O Jeep Gladiator teve seu lançamento em 1972 e foi produzido até 1988. Ele era derivado do Jeep Wagoneer e essa releitura só voltou a aparecer em 2019, compartilhando a mesma base da arquitetura do Jeep Wrangler. O modelo veio para o mercado brasileiro em 2022 em configuração única da versão Rubicon, que atualmente custa R$ 529.990.
Visual BRUTO
Uma das coisas mais legais do Gladiator é o seu próprio design. Você olha para ele, bate o olho e já vem na sua mente que ele é um jipe genuíno, daqueles que parecem prontos para encarar qualquer coisa. Com o para-choque proeminente, a grade com ponto de fixação para reboque, os paralamas alargados e abaulados e a caixa de roda que dá oportunidade para colocar pneus de perfil gigante, tudo isso combina muito com a essência da Jeep.
E fato é: por onde o Gladiator passa, ele chama atenção. Pode ser em qualquer lugar e a qualquer momento. Todo mundo dá aquela quebradinha no pescoço para ver esse trator passando.
Ele tem 5,59 metros de comprimento, quase 30 centímetros a mais que uma Toyota Hilux, além de 1,89 m de largura, 1,90 m de altura e 3,48 m de entre-eixos. A caçamba tem capacidade de mil litros e suporta 674 kg de carga útil.
No geral, para quem olha, é um carro bastante imponente.
Da para brincar de Lego
Um plus dessa versão Rubicon, tanto do Gladiator quanto do Wrangler, é a possibilidade de praticamente desmontar o carro e fazer um Lego com ele. Você consegue tirar as portas, remover a parte do teto da frente, o teto de trás, as portas traseiras e até baixar o para-brisa para apoiá-lo no capô. Isso dá um grau de personalização muito grande.
Lá fora, no exterior, o pessoal costuma usar kits extremos que fazem essas modificações. As peças aftermarket dele são abundantes no mercado internacional. Nada que uma importação um pouco mais cara não resolva para trazer ao Brasil. O fato é que essa capacidade de personalização é algo bem legal e aumenta bastante o potencial do carro.
Interna “analógica” agrada
Partindo para o interior, ele é bem tecnológico e condizente com o que esperamos hoje. Tem acabamento em soft touch, couro e tudo mais. Mas algo que agrada bastante é o painel de instrumentos, que mistura digital e analógico. O tacômetro e o velocímetro continuam ali presentes, o que é bem bacana para quem gosta desse estilo.
Outro ponto positivo é que o console multimídia mantém botões físicos. Controle do ar-condicionado, volume da multimídia e outros comandos ficam no próprio painel, facilitando muito o acesso e o manuseio.
Além disso, ele traz a alavanca de câmbio automática convencional e o seletor do modo de tração 4x4.
No painel central existe algo muito bacana: na parte de seleção dos modos de tração e conexão com a barra estabilizadora, há quatro botões auxiliares funcionais. Eles servem para quem quiser customizar o carro com faróis auxiliares ou novos faróis de milha. O Gladiator já vem com o chicote pronto para essa instalação, então tudo fica com aparência de original de fábrica. É só apertar o botão e funciona.
Os bancos têm revestimento em couro de boa qualidade, mas confesso que não são dos mais confortáveis para viagens mais longas. Com o passar do tempo, eles começam a incomodar um pouco na posição, dando uma leve dor.
Na segunda fileira ele segue o mesmo padrão de acabamento em couro, mas quem acha que o entre-eixos longo significa muito espaço interno pode se enganar. O espaço no banco traseiro é relativamente reduzido, embora acomode duas pessoas com conforto.
Debaixo do banco há duas caixas organizadoras que servem como espaço extra para guardar utensílios de trilha, mochilas e outros objetos. O banco também revela uma caixa de som Bluetooth da própria Jeep, reforçada contra quedas e à prova d’água. Ela fica carregando ali durante a viagem para, quando você chegar na cachoeira ou na praia, simplesmente retirar e curtir o som.
