A dúvida é comum e alimenta muitas conversas entre motociclistas: a fiscalização de velocidade e a tolerância dos radares são diferentes para motos? A resposta direta é não. As regras estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) são as mesmas para todos os veículos motorizados, sem distinção entre carros, caminhões ou motocicletas.
O que causa confusão são as particularidades na forma como os radares captam as imagens das motos. Diferente dos carros, as motocicletas possuem placa de identificação apenas na parte traseira. Por isso, os equipamentos de fiscalização, sejam fixos, móveis ou portáteis, precisam estar posicionados para registrar a moto após sua passagem, garantindo a leitura correta da placa.
Essa necessidade operacional, no entanto, não altera em nada a medição da velocidade nem a margem de erro aplicada, que é popularmente conhecida como "tolerância". A regra é clara e vale para qualquer veículo flagrado acima do limite permitido na via.
Como funciona a tolerância do radar?
A margem de erro dos radares serve para compensar eventuais imprecisões do equipamento. O cálculo segue uma tabela oficial do Inmetro e funciona de duas maneiras distintas, sempre aplicando um desconto sobre a velocidade medida pelo radar. O resultado (velocidade considerada) é então comparado com o limite da via para determinar se houve infração.
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Para velocidades de até 100 km/h: é descontado um valor fixo de 7 km/h da velocidade medida. Por exemplo, em uma via de 60 km/h, se o radar medir sua passagem a 68 km/h, a velocidade considerada para fins de autuação será de 61 km/h (68 - 7). Como 61 km/h está acima do limite, a multa é aplicada.
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Para velocidades acima de 100 km/h: o desconto é de 7% sobre a velocidade medida. Em uma rodovia com limite de 110 km/h, se o radar registrar uma moto a 120 km/h, a velocidade considerada será de 111,6 km/h (120 - 8,4 km/h, que corresponde a 7% de 120). Neste caso, a multa também é aplicada.
A detecção da moto pelo radar é diferente?
A tecnologia dos radares modernos, como os que usam efeito Doppler ou laser, não encontra dificuldades para registrar a velocidade de uma moto. O tamanho reduzido do veículo não é um problema para a medição. O único desafio, como mencionado, é a captura da placa traseira, o que apenas determina o posicionamento do equipamento.
Portanto, o motociclista deve ter em mente que as regras são exatamente as mesmas. Conhecer a margem de erro é útil, mas a prática mais segura e que evita multas é respeitar os limites de velocidade indicados na sinalização da via. A fiscalização é igual para todos.
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