O motor 2.0 turbo da Stellantis, que equipa modelos de sucesso como a Ram Rampage, Jeep Commander e Compass, entrega 272 cavalos de potência e 40,8 kgfm de torque, permitindo um 0 a 100 km/h em cerca de 7 segundos.
Parte do segredo para tanto desempenho está na aplicação de soluções de engenharia avançada que também são encontradas em motores de alta performance, incluindo categorias do automobilismo mundial, como a Fórmula 1.
A busca por mais eficiência e performance levou os engenheiros a adotarem soluções que visam reduzir o atrito interno, otimizar a queima de combustível e diminuir o peso do conjunto. O resultado é um propulsor que oferece respostas rápidas e força em uma ampla faixa de rotações.
A tecnologia por trás da potência
Uma das inovações mais importantes é a aplicação de um revestimento especial nos cilindros, conhecido como Plasma Transfer Wire Arc (PTWA). Em vez das tradicionais e pesadas camisas de ferro fundido, uma finíssima camada de um composto metálico é aplicada por spray nas paredes dos cilindros.
Essa técnica, semelhante à usada em motores de alta performance, reduz drasticamente o atrito entre os pistões e os cilindros. Com menos resistência, o motor opera de forma mais livre e eficiente, além de dissipar melhor o calor e ser significativamente mais leve.
Outro componente crucial é o turbocompressor de duplo fluxo, ou twin-scroll. Ele direciona os gases de escape de forma inteligente para a turbina, evitando a sobreposição de pulsos. Na prática, isso diminui o tempo de resposta do turbo, conhecido como turbo lag, garantindo que a potência máxima chegue de forma quase instantânea quando o motorista pisa no acelerador.
Eficiência e construção leve
O sistema de injeção direta de combustível de alta pressão trabalha com 200 bar, pulverizando a gasolina diretamente na câmara de combustão. Essa precisão permite uma queima mais completa e controlada, extraindo o máximo de energia de cada gota de combustível, um princípio aplicado em motores de alta eficiência da atualidade.
A construção do motor Hurricane 4, como é chamado, também segue a cartilha da leveza. O bloco e o cabeçote são feitos totalmente em alumínio, o que contribui para a redução do peso total do veículo. Um carro mais leve melhora não apenas a aceleração, mas também a frenagem e a dirigibilidade em curvas, oferecendo uma experiência de condução mais ágil e segura.
A versão brasileira e a evolução com DNA da F1
É importante destacar que o motor Hurricane 4 disponível no Brasil é a versão de 272 cv. Internacionalmente, a Stellantis já apresentou uma evolução, o Hurricane 4 EVO, que alcança 337 cv. É nesta versão mais potente que a conexão com a Fórmula 1 se torna direta, através da tecnologia TJI (Turbulent Jet Ignition), um sistema de ignição por pré-câmara inspirado nas soluções usadas nos motores híbridos V6 turbo da categoria.
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