Um ponto forte do interior é a grande quantidade de entradas USB e USB-C distribuídas pela cabine. No banco de trás ainda há uma tomada 220 volts, útil para carregar notebook ou outros equipamentos. Essa tomada também aparece na caçamba.
A posição de dirigir é alta, o que dá a sensação de pilotar um trator. Você consegue ver toda a extensão do capô que abriga o V6 e também a largura do para-choque e das caixas de roda, dando a impressão de estar guiando praticamente um tanque.
Segurança
Na parte de segurança, o Gladiator conta com airbags de cortina tanto para a primeira fileira quanto para a segunda fileira. Algo até incomum, já que é um carro que praticamente consegue desmontar por inteiro, com portas e teto removíveis, mas mesmo assim ele traz esse lado de segurança.
Além disso, ele tem assistências de condução mais básicas. Conta com piloto automático adaptativo e frenagem autônoma de emergência, mas não possui sistema de manutenção em faixa.
E um fato muito legal é andar com o Gladiator sem o teto. Parece que você está em um carro com teto panorâmico, só que sem vidro. Isso traz uma vibe bem aventureira para quem gosta.
Suspensão é o padrão das picapes
Na parte da suspensão, por ter chassi sobre carroceria, ele segue bastante o padrão das outras picapes do mercado. É um conjunto robusto e com bastante curso, além de boa altura do solo. No uso diário, ele apresenta aquele comportamento típico de picape com centro de gravidade mais alto, balançando um pouco mais em buracos e irregularidades.
Por outro lado, a vantagem de um carro assim é que você vê qualquer buraco ou lombada e sabe que pode passar sem medo. O Gladiator tem ótimos ângulos off-road, com 43,6 graus de ataque e 26 graus de saída, números acima da média do mercado.
Motor V6 que dá gosto
Na motorização ele usa o conhecido V6 3.6 Pentastar, que já equipou modelos como Dodge Journey, Jeep Cherokee e Jeep Grand Cherokee. São 285 cv e 35,4 kgfm de torque, combinados com câmbio automático de oito marchas.
E eu tenho que confessar: que delícia de conjunto. Você acelera e escuta o seis cilindros trabalhando, enquanto o câmbio vai encavalando marcha atrás de marcha. A sensação é de que ele não quer parar mais. A linearidade de um motor aspirado é algo muito diferente dos motores turbo. Eles também são divertidos, mas nada se compara a um V6 aspirado subindo giro e entregando potência de forma progressiva.
Ele ainda conta com tração 4x4 com reduzida e bloqueio de diferencial, o suficiente para encarar praticamente qualquer obstáculo sem dor de cabeça.
O lado negativo é o consumo. Em rodovia, andando tranquilo, ele faz cerca de 8 km/l. Mas quando você começa a aproveitar o motor, as médias caem para algo entre 3,5 e 4 km/l. Para compensar, o tanque tem 84 litros.
Veredicto
No fim das contas, o Gladiator é um carro muito mais emocional do que racional. Ele entrega presença, capacidade off-road de sobra e uma experiência de condução bem diferente da maioria das picapes do mercado.
Mas em um mundo onde existe a Ford Ranger Raptor, fica aquela reflexão inevitável. A Raptor também aposta em um V6, mas biturbo, entrega mais potência, mais torque e tem um conjunto pensado para desempenho em alta velocidade no fora de estrada. Então a escolha acaba sendo muito mais de perfil.
Se a ideia é ter uma picape extremamente capaz, com visual icônico e aquela experiência raiz de um jipe da Jeep, o Jeep Gladiator faz todo sentido. Agora, se a prioridade for desempenho e tecnologia em uma proposta mais moderna de off-road, a Raptor acaba aparecendo como uma alternativa muito forte dentro dessa faixa de preço.
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