O Hyundai i20 chega ao Brasil com uma missão curiosa: ocupar o espaço entre HB20 e Creta e, ao mesmo tempo, brigar em dois segmentos diferentes. De um lado, encara SUVs compactos como Volkswagen Tera e Fiat Pulse. Do outro, tenta conquistar quem hoje olha para hatches como Chevrolet Onix e Volkswagen Polo. A versão avaliada foi a Ultimate (R$ 139.990), topo de linha, equipada com motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas.
O visual segue a linguagem mais recente da marca. A dianteira é robusta, com capô mais elevado e um para-brisa bastante inclinado, enquanto as rodas de 17 polegadas reforçam a proposta mais sofisticada da configuração testada. Na traseira, as lanternas ligadas por uma barra de LED dão personalidade ao modelo. O desenho é diferente e pode dividir opiniões, mas definitivamente não passa despercebido.
Debaixo do capô está o conhecido motor 1.0 turbo da Hyundai, recalibrado para atender às novas regras de emissões. São 115 cv e 17,5 kgfm de torque, sempre com câmbio automático de seis marchas. Na prática, o conjunto continua agradando. O motor dá conta do recado e combina bem com as dimensões do carro. Em nenhum momento passa a impressão de estar trabalhando além da conta ou de precisar manter rotações elevadas para entregar desempenho.
O primeiro contato aconteceu em um circuito fechado onde a Hyundai liberou voltas livres para os testes. É um detalhe interessante, porque mostra a confiança da marca no conjunto do carro e, principalmente, no sistema de freios, que acaba sendo muito mais exigido em uma pista do que em condições normais de uso.
Mas o que mais chamou atenção foi a suspensão. O i20 tem um acerto mais firme, mas sem abrir mão do conforto. Durante o teste, foi possível abusar um pouco mais nas entradas e saídas de curva para entender como o carro reagia, e a surpresa foi positiva. As intervenções do controle de tração foram raras, os pneus praticamente não reclamaram e a carroceria se manteve sempre bem controlada. Mesmo com a posição de dirigir mais elevada, típica de um SUV, o i20 não parece um carro desajeitado. Pelo contrário: nas mudanças rápidas de direção, ele transmite uma sensação de segurança e equilíbrio que acaba surpreendendo.
Essa primeira experiência mostra que o Hyundai i20 tem argumentos para chamar atenção em um segmento cada vez mais disputado. Mais do que preencher a lacuna entre HB20 e Creta, o modelo deixa uma boa impressão pelo conjunto equilibrado e pelo comportamento dinâmico bem acertado, que pode acabar sendo um dos seus principais diferenciais.
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