A hegemonia das baterias de íon de lítio nos carros elétricos parece estar com os dias contados. Um anúncio recente da fabricante chinesa GWM (Great Wall Motor), que revelou avanços em sua tecnologia de estado semissólido, acelera a corrida por alternativas mais seguras, baratas e com maior autonomia no setor automotivo.
O lítio, embora eficiente, enfrenta desafios como o alto custo de extração e a instabilidade geopolítica das regiões produtoras. Além disso, as baterias atuais se aproximam de seu limite de desenvolvimento em densidade energética, o que dificulta o aumento da autonomia dos veículos. Por isso, a indústria investe pesado em novas químicas para alimentar o futuro da mobilidade.
O futuro de alta performance: estado sólido
As baterias de estado sólido são vistas como a próxima grande revolução para os carros elétricos. A principal diferença está na substituição do eletrólito líquido e inflamável por um material totalmente sólido e mais estável. No entanto, antes de sua chegada em massa, prevista por muitos fabricantes apenas para depois de 2030, tecnologias intermediárias, como as semissólidas (que combinam eletrólitos líquidos e sólidos), já estão sendo desenvolvidas. Essas mudanças estruturais oferecem vantagens diretas:
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Maior autonomia: elas conseguem armazenar muito mais energia no mesmo espaço, o que pode levar a veículos com alcances que podem chegar a 1.000 quilômetros com uma única carga.
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Recarga ultrarrápida: a nova arquitetura permite processos de recarga muito mais velozes, com algumas tecnologias prometendo recuperar 80% da capacidade em poucos minutos.
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Segurança elevada: ao eliminar o componente líquido, o risco de superaquecimento e incêndios, uma preocupação constante nas baterias atuais, é drasticamente reduzido.
O grande obstáculo para as baterias totalmente sólidas ainda é o custo de produção em larga escala. A complexidade de fabricar o eletrólito sólido de forma consistente e barata explica por que sua popularização em massa é esperada apenas para o final da década. Enquanto isso, soluções semissólidas, como as da GWM, servem como um passo intermediário importante.
A solução para o popular: íon de sódio
Em paralelo, outra tecnologia ganha força, principalmente para veículos de entrada: a bateria de íon de sódio. Como o nome indica, ela substitui o lítio pelo sódio, um elemento extremamente abundante e barato, encontrado no sal comum.
O ponto fraco das baterias de sódio é a menor densidade energética. Isso significa que, para entregar a mesma autonomia, elas precisam ser maiores e mais pesadas que as de lítio. No entanto, seu baixo custo as torna ideais para carros elétricos urbanos e compactos, onde a autonomia de longa distância não é a prioridade. Empresas como BYD e CATL já iniciaram a produção em massa na China.
O cenário que se desenha não é de uma única tecnologia substituta, mas de uma diversificação. Enquanto as baterias de estado sólido mirarão os segmentos premium e de alta performance, as de íon de sódio têm potencial para finalmente viabilizar carros elétricos verdadeiramente acessíveis para o uso diário.
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