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Porsche Cayenne GTS: luxo, desempenho e uma dose de insanidade

V8 biturbo, suspensão ativa e direção precisa fazem do GTS uma das versões mais interessantes da linha Cayenne para você viajar com a família ou então se divertir nas estradas

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Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

No começo dos anos 2000, a Porsche atravessava uma situação financeira bastante complicada e precisava encontrar uma forma de voltar a crescer. Foi justamente aí que surgiu o Cayenne. O SUV acabou se tornando um dos grandes responsáveis pela recuperação da marca e, desde então, ganhou um papel bastante especial dentro da história da Porsche.

Por isso, dirigir um Cayenne nunca é apenas dirigir um SUV. E quando falamos da versão GTS, a receita fica ainda mais interessante. Ela consegue reunir boa parte da esportividade que a Porsche tem a oferecer, mas sem chegar ao extremo de versões como Turbo e Turbo GT. Ao mesmo tempo, também está longe de ser uma configuração comportada demais.

É justamente esse equilíbrio que faz do Cayenne GTS um carro tão interessante.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

Um Cayenne que chama atenção

O Cayenne GTS tem preço inicial de R$ 1.120.000. Porém, a unidade que eu avaliei chegou a R$ 1.208.238 por conta dos opcionais. E é bom deixar claro que esse valor pode subir bastante dependendo da configuração escolhida.

A versão GTS utiliza a carroceria Coupé, que, particularmente, é a que mais mexe comigo. O desenho fica mais esportivo e dá ao Cayenne uma aparência mais agressiva, sem abrir mão daquela imponência característica do SUV.

Curiosamente, a versão mais extrema da linha, a Turbo GT, utiliza a carroceria tradicional do Cayenne. Então, para quem gosta de um visual mais esportivo, o GTS Coupé acaba tendo um charme especial.

E, mesmo sendo um SUV grande, ele não passa despercebido. O desenho tem proporções muito bem resolvidas e transmite aquela sensação de que existe alguma coisa "insana" escondida debaixo do capô.

Por dentro, luxo com pegada esportiva

Por dentro, a proposta do GTS fica bastante evidente. Há bastante revestimento em Race-Tex, material que lembra camurça ou Alcantara e que tem forte ligação com os carros de competição. Mas não pense que isso significa abrir mão do conforto.

Os bancos são extremamente confortáveis e abraçam muito bem o corpo. Há diversas possibilidades de regulagem e você consegue encontrar uma posição bastante firme para dirigir, sem aquela sensação de estar sentado em um banco desconfortável só porque o carro tem uma proposta esportiva.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

O volante também merece destaque. Ele tem uma pegada mais fina, que particularmente me agrada bastante, e passa muita firmeza nas mãos. Também conta com comandos multifuncionais e aquecimento, mostrando que o GTS consegue misturar muito bem esportividade e conforto.

E espaço definitivamente não é um problema. Tanto quem vai na frente quanto quem ocupa a segunda fileira encontra bastante espaço. Não é à toa que o Cayenne tem entre-eixos próximo dos 2,90 metros.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

A central multimídia e o sistema de som também cumprem muito bem o papel, mas confesso que, nesse carro, existe um sistema de som que consegue chamar muito mais a atenção. O V8.

O V8 que faz você esquecer o Spotify

O Cayenne GTS é equipado com um V8 4.0 biturbo que entrega 500 cv e 67,3 kgfm de torque, com toda essa força disponível em baixa rotação.

É o mesmo motor utilizado no Cayenne Turbo GT, mas aqui ele aparece com uma calibração diferente, mais adequada à proposta do GTS. A ideia não é simplesmente transformar o Cayenne em um carro de pista, mas encontrar um equilíbrio entre desempenho, conforto e utilização no dia a dia.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

O V8 trabalha em conjunto com um câmbio automático de oito marchas que faz as trocas na velocidade do pensamento. É tudo muito rápido. Você mal percebe a transmissão trabalhando e, quando percebe, já está em outra marcha.

Mas existe algo que os números não conseguem explicar. O som.

A sinfonia desse V8 é provavelmente uma das coisas que mais cativam nesse carro. Quando você acelera de verdade, o ronco grave invade a cabine e, a cada troca de marcha, os estouros do escapamento deixam a experiência ainda mais visceral.

Se você pegar um túnel e resolver dar uma aceleradinha, provavelmente vai entender exatamente o que estou falando. Parece as trombetas do apocalipse, mas com os anjos dos carros tocando elas.

É aquele tipo de carro que faz você olhar para o painel e pensar: "eu realmente estou dentro de um SUV?"

V8 também cobra a conta

E, claro, toda essa força tem um preço. Não estou falando apenas dos mais de R$ 1,2 milhão dessa unidade, mas também do combustível.

Durante os meus testes, a melhor média que consegui fazer na cidade foi de 4,5 km/l. Já na estrada, o Cayenne GTS conseguiu entregar até 9,3 km/l, um número que, considerando o tamanho do carro, o peso e, principalmente, um V8 4.0 biturbo debaixo do capô, até que é bastante condizente.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

Por outro lado, em uma condução mais tranquila, principalmente na estrada, o Cayenne consegue ser mais racional do que eu imaginava. A transmissão de oito marchas ajuda bastante, mantendo o motor em rotações mais baixas quando você não está exigindo tudo dele.

No fim, não dá para comprar um Cayenne GTS esperando economia. Você compra sabendo que está levando um V8 para casa. E, nesse caso, o consumo faz parte do pacote.

É aquela velha história: Cavalo que anda, bebe!

Launch Control é uma pancada

O Cayenne GTS também conta com o pacote Sport Chrono, embutido na versão, que libera uma série de recursos voltados para o desempenho.

