A ausência de uma versão com sete lugares em diversos SUVs médios vendidos no Brasil, como o Jeep Compass e o Volkswagen Taos, ilustra uma questão recorrente no mercado: por que tantos modelos de porte considerável não oferecem mais assentos?
A discussão, que periodicamente ganha força com a chegada de novidades, como o Renault Boreal, revela uma complexa equação que envolve custos, engenharia e estratégia de mercado, frustrando famílias que buscam mais espaço.
Na prática, transformar um carro de cinco para sete lugares não é tão simples quanto parece. A mudança exige um novo projeto para a parte traseira do veículo, o que impacta diretamente os custos de produção e, consequentemente, o preço final ao consumidor.
Essa adaptação vai muito além de apenas instalar bancos extras no porta-malas. As alterações de engenharia necessárias costumam ser profundas e caras. Entre as principais modificações estão:
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Reforço estrutural: o assoalho traseiro precisa ser redesenhado para acomodar os assentos e garantir a segurança dos ocupantes em caso de colisão.
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Suspensão recalibrada: o conjunto de suspensão traseiro deve ser ajustado ou até mesmo substituído para suportar o peso extra dos passageiros e da nova estrutura.
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Sistema de climatização: é fundamental instalar saídas de ar-condicionado dedicadas para a terceira fileira, o que demanda novos dutos e componentes.
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Itens de segurança: a inclusão de cintos de segurança de três pontos e pontos de ancoragem específicos para os novos assentos é obrigatória.
Estratégia para não canibalizar vendas
Outro fator crucial é o posicionamento do produto dentro do portfólio da marca. Muitas vezes, uma montadora já possui um SUV maior e mais caro que cumpre a função de oferecer sete lugares. Lançar uma versão estendida de um modelo menor poderia criar uma concorrência interna, um fenômeno conhecido como canibalização de vendas.
Dessa forma, a empresa prefere direcionar o cliente que precisa de mais espaço para o veículo de categoria superior, que geralmente possui uma margem de lucro maior, protegendo as vendas do modelo mais caro.
As exceções que confirmam a regra
Apesar desse cenário, algumas marcas continuam apostando em SUVs com sete lugares, muitas vezes transformando essa característica em seu principal diferencial. Modelos como o Jeep Commander, o Caoa Chery Tiggo 8 e o Mitsubishi Outlander são exemplos de sucesso nesse nicho, provando que há uma demanda consolidada por essa configuração.
Esses veículos foram projetados desde o início para acomodar a terceira fileira ou pertencem a estratégias que visam preencher exatamente essa lacuna no mercado.
Por fim, há a questão da própria usabilidade. Em muitos SUVs médios adaptados, a terceira fileira oferece espaço limitado, sendo adequada principalmente para crianças ou para uso em trajetos curtos.
Para as fabricantes, o alto investimento para desenvolver uma solução que pode ser vista como um 'quebra-galho' nem sempre compensa. Assim, a escolha entre oferecer ou não os sete lugares continua sendo um balanço delicado entre a demanda do consumidor e a viabilidade estratégica e financeira de cada projeto.
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