Não é de hoje que os carros da Honda recebem muitos comentários negativos por conta dos preços elevados, e o hatchback City não é diferente, infelizmente. Vendido com preços entre R$ 117.500 e R$ 155.300, o modelo é excelente e atende um público muito específico, mas o avanço da concorrência promete vida cada vez mais difícil.
Antes de considerar o preço, a avaliação do Honda City na versão EX (que custa R$ 136.300) será realizada apenas pelo carro em si, sem levar o fator monetário à equação. Claro que ao considerar um carro novo é preciso falar sobre o preço, mas o City, e também o segmento de hatchbacks passam por uma crise, a qual falaremos mais tarde.
Mais que o básico
Não é possível chamar o Honda City de um carro básico. Desde a versão de entrada, o hatchback já oferece seis airbags, assistente de partida em rampa, partida por botão, chave presencial e multimídia de 8 polegadas.
Já na versão avaliada EX, o modelo ganha o câmera de ré, freio de estacionamento eletrônico, carregador de celular sem fio, ar-condicionado digital e o que pra mim é a grande “estrela da companhia”, o sistema Honda Sensing, que adiciona Controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e ajuste automático de farol.
Nas demais versões, o modelo passa a receber itens como bancos em couro, mais alto-falantes, conexão com aplicativo da Honda, faróis completamente em LED, ar-condicionado de duas zonas, bem como algumas alterações visuais, que não passam de perfumaria.
Magic Seat brilha
Um dos principais diferenciais do Honda City para seus rivais é justamente a modularidade dos bancos. O porta-malas tem apenas 268 litros e é maior apenas do que o do Peugeot 208, perdendo até mesmo para o subcompacto Renault Kwid. Contudo, os bancos são bipartidos e podem ser rebatidos de modo que o espaço traseiro seja ampliado e o proprietário tenha uma região completamente plana.
Além disso, o City conta com o sistema Magic Seat, que permite que o assento dos bancos traseiros seja levantado, o que amplia a capacidade de carga. Essa modularidade do sistema de bancos traseiros é herança do Fit e garante mais usabilidade do espaço traseiro, algo que outros rivais não oferecem.
Motor aspirado
O City é o único dos hatchbacks acima dos R$ 110 mil a contar apenas com motorização aspirada. O motor é o já conhecido 1.5 aspirado com injeção direta de combustível, capaz de entregar 126 cv de potência com gasolina e etanol, enquanto o torque é de 15,5 kgfm com gasolina e 15,8 kgfm com gasolina. A transmissão é automática do tipo CVT, e a partir da versão EXL, já oferece borboletas atrás do volante para a troca de marchas.
Como é de se esperar, o City não é referência quando o assunto é desempenho, e em algumas retomadas o câmbio faça o motor gritar (o que é característica de carros aspirados com CVT, não dá pra reclamar), o hatchback brilha mesmo é no consumo de combustível.
Além disso, no caso do motor do City, o torque máximo é entregue a 4.600 giros, enquanto a potência máxima chega somente a 6.200 rotações. Ao contrário de um Polo, por exemplo, em que o torque máximo chega a 1.750 rpm, enquanto a potência máxima é entregue aos 5.000 giros.
As médias divulgadas pela Honda são de 13,2 km/l na cidade e 15 km/l na estrada com gasolina. Durante uma semana de testes, usando sempre gasolina (antes da adição de 32% de etanol, é bom ressaltar), foi possível médias de 21 km/l na estrada sem usar ar-condicionado, e cerca de 18 km/l com o equipamento ligado.
Suspensão confortável
A suspensão do Honda City usa o tradicional sistema McPherson na dianteira e eixo de torção tradicional na traseira. A calibração não é a mais macia do mundo e até rígida em alguns momentos, mas consegue ser firme para garantir segurança nas rodovias.
Como é conviver com o Honda City?
O Honda City consegue ser um ótimo carro para quem busca algo confiável, fácil de usar e relativamente espaçoso (considerando o segmento) e que não busca desempenho. Os pontos positivos do modelo ficam por conta da modularidade dos bancos, economia de combustível e o sistema Honda Sensing, que brilha nas estradas.
