais redes de postos e as próprias montadoras de veículos disputam cada centímetro desse crescente mercado. Essa competição acirrada define não apenas quem dominará a infraestrutura, mas também quanto o consumidor pagará para rodar.
De um lado, empresas como Raízen (licenciada da Shell), Vibra (antiga BR Distribuidora) e Ipiranga correm para adaptar suas redes. A estratégia é aproveitar os pontos comerciais já consolidados para instalar carregadores rápidos, transformando a parada para o café em uma oportunidade de recarga. A lógica é simples: manter o cliente fiel em uma nova era da mobilidade.
Do outro lado, as montadoras, como BYD — que lidera o mercado com 45% de participação —, GWM e Volvo, investem pesado em redes próprias ou em parcerias estratégicas. Para elas, ter uma infraestrutura de recarga confiável é fundamental para quebrar a desconfiança do consumidor e, claro, vender mais carros. A oferta de carregadores se tornou um poderoso argumento de venda.
Correndo por fora, surgem as empresas especializadas, como EZVolt e Tupinambá, que focam exclusivamente na gestão e instalação de eletropostos em locais estratégicos, como shoppings, supermercados e condomínios, apostando na conveniência do dia a dia.
Quanto custa "encher o tanque"?
A principal dúvida do consumidor está no bolso. Atualmente, o custo para carregar um carro elétrico varia drasticamente dependendo do local. A opção mais econômica, de longe, é a recarga doméstica. Considerando uma tarifa média de R$ 1 por kWh em São Paulo, encher uma bateria de 60 kWh, que oferece cerca de 400 km de autonomia no ciclo INMETRO/PBEV, custaria aproximadamente R$ 60.
Já nos eletropostos públicos de recarga rápida, o cenário muda. O valor por kWh pode variar entre R$ 2 e R$ 2,80. Nessas condições, a mesma recarga de 60 kWh saltaria para uma faixa de R$ 120 a R$ 168. A diferença de preço se justifica pelo alto custo dos equipamentos de alta potência, manutenção e o modelo de negócio das operadoras.
Para o motorista, essa guerra de mercado traz um benefício imediato: a rápida expansão da rede. Em apenas um ano, a oferta de recarga rápida pública cresceu 167%, e a proporção atual é de 19,6 veículos por eletroposto, considerada saudável. A competição força os players a oferecerem melhores localizações e tecnologia mais avançada. A tendência é que, com o aumento da concorrência e a maturação do setor, os preços se tornem mais competitivos e os modelos de cobrança, mais claros para o usuário final.
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