O tempo passa rápido e a Fiat Toro já completou 10 anos de mercado no último mês de fevereiro. Em uma década, a picape responsável por criar um segmento novo, segue líder e imbatível, apesar das tentativas de outras fabricantes de roubar o trono da Toro. Confira na avaliação abaixo alguns motivos que fazem da Toro ser um sucesso.
Lançada em 2016, a Toro era até então a maior picape oferecida pela Fiat, bem maior que a Strada (derivada do Palio e hoje feita a partir do Mobi), mas ainda abaixo das médias como Toyota Hilux e Chevrolet S10, por exemplo.
O principal trunfo da Toro é conseguir oferecer o conforto e espaço interno de um SUV médio como o Compass, por exemplo e a praticidade de uma caçamba com 937 litros de capacidade, que em algumas versões (a diesel) pode suportar até 1 tonelada de carga.
Ainda em 2016 a Toro conheceu sua principal rival, a Renault Oroch, que usava a mesma estratégia de picape com base em SUV. Apesar de medidas praticamente idênticas, a Toro sempre teve desempenho melhor em vendas.
Em 2022, a Ford passou a oferecer a Maverick, que utiliza a plataforma modelo C2, a mesma de Focus e Bronco Sport, mas por ser importada, nunca teve preços competitivos e nunca teve a mesma capacidade off-road da Toro. O mesmo pode ser dito sobre a Montana, que chegou no mesmo ano e buscava criar um outro segmento intermediário, agora entre Strada e Toro, mas também não chegou nem perto de ameaçar a criação da Fiat.
Por que a Toro vende tanto?
Ano |
Toro |
Oroch |
Maverick |
Montana |
|
2016 |
41.283 |
14.245 |
14.768 (antiga geração) |
|
|
2017 |
50.723 |
11.047 |
14.872 (antiga geração) |
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2018 |
58.477 |
13.409 |
13.108 (antiga geração) |
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|
2019 |
65.566 |
13.363 |
12.524 (antiga geração) |
|
|
2020 |
53.974 |
6.070 |
6.654 (antiga geração) |
|
|
2021 |
70.890 |
12.133 |
2.182 (antiga geração) |
|
|
2022 |
49.567 |
12.022 |
1.382 |
18 |
|
2023 |
51.303 |
12.734 |
1.654 |
30.018 |
|
2024 |
53.856 |
12.883 |
3.536 |
27.724 |
|
2025 |
52.129 |
11.624 |
4.051 |
20.385 |
|
2026 (jan-abril) |
17.295 | 3.774 | 1.360 | 5.224 |
Os números comprovam o sucesso da Toro, embora também mostram uma estabilidade significativa para a Oroch e um excelente primeiro ano de vendas para a Montana. Entretanto, é necessário dirigir a Toro para entender o motivo do sucesso se perpetuar ao longo dos anos.
Versatilidade
Após rodar uma semana com a picape intermediária da Fiat foi possível entender os pontos positivos que fazem a picape ser um sucesso de vendas, tendo até conseguido ser o segundo utilitário mais vendido do país em alguns anos.
Basta entrar na Toro e perceber a posição de dirigir elevada. Essa característica é comum em muitos carros mais modernos, e nos últimos anos passou a ser uma demanda de muitos consumidores. Nesse sentido, a Toro foi uma das pioneiras a trazer essa característica.
Além disso, a picape consegue unir essa posição de dirigir mais alta com o “status” que um utilitário oferece, porém, com dimensões mais convidativas para o uso em cidade, ao contrário das tradicionais médias.
Com 4,95 m de comprimento, sendo 2,98 m de entre-eixos, 1,84 m de largura e 1,68 m de altura, a Toro possui dimensões ideais para o uso em cidade, tanto para estacionamentos fechados, quanto para passar por ruas apertadas. A Toro não passa a impressão de ser um carro grande demais como acontece com a Fiat Titano, por exemplo.
Curiosamente, ao contrário da irmã Ram Rampage, a Toro é levemente menor (74 mm) e mais baixa (103 mm) que o modelo da Ram. Isso se traduz em mais praticidade no dia a dia, especialmente no trânsito. Na Toro, um veículo “se esconder” atrás da caçamba da picape é bem menor do que na Rampage, onde isso acontecia com bastante frequência.
Motor e suspensão
Atualmente a Toro é oferecida com motor 1.3 turboflex de 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque com etanol ou gasolina acoplado à transmissão automática de 6 marchas e também há a opção do motor 2.2 turbodiesel de 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque com tração 4x4 e câmbio de 9 marchas.
A versão testada foi a Ranch, uma das duas equipadas com o propulsor diesel. Em termos de desempenho, o motor é excelente, porém, para o uso em cidade, creio que não seja a melhor escolha. A transmissão demora para realizar as trocas, e ainda há o fato do motor diesel vibrar bastante e, embora os coxins façam um bom trabalho em filtrar a vibração, ainda é perceptível e em longos períodos dirigindo ou em trânsito pesado, é um fator que causa bastante incômodo.
Some isso ao fato do motor diesel ser mais barulhento, a Toro diesel não é a melhor opção para o uso urbano. No uso rodoviário, porém, a motorização mais bruta mantém um rodar suave e em velocidade constante, as vibrações não são tão perceptíveis e a Toro se mostra um veículo excelente para esse tipo de uso.
Some isso ao fato de que a partir da linha 2026, a Toro diesel conta com um tanque extra de Arla (Agente Redutor Líquido Automotivo) que serve para reduzir a emissão de gases tóxicos da queima do diesel. Essa substância não é tão simples de ser encontrada em postos de combustível em cidades.
A suspensão aposta no tradicional sistema McPherson na dianteira, mas o principal trunfo é a configuração independente nas rodas traseiras, o que garante excelente amortecimento e conforto para os ocupantes.
Durante a semana de testes, a suspensão em momento algum foi um ponto de incômodo, seja vazio ou com quatro ocupantes, o amortecimento das imperfeições foi excelente. Esse é talvez o principal trunfo da Toro em relação às rivais.
Interior confortável é ponto alto
Um dos pontos positivos da Toro é o interior. Apesar de não ser extremamente espaçoso, é o que se espera de um veículo desse porte e 4 adultos conseguem viajar tranquilamente. O principal trunfo, especialmente nesta versão Ranch está no acabamento marrom e na central multimídia vertical de 10,1 polegadas.
Essa configuração faz a Toro ter conforto digno de picape média, o que deveria, em tese, fazer muitos compradores pensarem entre levar a Toro mais completa ou uma média, maior, mas com bancos em tecido, por exemplo. Claro que a escolha varia conforme a necessidade do comprador, mas eu priorizaria conforto.
Vale a pena?
Por R$ 237.980 (R$ 235.490 da Toro Ranch + R$ 2.490 da cor Azul Jazz), a Toro topo de linha traz como diferencial em relação à versão Volcano Turbodiesel multimídia de 10,1”, estribos laterais, santantônio, emblemas cromados e interna em couro marrom.
A lista de equipamentos é bem similar à da versão Ultra flex (R$ 202.490), que possui um conjunto mecânico mais convidativo para o dia a dia. Porém, se o comprador precisa, ou faz questão da tração 4x4, a opção mais racional é a versão Volcano com pacote tech que custa R$ 13 mil a menos.
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