O interior é simples, mas extremamente funcional, enquanto os bancos em tecido da versão são confortáveis. O principal ponto negativo da cabine fica por conta da multimídia, que poderia ser melhor e mais rápida, contudo, funciona bem. Talvez por isso, o modelo indiano recebeu uma atualização visual e uma nova central.
Outro ponto negativo é a posição do carregador de celular sem fio, abaixo do apoio de braço. A ideia é boa e mostra que os engenheiros da Honda tentaram otimizar o espaço disponível, mas o acabamento emborrachado não segura o celular, que sempre escorrega e sai da posição de recarga.
A cabine não tem painel digital como em um Polo Highline do mesmo preço, ou não ostenta um teto solar panorâmico como o Peugeot 208 GT, nem mesmo traz motor turbo como a dupla anterior, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix, mas ainda assim é super competente.
O motor aspirado do City só passa a ser problema dependendo do estilo do condutor. O conjunto mecânico não vai te deixar na mão, embora possa incomodar na hora de realizar algumas ultrapassagens.
Incômodo, certamente, será a baixa altura em relação ao solo e o ângulo de ataque do modelo. Se o condutor tentar passar por uma lombada sem muito cuidado, é quase certo que o centro do veículo raspe, mesmo com um ocupante somente.
A dianteira, por conta do desenho agressivo do para-choque e da baixa altura, também fica suscetível a choques e arranhões, o que incomoda no dia a dia. Com quatro pessoas à bordo, o City ficou bastante baixo, especialmente no eixo traseiro.
Outro ponto que atrapalha a experiência do modelo é o tanque de combustível, que possui apenas 39,5 litros de capacidade, um dos menores do segmento. Apesar de bastante econômico, o City passa a impressão de ser um carro mais beberrão do que o computador de bordo realmente indica, justamente pelo tanque pequeno.
O tanque é menor do que o utilizado no City sedan (44 litros) e a explicação está no posicionamento. Nesse caso, o tanque fica localizado na parte dianteira-central do veículo, e não abaixo dos bancos traseiros, como acontece em demais carros, justamente para abrigar o sistema Honda Magic Seat.
Vale a pena?
O Honda City é um carro para quem pensa muito no lado financeiro. O comprador vai pagar mais caro, é bem verdade, mas terá um motor confiável, econômico, e um carro com histórico de manter bastante valor no mercado de seminovos.
O principal ponto negativo é a baixa altura em relação ao solo, o que pode ser um problema no dia a dia, especialmente em cidades onde rampas, valetas e buracos são frequentes. O problema fica ainda maior para quem precisa transportar ocupantes no banco traseiro, já que o carro acaba ficando mais baixo e aumenta a probabilidade de raspar.
Pelos R$ 136.300 cobrados pelo modelo testado, diversos SUVs do mercado, e até mesmo outros hatchbacks, entregam itens como painel digital e ainda possuem a vantagem da altura maior e a carroceria da moda, mas só o City prioriza a segurança com o pacote ADAS. É possível pagar até menos por carros elétricos, que deixam a vida do City ainda mais complicada.
Particularmente, o City encanta pelo baixo consumo e pelo pacote de assistências ao condutor, que funciona muito bem e são fáceis de usar. A falta de espaço consegue ser contornada facilmente pela modularidade do espaço traseiro, o que alguns rivais do segmento não fazem, mas acabam compensando com acabamento melhor.
É tudo uma questão preferência do motorista e como a pessoa encara um automóvel. Para quem gosta de dirigir, talvez o City não seja ideal, pois em momento algum te instiga, mas para quem prefere pensar com o bolso e não quer um carro elétrico, o City é uma ótima indicação e tem tudo que um carro precisa ter.
O modelo já sente os 5 anos de mercado e poderia trazer painel de instrumentos totalmente digital, bem como uma multimídia maior e com um sistema mais bonito. A tela é pequena e funciona muito bem, mas a interface não é atrativa e ao espelhar o celular, o mapa fica bem pequeno. Já há uma atualização de multimídia para o modelo na Índia e que deve chegar ao Brasil em breve.
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