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AVALIAÇÃO

VW Nivus GTS: Um conjunto dinâmico em uma embalagem que custa caro

O SUV coupé que brilha nas curvas com um acerto de suspensão surpreendente, mas decepciona pela ausência de um ronco e outros itens que não acompanha a fama da sigla

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VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

O Volkswagen Nivus GTS chegou no momento para preencher uma lacuna que os fãs da Volkswagen pediam há muito tempo, que era o modelo com a motorização 1.4 turbo, já conhecida do Polo GTS e também do T-Cross Highline.

Por conta da chegada do GTS, a Volkswagen inclusive tirou de linha o Polo GTS para dar espaço ao crossover com a sigla. Lançado em abril de 2025, o modelo já ficou mais de R$ 10 mil mais caro desde então, o que pesa. Hoje, ele é oferecido por R$ 189.690 sem opcionais, como cores especiais e rodas aro 19, e se posiciona como o esportivo de entrada da marca dentro da linha VW Legends.

Design ainda é destaque

De fato, a proposta aqui é clara. É um carro para quem busca um SUV compacto, com comportamento dinâmico mais afiado, mas sem abrir mão da versatilidade para o dia a dia. E não dá para falar do Nivus GTS sem falar do design, que já é consagrado. É um carro bonito, principalmente nessa cor vermelha do teste, que chama bastante atenção.

As rodas aro 19, que num primeiro momento não me agradavam tanto, mas acabam funcionando muito bem ao vivo com a carroceria. Na dianteira, os  com a barra iluminada deixam o carro com um ar mais invocado, mas faltou a tecnologia IQ.Light, que já existia no Polo GTS. Tiraram e ainda cobraram mais caro por isso.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

Na traseira, o modelo também traz lanternas em LED interligadas por uma barra iluminada em vermelho que percorre toda a tampa do porta-malas. O conjunto visual reforça essa identidade mais esportiva, até com elementos em plástico que tentam dar esse ar mais “clean” e agressivo ao mesmo tempo. Mas tem um ponto que incomoda. Um carro com essa proposta não ter uma ponteira de escapamento é difícil de engolir, ainda mais quando se vende como esportivo.

Interior simples, mas com bons bancos

Por dentro, nada de muito novo. Segue o padrão Volkswagen, com bastante uso de plástico, que é de boa qualidade, mas sem refinamento. O interior é mais seco nesse sentido. Ele traz alguns detalhes em vermelho nas saídas de ar, no volante e no acabamento próximo à manopla do câmbio, reforçando a identidade GTS.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

O grande destaque aqui vai para dois pontos, posição de dirigir e bancos. Os bancos, todos em couro, têm abas laterais bem pronunciadas e passam uma sensação de semi-concha. Na prática, isso faz diferença. Em curvas mais fechadas, o corpo fica bem apoiado, você não fica sambando no banco. É confortável e esportivo ao mesmo tempo, um dos pontos mais fortes do carro. Por outro lado, só contam com ajuste manual, o que decepciona nessa faixa de preço.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

A central VW Play funciona bem e traz funções específicas interessantes, como medidores de pressão de turbina, uso do acelerador e giro do motor, algo que conversa com a proposta. É também por ali que se alteram os modos de condução, o que poderia ser mais prático se estivesse no volante ou no console. Na segunda fileira, o espaço é o já conhecido do Nivus, adequado, com bom nível de conforto, e bancos também estilizados na proposta GTS. Mas aí vem outro ponto que pega. Um carro de quase R$ 190 mil, com essa pegada mais esportiva, não ter teto solar é complicado. Aí entra aquele velho ditado, Jetta sem teto solar é Santana.

Motor conhecido, mas pouco empolgante

Na parte de motorização, que era o ponto mais esperado, o Nivus GTS traz o já conhecido 1.4 TSI, com 150 cv e 25,5 kgfm de torque. É um motor valente, confiável e já consagrado dentro da Volkswagen e também em modelos da Audi. Mas sendo bem sincero, para um carro com proposta mais esportiva, não empolga tanto quanto deveria. Parte disso vem do conjunto. Não há um sistema de escapamento específico, como vemos, por exemplo, nos modelos da Abarth. Aqui, o escapamento é praticamente o mesmo de versões comuns, sem som marcante e sem nem uma ponteira visível.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

A sensação ao dirigir, muitas vezes, é de estar em um carro comum. Existe um porém. No modo Sport, o volante fica mais firme e o carro ativa sons simulados dentro da cabine, que até enganam bem quem não é tão entusiasta. Em retomadas e reduções, o sistema reproduz um som convincente. Mas para quem gosta de carro de verdade, sabe que é artificial. Fica aquela sensação de que a Volkswagen poderia ter feito mais, principalmente em um carro com a sigla GTS.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

Por outro lado, esse motor tem um ponto positivo importante, além da confiabilidade. Por já ser muito conhecido, existe uma grande oferta de preparações plug and play no mercado, onde uma simples reprogramação do motor pode render cerca de 30 cv extras, colocando o carro em um nível mais competitivo, inclusive próximo de rivais mais potentes. Nesse aspecto, a linha Volkswagen sempre foi muito bem aceita por quem gosta de modificar.

Suspensão é o grande destaque

Se o motor não empolga tanto, a suspensão compensa. Esse é, sem dúvida, um dos pontos fundamentais do Nivus GTS. A calibração foi totalmente revista e pensada para essa versão. O resultado é um carro confortável para o dia a dia, tanto na cidade quanto na estrada, mas que surpreende quando o assunto são curvas. O nível de estabilidade e firmeza impressiona, com um comportamento muito bem acertado. É aquele tipo de acerto que agrada quem realmente gosta de dirigir, com uma tocada mais apimentada.

Veredito e custo-benefício

No geral, o Nivus GTS cumpre em partes o que promete. A parte visual, os bancos e principalmente a suspensão sustentam bem a proposta esportiva. Mas falta um pouco mais de motor para acompanhar esse conjunto e justificar melhor a sigla GTS, especialmente quando comparado a rivais que entregam mais potência. Em um cenário de pista, até dá para imaginar um bom desempenho, talvez até surpreendendo, mas no uso real, a diferença de potência pesa.

VW Nivus GTS
VW Nivus GTS Foto: Enrico Paladino/Vrum

E no fim das contas, o maior problema está no preço. Por quase R$ 190 mil, ele entra em um território complicado. Dá para olhar com carinho para opções mais divertidas, inclusive no mercado de usados, que entregam muito mais emoção. Não à toa, já é possível encontrar unidades sendo vendidas praticamente no preço da versão Highline em algumas concessionárias, o que mostra que o valor cheio não tem sido tão bem aceito. Nessa condição, com desconto, ele começa a fazer sentido. Fora disso, fica difícil defender.