Entre eles estão os modos Sport e Sport Plus, além do Launch Control e do botão Sport Response. E o Launch Control é uma das coisas mais absurdas desse carro.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

A sensação é de que a Porsche encontrou uma maneira de fazer o carro parecer ainda mais potente do que os próprios números indicam. A saída é extremamente forte e a velocidade aumenta com uma facilidade que pode até assustar quem não está acostumado com carros desse nível, como se eu tivesse acostumado com isso. É uma patada seca.

Você afunda o acelerador, o carro se prepara e, quando solta o freio, parece que alguém simplesmente chutou o Cayenne para frente.

Já o Sport Response entrega aquele famoso overboost temporário, por cerca de 20 segundos, deixando o carro ainda mais disposto para uma ultrapassagem ou simplesmente para quando você quiser extrair o máximo do conjunto.

E, convenhamos, nem sempre você precisa de uma ultrapassagem para apertar esse botão.

Ao volante, ele parece um hatch

Mas é quando você começa a guiar o Cayenne GTS que percebe onde a Porsche realmente fez mágica. O que mais me impressionou logo de cara foi a direção.

Estamos falando de um SUV enorme, com quase cinco metros de comprimento e mais de dois metros de largura. Só que, ao volante, a sensação é completamente diferente. O Cayenne tem um comportamento que lembra muito mais o de um hatch esportivo do que o de um SUV desse tamanho.

A direção é extremamente direta. Você vira o volante e a dianteira responde imediatamente, quase sem aquele atraso que normalmente esperamos de um carro grande. É apontar para onde você quer e ele simplesmente vai.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

E não é apenas uma questão de ser rápida. Ela também é muito precisa. Em uma curva, você consegue colocar o carro exatamente onde quer, fazendo pequenas correções no volante e percebendo imediatamente a resposta das rodas. É uma comunicação muito boa entre motorista e carro.

Isso é especialmente impressionante porque, olhando de fora, você não imagina que um Cayenne consiga ter esse comportamento. Você entra nele sabendo que está em um SUV grande, mas depois de alguns quilômetros começa a esquecer completamente o tamanho do carro.

É aquele tipo de situação em que você olha para o carro e pensa: "não é possível que isso aqui tenha quase cinco metros".

E acho que esse é um dos grandes méritos do Cayenne GTS. A Porsche conseguiu fazer com que um carro grande pareça pequeno quando você está dirigindo. Ele não tem aquele comportamento de SUV pesado, desajeitado e que precisa ser conduzido com antecedência. Você aponta, vira o volante e ele responde.

No fim, a sensação é de estar guiando um carro muito menor do que realmente é. E, para mim, isso é uma das características que mais diferenciam o Cayenne GTS de outros SUVs de alto desempenho.

A suspensão foi o que mais me impressionou

Mas, apesar de todo o espetáculo proporcionado pelo V8, foi outro componente que mais me impressionou no Cayenne GTS: a suspensão.

O carro utiliza um sistema de suspensão ativa capaz de fazer ajustes extremamente rápidos nos amortecedores conforme as condições do piso e o modo de condução escolhido.

Na prática, isso significa que o Cayenne consegue ler muito bem o terreno e adaptar seu comportamento em uma velocidade impressionante.

Porsche Cayenne GTS
Porsche Cayenne GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

No modo mais confortável, o resultado chega a ser quase inacreditável. Você passa por uma lombada e a sensação é de que passou por cima de um pequeno montinho de areia. O carro absorve muito bem as imperfeições e praticamente não deixa a carroceria ficar balançando.

É impressionante como um SUV desse tamanho com proposta esportiva consegue ser tão confortável.

Você coloca o carro no Sport e começa a perceber imediatamente que alguma coisa mudou. A suspensão fica mais firme, o Cayenne passa a transmitir mais informações do asfalto e o comportamento fica mais esportivo. No Sport Plus, então, a conversa muda completamente.

A sensação é de que o carro passa a querer contar tudo o que está acontecendo debaixo das rodas. Você sente muito mais o asfalto e recebe um feedback muito maior através do volante.

Era quase como pensar: se eu passar por cima de uma formiguinha, vou sentir a formiguinha no volante. É claro que estou exagerando. Mas é justamente essa mudança de personalidade que impressiona.

O equilíbrio é o grande trunfo

E talvez seja justamente aí que esteja o grande mérito do Cayenne GTS. Ele não precisa escolher entre ser confortável ou esportivo.

Quando você quer conforto, ele entrega um rodar extremamente refinado, bancos confortáveis, espaço para passageiros e uma suspensão capaz de engolir boa parte das imperfeições do asfalto.

Mas basta mudar o modo de condução para o carro assumir outra personalidade.

O V8 fica mais agressivo, o câmbio passa a trabalhar de maneira ainda mais rápida, a suspensão endurece e o Cayenne começa a transmitir muito mais do que está acontecendo com as rodas.

É uma transformação bastante perceptível.

E talvez seja por isso que o GTS faça tanto sentido dentro da gama Cayenne. Ele não tenta ser o mais extremo de todos, papel que fica para o Turbo GT. Também não é simplesmente um Cayenne com aparência esportiva.

Ele entrega desempenho suficiente para fazer você sorrir, conforto suficiente para encarar o trânsito do dia a dia e luxo suficiente para lembrar que estamos falando de um Porsche de mais de R$ 1 milhão.

No fim das contas, o Cayenne GTS consegue fazer uma coisa que poucos SUVs conseguem: ser um carro extremamente confortável pela manhã e uma máquina capaz de arrancar um sorriso involuntário do motorista de noite.